‘Tem que melhorar o fiscal no país’, diz Durigan sobre cobrança do mercado
Ministro da Fazenda afirma que dúvidas sobre dívida e gastos obrigatórios são legítimas e aponta política fiscal como caminho para reduzir os juros

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reconheceu que as preocupações do mercado financeiro com a trajetória da dívida pública e dos gastos obrigatórios são legítimas. Em entrevista à Bloomberg News, ele afirmou que o Brasil precisa melhorar sua situação fiscal em meio às incertezas relacionadas às eleições.
“O que o mercado hoje cobra, com alguma razão, é como vai ser essa trajetória de gasto obrigatório, como vai ser essa trajetória de dívida para frente”, afirmou. “O que eu digo, sem fugir da raia, é que tem que melhorar o fiscal no país.”
Durigan assumiu o Ministério da Fazenda em março, no lugar de Fernando Haddad. Desde então, tem afirmado que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpriu os compromissos fiscais assumidos e continuará a cumpri-los.
Os investidores, no entanto, demonstram preocupação com a evolução das despesas em um eventual novo mandato de Lula. Segundo a Bloomberg, os ativos brasileiros registraram algumas das maiores perdas do mundo na semana passada, quando o presidente consolidou a liderança nas pesquisas eleitorais.
O real se desvalorizou nos cinco pregões do período. Os investidores estrangeiros, por sua vez, retiraram mais de R$ 13,5 bilhões da bolsa brasileira neste mês até quarta-feira.
Política fiscal pode ajudar a reduzir os juros
Durigan apresentou a política fiscal como a principal ferramenta disponível ao governo para reduzir os juros estruturalmente elevados do Brasil. Segundo ele, a situação das contas públicas não é o único fator que explica o custo do crédito, mas é o elemento sobre o qual o governo tem controle.
“Tem vários elementos que explicam isso e agora nós estamos vivendo muito de incerteza das eleições”, afirmou. “É natural que a gente entenda isso sem que a gente também aumente o tamanho do problema.”
As preocupações fiscais ajudam a manter as expectativas de inflação acima da meta de 3% até 2028. O Banco Central, nesse cenário, mantém a taxa básica de juros em 14% ao ano.
Durigan demonstra preocupação com empresas endividadas
O ministro também manifestou preocupação com as dificuldades financeiras enfrentadas por algumas das maiores empresas brasileiras. Segundo ele, o governo tem trabalhado com companhias e credores para impedir que problemas individuais provoquem um estresse mais amplo na economia.
Durigan citou a Raízen, produtora de açúcar e etanol. A empresa chegou a um acordo com credores privados e, posteriormente, o governo concordou em conceder um desconto de proporção semelhante sobre sua dívida tributária.
O governo também participa das discussões envolvendo a Braskem. De acordo com o ministro, o trabalho inclui o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Banco do Brasil e outras instituições financeiras na busca por uma solução para a petroquímica.
“Eu vejo com preocupação”, afirmou. “Eu não acho que nós vivemos uma crise nesse ponto de vista, mas eu vejo com preocupação.”
Durigan disse que ainda não havia conversado sobre o Grupo Casas Bahia, que entrou com pedido de recuperação judicial em São Paulo nesta semana, mas afirmou que o governo poderá discutir o caso.
Para o ministro, porém, o Brasil precisa melhorar sua situação fiscal e reduzir os juros, em vez de concentrar os esforços em intervenções envolvendo empresas específicas.
Ministro mantém contato com a campanha de Lula
Durigan afirmou que Lula e o presidente do Partido dos Trabalhadores, Edinho Silva, pediram que ele atuasse como principal interlocutor com a imprensa e o mercado financeiro.
O ministro não coordena o programa de governo, mas mantém contato frequente com a campanha e ajuda a revisar propostas econômicas.
