Temendo rivais que operam robotaxis, Uber pede lei em defesa dos motoristas humanos

A Uber tem a meta de expandir a operação de robotáxis nos EUA e estaria tentando encontrar um equilíbrio no uso de motoristas humanos e carros autônomos.
Segundo a Wired, os lobistas da empresa pressionam legisladores americanos para transformar em lei o que a empresa chama de "redes híbridas" — sistemas em que motoristas humanos trabalham ao lado dos robôs enquanto a tecnologia amadurece.
Na cidade de Nova Jersey, por exemplo, um lobista representando a Uber apresentou uma proposta legislativa que, por um período de três anos, exigiria que qualquer plataforma que oferecesse serviços de transporte autônomo tivesse motoristas humanos atendendo 85% das viagens, de acordo com o site.
Na prática, a regra limitaria drasticamente a operação de empresas que apostam apenas em carros autônomos, forçando-as a depender de motoristas humanos — algo que companhias como a Waymo, do Google, e a Tesla, de Elon Musk, não têm em seus modelos de negócio, baseados em frotas 100% robóticas.
Por que a Uber defende o modelo híbrido?
A estratégia foi formalizada em maio, quando a Uber divulgou um documento de políticas públicas chamado "Desbloqueando a Promessa da Autonomia".
No texto, a empresa argumenta que a transição para os carros autônomos deve ser lenta e gradual, com frotas mistas de humanos e robôs — e não uma virada rápida liderada por operadores exclusivamente autônomos.
AUber apresenta o modelo híbrido como o caminho responsável.
A empresa sustenta que frotas puramente autônomas não têm o freio natural dos motoristas humanos, que param de dirigir quando a demanda cai, e por isso arriscam inundar as cidades de veículos vazios circulando à toa.
Entre suas recomendações estão pedágios urbanos, gestão de meio-fio e padrões rígidos de utilização de frota.
O que a Uber tem a ganhar?
Por trás do discurso de prudência há um interesse econômico direto.
A Uber tem até US$ 10 bilhões em apostas potenciais no setor de autonomia, mas seu negócio mais lucrativo ainda é o das corridas com motoristas humanos, que ela intermedia.
Um modelo híbrido protege exatamente essa fonte de receita e posiciona a Uber como a camada de intermediação indispensável entre passageiros, motoristas e robôs.
Os críticos apontam que a manobra cria uma barreira regulatória sob medida contra os concorrentes.
Ao empurrar cotas de motoristas humanos e limites de utilização de frota, a Uber ergue obstáculos justamente para as empresas de robotáxi que operam sem ela, como Waymo e Tesla, enquanto se apresenta como parceira responsável das cidades.
A relação tensa com a Waymo
A disputa já provoca atrito com parceiros.
Nos últimos meses, executivos da Uber fizeram críticas diretas e indiretas à Waymo — sua única parceira que oferece corridas totalmente autônomas e pagas nos Estados Unidos —, retratando os operadores exclusivamente autônomos como menos escaláveis, menos equitativos e menos confiáveis do que o modelo híbrido.
À Wired, a Uber afirmou que sua posição não é dirigida a nenhuma empresa específica.
"Não pediremos desculpas por defender um futuro híbrido, que é comprovadamente mais eficiente e representa um futuro melhor para os motoristas", disse um porta-voz da companhia.
A Waymo, por sua vez, é a única operadora a ter escalado corridas comerciais em várias cidades, e mantém mais de 1.000 robotáxis na região da Baía de São Francisco.
