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EmpresasACS
18/08/2026
4 min

‘Tempestade se formando’: BofA vê piora do crédito e adota postura defensiva com bancos no Brasil

O Bank of America (BofA) acendeu um alerta para o setor bancário brasileiro após a temporada de resultados do segundo trimestre de 2026 (2t26). Em relatório, o banco afirma que os indicadores mais recentes apontam para uma deterioração gradual da qualidade do crédito das famílias, pressionada pelos juros elevados e pelo alto nível de endividamento […]

‘Tempestade se formando’: BofA vê piora do crédito e adota postura defensiva com bancos no Brasil

O Bank of America (BofA) acendeu um alerta para o setor bancário brasileiro após a temporada de resultados do segundo trimestre de 2026 (2t26). Em relatório, o banco afirma que os indicadores mais recentes apontam para uma deterioração gradual da qualidade do créditodas famílias, pressionada pelos juroselevados e pelo alto nível de endividamento dos consumidores.

Segundo os analistas, os resultados dos bancos e varejistas reforçaram sinais de enfraquecimento da saúde financeira dos brasileiros, levando a instituição a manter uma postura cautelosa e preferência por instituições com carteiras mais diversificadas e perfil de crédito considerado mais defensivo.

Inadimplência e custo de risco avançam

Um dos principais pontos de atenção destacados pelo relatório é o aumento do custo de risco (cost of risk ou CoR), indicador que mede o impacto das perdas com crédito sobre os resultados das instituições financeiras.

De acordo com o banco, o CoR avançou na maior parte das instituições financeiras acompanhadas, refletindo a cautela das equipes de gestão diante de um cenário de inadimplência ainda pressionado.

Além disso, as despesas com provisões para perdas cresceram em ritmo superior ao da expansão das carteiras de crédito. Para o BofA, esse movimento sugere que os bancos estão se preparando para um aumento das perdas futuras com inadimplência.

Os maiores aumentos foram observados em instituições mais expostas a clientes de baixa renda ou com portfólios menos diversificados, como Santander Brasil (SANB11), Porto (PSSA3) e operações financeiras ligadas ao varejo.

Por outro lado, Itaú Unibanco (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) apresentaram comportamento mais estável, beneficiados por carteiras mais amplas e diversificadas.

Endividamento das famílias preocupa

O relatório destaca que o nível de endividamento das famílias brasileiras permanece próximo de máximas históricas.

Segundo os dados compilados pelo BofA, o comprometimento da renda das famílias atingiu 49,8%, enquanto o serviço da dívida chegou a 28,5%, refletindo o impacto prolongado dos juros elevados sobre o orçamento dos consumidores.

Nesse contexto, a inadimplência das famílias continuou avançando. Os atrasos em operações de crédito para pessoas físicas cresceram 20 pontos-base no segundo trimestre e acumulam alta de 50 pontos-base no ano.

Mesmo com o suporte do programa Desenrola, criado para renegociação de dívidas, o banco afirma que a tendência continua desfavorável.

As instituições com carteiras mais concentradas registraram deterioração mais intensa, enquanto os grandes bancos privados apresentaram aumento mais moderado nos índices de inadimplência.

Bancos têm visões diferentes sobre o cenário

O BofA observa que há diferenças na interpretação da piora dos indicadores entre as instituições financeiras.

Alguns bancos digitais e de crescimento acelerado atribuem parte da deterioração à mudança do perfil da carteira de crédito. O Nubank, por exemplo, relacionou a evolução dos indicadores ao maior peso de empréstimos sem garantia, enquanto o Inter apontou impacto da expansão do crédito consignado privado.

Já os bancos tradicionais adotaram discurso mais conservador durante a divulgação dos resultados.

Segundo o relatório, essas instituições seguem priorizando linhas de crédito com garantias e clientes de melhor qualidade, em meio à avaliação de que o ambiente macroeconômico permanece desafiador.

Varejistas reforçam sinais de pressão sobre consumidores

As conclusões do Bank of America não se limitaram ao setor financeiro. Durante a temporada de balanços, diversas empresas do varejotambém relataram aumento da pressão sobre o orçamento das famílias.

O Assaí (ASAI3) destacou restrições no consumo e um movimento de troca por produtos mais baratos. Já a Casas Bahia (BHIA3) mencionou o alto endividamento dos consumidores e a piora da qualidade do crédito. Vale ressaltar que as Casas Bahia entraram com um pedido de recuperação judicial nesta semana, com dívida de R$ 17 bilhões.

A Lojas Renner (LREN3) afirmou continuar seletiva na concessão de crédito, enquanto Natura (NATU3) reportou aumento das perdas esperadas com inadimplência. O Magazine Luiza (MGLU3) também registrou crescimento dos atrasos nos pagamentos.

Outro tema recorrente citado pelas companhias foi o avanço das apostas online. Segundo o relatório, diversas empresas apontaram as bets como um fator adicional de pressão sobre o orçamento das famílias, reduzindo a capacidade de consumo e de pagamento de dívidas.

Preferência por bancos mais defensivos

Diante desse cenário, o Bank of America mantém uma postura defensiva em relação ao setor bancário brasileiro. Para os analistas, a combinação entre juros elevados, endividamento recorde das famílias e aumento gradual da inadimplência exige maior seletividade dos investidores.

A preferência continua recaindo sobre bancos com carteiras mais diversificadas, maior exposição a clientes de renda mais alta e menor sensibilidade ao crédito de consumo.

AutorJuliana Américo
FonteMoney Times
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