Tenda (TEND3) dispara 9% após balanço ‘forte’ e elevação do guidance; veja o que dizem analistas
As ações da construtora Tenda (TEND3) operam em forte alta nesta quarta-feira (5), um dia após a companhia divulgar seus resultados financeiros do segundo trimestre de 2026 (2T26) e elevar suas projeções para este ano. Por volta das 10h40 (de Brasília), os papéis avançavam 8,5% na bolsa de valores, negociados a R$ 34,57, em um […]

As ações da construtora Tenda(TEND3) operam em forte alta nesta quarta-feira (5), um dia após a companhia divulgar seus resultados financeiros do segundo trimestre de 2026 (2T26) e elevar suas projeções para este ano.
Por volta das 10h40 (de Brasília), os papéis avançavam 8,5% na bolsa de valores, negociados a R$ 34,57, em um movimento já esperado por analistas do BTG Pactual.
O 2T26 da Tenda, segundo o BTG
Entre abril e julho, a Tenda reportou lucro líquido consolidado de R$ 179 milhões, queda de 12,2% sobre o mesmo período de 2025, mas acima do esperado pelo mercado.
A construtora apurou um resultado operacional medido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado de R$ 275,2 milhões, 65% maior ao registrado um ano antes.
Analistas esperavam, em média, lucro líquido de R$ 134,5 milhões e Ebitda de R$ 213 milhões, segundo dados da LSEG.
Os lançamentos consolidados da construtora, que tem foco no Minha Casa, Minha Vida (MCMV), somaram R$ 1,77 bilhão no 2T26, o que representou avanço de 59,1% frente ao 2T25. Já as vendas líquidas subiram 17,2%, a R$ 1,4 bilhão.
BTG vê trimestre forte
Na avaliação do BTG, o lucro por ação da companhia ficou cerca de 12% acima das estimativas, impulsionado pela margem bruta de 37%, que subiu cinco pontos percentuais em relação ao segundo trimestre do ano passado.
De acordo com os analistas da instituição, o desempenho refletiu “controle rigoroso de custos e ganhos de eficiência na construção.“
Outro destaque foi a geração de caixa. Isso porque o banco ressaltou que a construtora gerou R$ 78 milhões de fluxo de caixa livre (FCF) no 2T26, favorecida pelo avanço dos repasses de clientes, aumento da produção e ganhos com operações de swap.
Além disso, a dívida líquida encerrou junho em R$ 303 milhões, equivalente a 20% do patrimônio líquido, nível considerado “confortável” pelo BTG.
Guidance conservador
O BTG também chamou atenção para a revisão das projeções da empresa para 2026. Isso porque a Tenda elevou a expectativa de vendas da sua operação principal, voltada à habitação popular, para um intervalo entre R$ 5,5 bilhões e R$ 6 bilhões este ano, ante R$ 5 bilhões a R$ 5,5 bilhões anteriormente.
A estimativa de Ebitda também passou para R$ 1,1 bilhão a R$ 1,2 bilhão, contra R$ 950 milhões a 1,1 bilhão antes.
Já na Alea, marca do grupo voltada para a construção de casas em condomínios fechados por meio de um processo industrializado, a meta de vendas foi mantida entre R$ 350 milhões e R$ 450 milhões para 2026.
Para a subsidiária, a projeção de Ebitda, porém, piorou para um resultado negativo entre R$ 70 milhões e R$ 90 milhões, ante perda estimada entre R$ 50 milhões e R$ 70 milhões.
Mesmo assim, o guidance consolidado de lucro do grupo aumentou para R$ 600 milhões a R$ 660 milhões, contra R$ 520 milhões a R$ 600 milhões anteriormente.
Embora a Alea tenha reduzido sua projeção de Ebitda, o BTG acredita que as estimativas ainda são conservadoras, destacando que a companhia costuma entregar resultados próximos ao teto das próprias expectativas.
Safra destaca margens, mas faz ressalvas
O Safra também classificou o trimestre da construtora como “forte”. Pelos cálculos do banco, o lucro ficou 22% acima das estimativas, refletindo principalmente a melhora das margens da operação voltada ao Minha Casa, Minha Vida.
Na visão dos analistas, o aumento da receita, o ganho de alavancagem operacional e o controle das despesas administrativas também sustentaram o desempenho positivo.
Como ponto de atenção, o Safra observou que a geração recorrente de caixa ficou abaixo do esperado, em R$ 7 milhões, principalmente devido ao pagamento de bônus sazonais aos funcionários.
Apesar disso, ressaltou que a alavancagem continuou melhorando e afirmou que o guidance revisado reforça a visão para a companhia, embora o ponto médio da projeção de lucro ainda permaneça cerca de 4% abaixo de sua estimativa, indicando que a administração continua relativamente conservadora.
O Safra segue com recomendação outperform (equivalente à compra) para TEND3 e preço-alvo de R$ 46.
Citi vê gatilho adicional para os papéis
O Citi também avaliou o resultado de forma positiva, destacando a evolução da rentabilidade da operação principal, a revisão do guidance e um possível gatilho adicional para as ações: a entrada no Ibovespa.
O banco norte-americano apontou que o Ebitda ajustado ficou 16% acima da estimativa, enquanto o lucro líquido superou em 28% as expectativas.
Na avaliação da instituição, a operação principal da Tenda continua elevando seu nível de rentabilidade, mesmo com despesas maiores relacionadas ao pagamento de bônus e à estrutura temporária de dois CEOs.
Sobre a Alea, o Citi reconhece que a subsidiária ainda pesa sobre os resultados, mas afirma que há sinais de estabilização. O banco destacou a melhora da rentabilidade na comparação trimestral, o consumo de caixa sob controle e a decisão de interromper o projeto de Canoas para priorizar a recuperação da operação.
Possível entrada no Ibovespa
Um diferencial do relatório da casa norte-americana é a menção à primeira prévia da nova carteira do Ibovespa. Segundo o Citi, a Tenda apareceu na seleção e, caso sua entrada seja confirmada, poderá se beneficiar de maior demanda por fundos passivos e aumento da liquidez.
O banco manteve recomendação de compra para TEND3 e observou que os papéis negociam a cerca de 4,9 vezes o lucro estimado para 2027, abaixo da média do setor (5,1 vezes).
Confira as recomendações para Tenda:
| Casa de análise | Recomendação | Preço-alvo | Upside |
|---|---|---|---|
| BTG Pactual | Compra | R$ 44,00 | +27,3% |
| Safra | Outperform (compra) | R$ 46,00 | +33,1% |
| Citi | Compra | R$ 44,00 | +27,3% |
