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Sacre Investimentos
EconomiaACS
30/09/2026
4 min

Tenda (TEND3) vai na contramão do Ibovespa e fecha em queda, mas Itaú BBA ainda tem motivos para considerar a ação atrativa

Crédito mais rígido deve elevar cancelamentos e pressionar margens, mas o Itaú BBA vê potencial para a ação mais que dobrar de valor

Tenda (TEND3) vai na contramão do Ibovespa e fecha em queda, mas Itaú BBA ainda tem motivos para considerar a ação atrativa

A Tenda(TEND3) não criou o problema, mas é ela quem paga o pato. A combinação entre critérios mais rígidos para a concessão de financiamentos pela Caixa Econômica Federale a greve dos bancários, encerrada na terça-feira (29), trouxe atritos operacionais à construtora e deve elevar os cancelamentos de vendas no curto prazo.

Essa é a análise do Itaú BBA sobre o desempenho da companhia no terceiro trimestre de 2026. Para o banco, esse cenário reflete a piora das perspectivas para o Minha Casa, Minha Vida (MCMV), uma consequência direta do aperto da concessão de crédito.

Diante desse cenário, o BBA passou a trabalhar com premissas mais conservadoras e reconheceu o risco do lucro da companhia ficar abaixo das estimativas para 2027.

Por outro lado, as dificuldades não afastaram a visão positiva do Itaú BBA. O banco manteve a recomendação outperform (equivalente à compra) para TEND3 e preço-alvo de R$ 58. Considerando o fechamento desta quarta-feira (30), a projeção representa um potencial de valorização de quase 115%.

No pregão, porém, a ação fechou em R$ 27,01, equivalente a uma queda de 1,17%, na contramão da alta de cerca de 2% do Ibovespa.

Greve acaba, mas rigidez no crédito continua

Segundo o Itaú BBA, o gargalo nos financiamentos imobiliários tem duas causas: o endurecimento dos critérios de crédito da Caixa e os efeitos da greve dos bancários.

Mesmo com o fim da paralisação, a Tenda informou que a transferência dos recebíveis para a Caixa ainda ficou mais lenta. A companhia, porém, não prevê impacto relevante sobre o fluxo de caixa livre, já que os recebimentos iniciais ocorrem no cartório.

A causa mais duradoura, porém, está nos critérios de crédito — ainda sem indícios de reversão. Segundo a construtora, a Caixa endureceu a análise especialmente para trabalhadores informais, que antes representavam entre 20% e 30% dos clientes da Tenda e agora respondem por cerca de 10%.

Como resultado de ambas, a Tenda espera que uma parcela maior das vendas registradas seja cancelada no terceiro trimestre, mas não deve implicar impacto sobre os lançamentos do quarto trimestre.

Vendas menos rentáveis

Mesmo com o funil mais restrito, as vendas já mostravam recuperação em setembro. Isso não elimina, porém, o risco da Tenda ganhar proporcionalmente menos em cada novo imóvelvendido.

A pressão vem de outra mudança da Caixa: a redução do pro-soluto após a entrega das chaves. Trata-se da parcela do preço do imóvel que o comprador paga diretamente à construtora, além do financiamento bancário.

Para se adaptar à nova exigência, a Tenda reduziu essa fatia de 10% para 5% no Rio de Janeiro e para 7% nas demais regiões.

Como a companhia encontra dificuldades para aumentar os preços, uma participação maior de famílias da Faixa 3 — com renda mais alta dentro do Minha Casa, Minha Vida — poderia ajudar a preservar as margens.

Em outra frente, a Tenda também recompra unidades retomadas para reduzir pendências relacionadas à inadimplência junto à Caixa.

Por que o Itaú BBA ainda gosta da ação?

Apesar dos riscos, o Itaú BBA avalia que a queda que chegou a 4% TEND3 no pregão de terça-feira (29) tornou o preço da ação mais atraente em relação ao lucro projetado para 2027.

Após o recuo, o papel era negociado entre 3,5 e 4 vezes o lucro ajustado estimado para o próximo ano. Em outras palavras, o mercado estaria pagando entre R$ 3,50 e R$ 4 por cada R$ 1 de lucro projetado para a Tenda em 2027.

Para o banco, esse múltiplo baixo, combinado à possibilidade de recuperação do ambiente operacional, preserva a atratividade da ação.

A avaliação, no entanto, depende da concretização das projeções. Mantida a cotação, um lucro menor que o esperado elevaria o múltiplo e poderia enfraquecer essa percepção.

AutorIsabella Scaramucci
FonteSeu Dinheiro
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