Tensão no Oriente Médio faz petróleo disparar mais de 3%

O petróleo subiu mais de 3% nesta segunda-feira, 13, após novos ataques militares entre Estados Unidos e Irã elevarem o risco sobre o transporte global de energia pelo Estreito de Hormuz.
O Brent avançava US$ 2,67, ou 3,51%, a US$ 78,68 por barril às 7h43 (GMT), enquanto o WTI subia US$ 2,48, ou 3,47%, para US$ 73,89, segundo a Reuters.
A escalada no fim de semana aumentou a percepção de risco no Golfo. O Irã afirmou ter atingido instalações americanas e voltou a declarar o fechamento do estreito, enquanto a Guarda Revolucionária disse ter atacado bases dos EUA no Kuwait e no Bahrein.
"Operadores de transporte adotam uma postura cautelosa e os fluxos de entrada desaceleraram diante do aumento das preocupações de segurança", afirmaram analistas do ANZ, segundo a Reuters.
Antes do conflito, iniciado no fim de fevereiro, o Estreito de Hormuz concentrava cerca de um quinto do transporte diário global de petróleo e gás natural liquefeito.
O tráfego marítimo já mostra impacto. Dados de rastreamento indicam que o fluxo de embarcações caiu ao menor nível em cinco semanas no domingo, com apenas seis navios atravessando a rota, segundo a consultoria Kpler.
Apesar da tensão, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o estreito segue aberto ao tráfego comercial, mesmo após o Irã anunciar restrições depois de um incidente com embarcação.
Oferta ainda abaixo do pré-guerra
A incerteza também afeta o acordo temporário firmado entre os dois países no mês passado,que previa a reabertura da rota e negociações por 60 dias.
A oferta global de petróleo chegou a subir 4,1 milhões de barris por dia em junho após o acordo, mas ainda permanece 9,4 milhões de barris por dia abaixo dos níveis anteriores ao conflito, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE).
No mercado físico, o cenário também mudou. A estatal Abu Dhabi National Oil Company definiu o preço oficial de venda do petróleo Murban para agosto em US$ 80,01 por barril, queda em relação aos US$ 101,48 do mês anterior.
Alternativas ao Hormuz
Bancos e analistas já projetam adaptações estruturais. O Goldman Sachs estima que a expansão de oleodutos no Oriente Médio pode proteger mais de 60% das exportações de petróleo do Golfo contra interrupções no Estreito de Hormuz até 2028.
Segundo o banco, a capacidade alternativa deve crescer em 3,8 milhões de barris por dia até 2027 e atingir aumento acumulado de 7,3 milhões de barris por dia até 2028.
Enquanto isso, estoques de petróleo iraniano em alto-mar aumentam após o país elevar exportações durante a trégua parcial. As vendas, porém, desaceleraram com refinarias independentes da China migrando para petróleo mais barato de Iraque, Emirados Árabes Unidos e Catar.
