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Mundo
10/08/2026
4 min

Terremoto de 7,4 atinge a Colômbia; entenda por que o país é tão propenso a tremores

Entre o choque de três placas tectônicas e o Cinturão de Fogo, país enfrentou o tremor mais forte da última década

Terremoto de 7,4 atinge a Colômbia; entenda por que o país é tão propenso a tremores

Um terremoto de magnitude 7,4 atingiu a Colômbia na manhã desta segunda-feira, 10, deixando pelo menos 111 mortos e dezenas de imóveis destruídos, segundo balanço das autoridades locais. O país está sobre uma das regiões de maior atividade sísmica (tipos, frequências e tamanho dos terremotos registrados ao longo de um período de tempo em uma região) do planeta.

O abalo aconteceu às 7h34 no horário local (9h34 em Brasília). Segundo o Serviço Geológico Colombiano, foi o terremoto mais forte registrado no país na última década.

"Há muitíssimos edifícios com danos estruturais ou em suas fachadas. O trânsito está colapsado, e as pessoas não querem voltar para suas casas por medo de um novo tremor", relatou à AFP o administrador Jaime Zuluaga, de 50 anos.

Seis aeroportos do oeste do país, entre eles os de Pereira e Manizales, suspenderam operações para avaliação de danos, segundo a Aeronáutica Civil colombiana.

Na capital colombiana, Bogotá, prédios foram evacuados e centenas de pessoas, muitas com seus animais de estimação, deixaram suas casas em meio ao som de sirenes. O prefeito Carlos Galán disse à Blu Radio que, até o momento, a cidade registrou apenas rachaduras superficiais em algumas construções.

Vídeo:

Por que a Colômbia está entre as áreas de maior risco de terremotos?

O país está assentado sobre o encontro de três placas tectônicas, uma característica vista em poucos lugares do mundo. A parte continental colombiana repousa sobre a placa Sul-Americana; as ilhas de Gorgona e Malpelo, sobre a placa de Nazca; e San Andrés e Providencia, sobre a placa do Caribe.

O a interação constante entre essas placas e, em certos pontos, o mergulho de uma sob a outra, acumula e libera grandes quantidades de energia. E isso se soma com a proximidade de parte do território colombiano com o Cinturão de Fogo do Pacífico, faixa que concentra boa parte da atividade sísmica e vulcânica do mundo, segundo especialistas ouvidos pelo jornal El País.

Essa combinação, movimentação das placas, presença de falhas geológicas e proximidade com o Cinturão de Fogo, faz de terremotos uma ameaça permanente no país.

John Makario Londoño, doutor em geofísica pela Universidade de Kyoto e diretor técnico de Geoameaças do Serviço Geológico Colombiano, afirmou ao El País que a Colômbia é uma área "sismicamente muito ativa", com registro de pelo menos 2.500 pequenos tremores por mês no território nacional.

O país ainda abriga um chamado "ninho sísmico" em Santander, região onde terremotos ocorrem com frequência. Esse conjunto de fatores mantém o território colombiano permanentemente exposto ao risco de abalos de grande magnitude.

Comunicações interrompidas e cidades em pânico

Os departamentos mais atingidos enfrentam falhas de comunicação. "Não há eletricidade nem sinal de celular, foi muito forte, fortíssimo, coisas da casa caíram... os animais ficaram muito assustados", contou à AFP Martha Estrada, de 66 anos, moradora da região cafeeira.

Em Cali, ao menos 20 estruturas foram destruídas, com pessoas ainda presas em seu interior, segundo autoridades locais. Em um parque lotado de moradores evacuados, Ana Milena Grijalba descrevia o momento do tremor: "Todos começamos a rezar... outros chorávamos, mas graças a Deus estamos bem".

A governadora de Chocó, Nubia Carolina Córdoba, relatou feridos e danos graves em edificações na região. Um vídeo obtido pela AFP mostra um prédio que desabou em Quibdó, capital do departamento.

O terremoto também impactou o futebol colombiano. As partidas restantes da quarta rodada do campeonato nacional foram adiadas.

O abalo foi sentido em países vizinhos, incluindo Quito, no Equador, além de províncias do Panamá e regiões da Venezuela, país que, em 24 de junho, havia sido atingido por um terremoto duplo de magnitude 7,2 e 7,5 que deixou mais de 6 mil mortos. 

(Com informações da AFP)

AutorNaty Falla
FonteExame
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