Terremoto de 7,4 na Colômbia deixa 281 mortos; buscas continuam
Buscas entram em fase crítica após 72 horas do terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o oeste do país

As autoridades colombianas intensificaram nesta sexta-feira, 14, as buscas por 379 pessoas desaparecidas após o terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o oeste do país na segunda-feira.
Com o fim das primeiras 72 horas, consideradas críticas para o resgate, as chances de encontrar sobreviventes diminuíram.
O número de mortos subiu para 281, enquanto 3.971 pessoas ficaram feridas, segundo o presidente Abelardo de la Espriella. Mais de 10 mil moradias foram destruídas, deixando famílias desabrigadas em cidades como Cali e Pereira.
Em algumas áreas, máquinas pesadas já começaram a remover os escombros onde as equipes não identificam mais possibilidade de sobreviventes. Ainda assim, socorristas e voluntários continuam as buscas, inclusive com as próprias mãos.
David Tamayo, diretor da Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres (UNGRD), afirmou que a probabilidade de encontrar sobreviventes está diminuindo, mas que as equipes continuarão trabalhando até localizar as pessoas desaparecidas.
Famílias enfrentam perdas e falta de moradia
Em Cali, uma das cidades mais atingidas, ruas e parques foram transformados em acampamentos improvisados. Moradores retiram de imóveis danificados roupas e outros pertences que conseguiram preservar.
O terremoto também provocou danos em cemitérios e deixou milhares de pessoas sem casa. Os tremores secundários e os riscos de novos desabamentos dificultam o trabalho das equipes de emergência.
Voluntários de diferentes regiões também chegaram às áreas atingidas com água, alimentos e medicamentos. Equipes de resgate conseguiram ainda localizar animais de estimação entre os escombros, em reencontros que renovaram a esperança das famílias.
Governo anuncia medidas para reconstrução
De la Espriella, que assumiu a Presidência apenas três dias antes do terremoto, decretou emergência econômica, medida que permite ao governo alterar o orçamento e criar impostos para enfrentar a crise.
O presidente também anunciou um fundo para concentrar recursos nacionais e internacionais destinados às vítimas e à reconstrução das áreas afetadas. Segundo ele, o setor privado terá participação central na recuperação de imóveis e da infraestrutura destruída.
O epicentro do terremoto foi registrado próximo a San José del Palmar, no departamento de Chocó, uma das regiões mais pobres da Colômbia. A fase de busca e resgate já foi encerrada no local, mas as autoridades ainda precisam ampliar o envio de alimentos, medicamentos e outros itens básicos.
Governo é criticado por gestão da ajuda internacional
A resposta do governo também gerou críticas pela forma como Bogotá recebeu ofertas de ajuda estrangeira. Até agora, a Colômbia autorizou a atuação de equipes de resgate dos Estados Unidos, Israel, Equador e El Salvador.
O chanceler colombiano, Omar Bula, negou que a seleção tenha sido baseada em critérios políticos ou ideológicos. Segundo ele, os países escolhidos possuem equipes de busca e resgate com experiência e certificações consideradas adequadas.
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou que a Colômbia não autorizou o envio de equipes militares mexicanas por uma questão de certificação. Segundo ela, os socorristas mexicanos já possuem certificação, mas Bogotá teria solicitado uma documentação diferente.
*Com AFP e EFE
