Terremotos na Venezuela: governo confirma 2,6 mil mortos e 12 mil feridos

Segundo os dados oficiais, 885 edifícios foram afetados pelos terremotos, dos quais 189 sofreram colapso total. O governo informou ainda que 6.462 pessoas foram resgatadas com vida desde o início das operações de busca.
As autoridades venezuelanas não divulgaram um número oficial de desaparecidos. AsNações Unidas, porém, estimam que até 50 mil pessoas ainda possam estar nessa condição.
Resposta do governo continua sob pressão
A condução da crise pela presidente interina Delcy Rodríguez continua sendo alvo de críticas de grupos de oposição, voluntários e moradores das áreas atingidas. O governo rejeita as acusações e afirma que mobilizou equipes de resgate imediatamente após os terremotos.
Na quinta-feira, 2, Rodríguez negou rumores de que vítimas estariam sendo enterradas em valas comuns sem identificação. Segundo ela, todos os corpos passam por procedimentos de identificação, incluindo análise de impressões digitais, fotografias e, quando necessário, exames odontolegais.
A presidente interina também atribuiu parte das críticas à disseminação de informações falsas sobre a atuação das autoridades e afirmou que a militarização de La Guaira, região mais atingida pelos tremores, teve como objetivo garantir a organização dos trabalhos de resgate e combater a desinformação.
A presença das Forças Armadas, no entanto, foi questionada por equipes de voluntários e socorristas, que relataram dificuldades para acessar algumas áreas afetadas durante os primeiros dias da operação, de acordo com a Bloomberg.
Pesquisa mostra desgaste político após a tragédia
Os terremotos também ampliaram a pressão política sobre o governo interino. Levantamento da AtlasIntel realizado para a Bloomberg entre 26 e 30 de junho aponta que a taxa de desaprovação de Delcy Rodríguez subiu para 63,3% após o desastre.
Segundo a pesquisa, cerca de dois terços dos entrevistados desaprovam a resposta do governo à crise, enquanto 52,4% classificaram a atuação oficial como "muito ruim". Além disso, 45,7% dos venezuelanos afirmaram considerar mais urgente a realização de novas eleições do que a reconstrução das áreas atingidas.
Apesar das críticas internas, autoridades dos Estados Unidos manifestaram apoio à atuação do governo interino. Segundo o encarregado de negócios americano na Venezuela, John Barrett, a cooperação entre os dois países foi reforçada após os terremotos e há compromisso das autoridades venezuelanas em dar continuidade às ações de assistência às vítimas.
Com AFP
