Terreno há décadas intocado é comprado por R$ 500 milhões para projeto bilionário em SC
Área na Praia Brava Norte será ocupada por empreendimento com arquitetura de Norman Foster e operação Emiliano

Durante décadas, uma área de 64 mil metros quadrados nolitoral de Santa Catarina permaneceu praticamente intocada. Localizado no Canto do Morcego, na Praia Brava, em Itajaí, o terreno atravessou anos de incerteza jurídica e restrições ambientais até se transformar na base de uma das maiores apostas imobiliárias de ultra luxo do estado.
Segundo a incorporadora, o ativo valia cerca de R$ 500 milhões caso fosse adquirido integralmente em dinheiro em 2021. Agora, o terreno sustenta um empreendimento com Valor Geral de Vendas (VGV) estimado em R$ 2,5 bilhões.
O projeto Tempo, da Müze, nasce com a proposta de criar uma alternativa ao modelo que tornou Balneário Camboriúconhecido nacionalmente. Em vez de edifícios cada vez mais altos, a aposta é em um empreendimento de baixa densidade, integrado à natureza e com foco em arquitetura, serviços e experiência.
A estratégia da Müze acontece em uma região que deixou de ser vista apenas como vizinha de Balneário Camboriú. Itajaí se consolidou como um dos principais polos econômicos do país, sendo atualmente a oitava maior economia brasileira e a cidade com maior arrecadação de Santa Catarina, segundo dados citados pela incorporadora.
Esse perfil econômico altera a tese do empreendimento. O Tempo não mira apenas compradores de segunda residência ou turistas, mas também empresários e profissionais ligados ao polo de negócios da região.
“Itajaí hoje virou uma potência realmente para o estado”, afirma Arthur Neto, diretor da Müze.
O projeto do Hotel Emiliano também foi pensado para atender essa demanda. A unidade terá 47 suítes, todas com vista para o mar, com área média de 60 metros quadrados, funcionando como uma extensão do ecossistema de serviços do empreendimento.
A aquisição do terreno foi resultado de uma negociação iniciada em 2021 e envolveu a unificação de áreas pertencentes a três grandes proprietários. No passado, os espaços abrigavam dois beach clubs, mas permaneceram sem exploração imobiliária relevante durante anos devido às restrições ambientais e à insegurança sobre os limites de ocupação.
A Müze chegou às áreas por meio de negociações de permuta, modelo em que os proprietários recebem parte do valor do negócio em unidades do próprio empreendimento e parte em recursos financeiros. A união dos terrenos criou a escala considerada necessária para desenvolver um projeto de ultra luxo com maior complexidade arquitetônica e de serviços.
Os antigos proprietários são descritos pela incorporadora como “guardiões” da área, por terem evitado uma ocupação considerada predatória ao longo dos anos.
Diferente de Balneário Camboriú
O posicionamento da Praia Brava Norte busca justamente se diferenciar do mercado consolidado de Balneário Camboriú. Enquanto a cidade vizinha ficou marcada pela verticalização intensa e pelos edifícios mais altos da América Latina, a proposta do Tempo é trabalhar com construções menores e maior integração ambiental.
O empreendimento terá oito torres de oito pavimentos, distribuídas pelo terreno de forma a preservar a paisagem.
“A Brava ficou preservada ali entre esses dois grandes centros, Itajaí e Balneário. Ela traz um diferencial que o produto da área central de Balneário Camboriú não consegue mais oferecer, que é essa conexão com a natureza e essa preservação”, afirma a incorporadora.
O terreno está inserido em uma Área de Proteção Ambiental (APA), que estabeleceu parâmetros sobre o que poderia ser construído na região. Com isso, apesar dos 64 mil metros quadrados de área total, apenas 36% da propriedade será ocupada, pouco mais de 25 mil metros quadrados. O restante permanecerá como área preservada.
A tese do Tempo está baseada em um tripé formado por localização, arquitetura e serviços.
A assinatura da Foster + Partners busca posicionar o empreendimento em um patamar internacional, enquanto o Hotel Emiliano adiciona uma camada de hospitalidade ao projeto residencial.
Na parte residencial, serão 83 unidades, com plantas que variam de 390 metros quadrados a 800 metros quadrados privativos.
As primeiras torres terão unidades maiores, chamadas pela incorporadora de “mansões suspensas”, enquanto os demais apartamentos seguirão uma proposta de plantas amplas e baixa densidade.
Além das residências e do hotel, o projeto inclui um anfiteatro integrado ao masterplan, pensado para receber exposições, apresentações e ativações culturais.
A proposta é transformar o empreendimento em um ponto de convivência da Praia Brava, e não apenas em um condomínio residencial.
