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Sacre Investimentos
InvestMercadosBDR
21/10/2026
5 min

Tesla, de Elon Musk, divulga balanço do 3º tri: o que o investidor vai monitorar?

Mercado espera lucro menor, caixa no vermelho e margem dos carros será grande teste

Tesla, de Elon Musk, divulga balanço do 3º tri: o que o investidor vai monitorar?
  • A Tesla divulga o balanço do 3º trimestre nesta quarta-feira, 21, após o fechamento, com teleconferência às 18h30 de Brasília
  • Analistas esperam receita estável, perto de US$ 28 bilhões, e lucro por ação de US$ 0,45, 10% menor que há um ano
  • O consenso projeta queima de caixa de US$ 4,5 bilhões no trimestre, puxada pelos investimentos em IA e robótica
  • Na véspera, Musk confirmou que Tesla e SpaceX criaram comitês para estudar uma fusão, mas disse que tratar o negócio como certo é exagero

Na véspera do balanço da Tesla, Elon Musk confirmou que está em estudo uma fusão que criaria uma empresa de cerca de US$ 3,5 trilhões. Na teleconferência de resultados da SpaceX, na noite de terça-feira, 20, ele contou que as duas companhias formaram comitês especiais de conselheiros independentes para avaliar a combinação. O anúncio joga ainda mais holofote sobre os números que a montadora divulga nesta quarta-feira, 21, após o fechamento do mercado americano, com teleconferência marcada para as 18h30 de Brasília.

O mercado não está muito otimista e espera um trimestre de vendas paradas, lucro menor e caixa no vermelho.

O que o mercado espera para o balanço da Tesla

As projeções compiladas pela FactSet apontam receita de cerca de US$ 28 bilhões, praticamente igual à do mesmo período de 2025, e lucro ajustado de US$ 0,45 por ação, contra US$ 0,50 um ano antes.

Parte dos números operacionais já é conhecida. A Tesla entregou 486.532 veículos no trimestre, acima dos 461.974 projetados por 24 instituições financeiras em consenso divulgado pela própria empresa, mas cerca de 2% abaixo do 3º trimestre de 2025.

Na divisão de energia, que vende baterias gigantes para armazenar eletricidade, usadas por distribuidoras, parques solares e data centers, a empresa instalou 13,7 GWh, abaixo dos 15,9 GWh esperados.

Margem e caixa são o teste

O número mais vigiado será a margem bruta dos carros sem os créditos regulatórios, que mostra quanto a Tesla lucra de fato com cada veículo vendido. No 2º trimestre, ela ficou em 16,3%. Segundo a TradingKey, site de análise de mercado, a expectativa é de uma recuperação para perto de 17%. Se o volume de entregas acima do previsto tiver vindo à custa de descontos, a surpresa positiva perde valor.

A pressão também vem das despesas. No 2º trimestre, os gastos com pesquisa e desenvolvimento e com despesas administrativas e de vendas somaram US$ 4,35 bilhões, alta de 47% em um ano, e a margem operacional encolheu para 1,4%.

O caixa é o outro ponto sensível. A Tesla prevê investir mais de US$ 25 bilhões em 2026, em robotáxis, robôs humanoides, capacidade de computação para IA e na Terafab, fábrica de chips desenvolvida com a SpaceX. Para o 3º trimestre, o consenso compilado pela área de relações com investidores da Tesla aponta investimentos de US$ 7,8 bilhões e fluxo de caixa livre de US$ 4,5 bilhões negativos (ou seja, a empresa deve gastar US$ 4,5 bilhões a mais do que gerou com suas operações no período). No trimestre anterior, o saldo negativo foi de US$ 1,1 bilhão.

Na teleconferência, os investidores vão estar atento a detalhes da produção do Cybercab, o carro autônomo sem volante, do prazo para a direção autônoma sem supervisão e do custo do robô Optimus.

Segundo a TipRanks, plataforma que reúne recomendações e preços-alvo de analistas, 14 das 27 casas que acompanham a ação recomendam compra, 11 sugerem manter e 2 indicam venda. O preço-alvo médio é de US$ 402,47. Ontem, o papel fechou a US$ 373,71 e acumula uma queda de 14,7% no ano.

Fusão com SpaceX não é certeza, diz Musk

Musk foi cauteloso ao tratar do tema. "Sinto que estou sapateando num campo minado, então preciso pensar bem no que digo", afirmou. Ele contou que os comitês foram criados a pedido dos acionistas e ainda não chegaram a um acordo sobre os termos de qualquer transação. "Algumas pessoas assumem que a fusão entre SpaceX e Tesla é uma certeza, e acho que isso seria exagero."

Questionado se acha a ideia boa, foi direto. "Sim." Ele citou a colaboração em software de IA, desenho de chips, robótica, Starlink e a Terafab como justificativas.

Por ser parte conflitada, Musk não participa das negociações, que descreveu como "uma estranha dança kabuki, em que dois grupos de pessoas conversam e eu não posso estar na conversa". Ele lembrou ainda que o negócio precisaria do apoio da maioria de todas as ações da Tesla em circulação, e não apenas das que forem votadas, o que chamou de "uma barreira bem alta".

Musk tem cerca de 20% da Tesla e 45% da SpaceX, e ficaria com aproximadamente um terço da empresa combinada. Pelos preços de fechamento de terça, a SpaceX vale cerca de US$ 2 trilhões e a Tesla, quase US$ 1,5 trilhão. Não há preço definido para a operação, e a proposta para a assembleia anual da Tesla, marcada para 3 de dezembro, não inclui a fusão.

Mesmo assim, o Barclays já vê espaço para um anúncio antes da assembleia. Em relatório de 14 de outubro, o analista Dan Levy estimou uma troca de cerca de 0,7 ação da SpaceX para cada ação da Tesla. Depois das falas de Musk, a ação da Tesla subiu entre 1% e 2% no after-market.

A ideia de juntar as empresas não é nova. Em fevereiro, a SpaceX incorporou a xAI, de inteligência artificial, movimento que tirou a Tesla do centro do império de Musk. Desde então, analistas avaliam as chances de uma fusão, e o tema já havia dominado a reação ao balanço do 1º trimestre.

AutorMitchel Diniz
FonteExame
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