Tesla frustra projeção de lucro e margem cai, apesar de entregas recordes

A Tesla divulgou nesta quarta-feira, 22, os resultados do segundo trimestre de 2026, com receita acima das projeções de mercado, mas com lucro e margens abaixo do esperado. A montadora de Elon Musk registrou queda expressiva na rentabilidade justamente no trimestre em que bateu recorde de entregas.
A receita total somou US$ 28,24 bilhões, alta de 26% na comparação anual. O número superou o consenso compilado pela própria companhia junto a 23 bancos, de US$ 27,58 bilhões, e também o da FactSet, de US$ 27,4 bilhões.
Já o lucro por ação ajustado, que exclui itens considerados não recorrentes, como remuneração em ações e ganhos com investimentos, ficou em US$ 0,33, ante projeção de US$ 0,55. Na comparação anual, houve queda de 18%.
O lucro líquido ajustado somou US$ 1,153 bilhão, abaixo da faixa projetada de US$ 1,27 bilhão a US$ 1,3 bilhão e 17% menor que um ano antes.
Pelo padrão contábil oficial americano (GAAP), que inclui todos os efeitos do período, o lucro líquido atribuível aos acionistas foi de US$ 1,114 bilhão, queda de 5%, com lucro por ação de US$ 0,32.
Margem automotiva cai e lucro operacional despenca 57%
OA margem bruta automotiva excluindo créditos regulatórios ficou em 16,3%, contra 19,2% no primeiro trimestre e abaixo da projeção de mercado de 18,1%. No balanço do trimestre anterior, a recuperação dessa margem havia sido justamente o principal fator de alívio para o mercado.
O lucro operacional caiu 57%, para US$ 398 milhões, com margem operacional de apenas 1,4%, ante 4,1% um ano antes. O EBITDA ajustado recuou 4%, para US$ 3,27 bilhões, com margem de 11,6%.
Nas explicações da companhia, a queda no lucro operacional foi puxada pelo aumento de despesas com projetos de inteligência artificial e P&D (pesquisa e desenvolvimento), remuneração em ações, menor receita com créditos regulatórios, a queda no preço médio de venda dos veículos e por um encargo de garantia no negócio de energia ligado a um problema com células de um fornecedor.
A receita com créditos regulatórios desabou para US$ 146 milhões, ante US$ 439 milhões um ano antes.
Entregas recordes e salto de 50% em serviços
Do lado operacional, os números confirmaram a força já antecipada. A montadora entregou 480.126 veículos, alta de 25%, com produção de 451.758 unidades. O armazenamento de energia somou 13,5 GWh implantados, avanço de 41%.
O destaque foi a divisão de serviços, com receita de US$ 4,58 bilhões, salto de 50%. Segundo a companhia, o lucro bruto do segmento cresceu US$ 302 milhões na comparação trimestral e atingiu o recorde de US$ 648 milhões, com margem de 14%.
As assinaturas ativas do FSD (sistema de direção autônoma) chegaram a 1,48 milhão, alta de 56%. A Tesla afirma que mais de 55% das novas entregas na América do Norte incluíram assinatura do sistema de direção autônoma supervisionada.
Capex dispara 142% e fluxo de caixa fica negativo
O investimento somou US$ 5,79 bilhões no trimestre, alta de 142% na comparação anual. O aumento do plano de investimentos já havia pressionado a ação em trimestres anteriores.
O fluxo de caixa livre, medida non-GAAP definida como caixa operacional menos investimentos, ficou negativo em US$ 1,09 bilhão, contra US$ 146 milhões positivos um ano antes.
O caixa e as aplicações de curto prazo encerraram o período em US$ 43,5 bilhões, redução de US$ 1,2 bilhão no trimestre. A companhia atribui a queda ao fluxo de caixa negativo, puxado por um aumento sequencial de US$ 3,3 bilhões no capex. O caixa gerado pelas operações, por outro lado, subiu 85%, para US$ 4,7 bilhões.
Robotáxi chega a sete regiões metropolitanas
A Tesla informou que o serviço de robotáxi opera agora em sete grandes regiões metropolitanas americanas. No trimestre, a companhia ampliou a área de operação sem supervisão em Austin e, em julho, lançou corridas sem supervisão em Miami, Orlando e Tampa. Dallas e Houston também aparecem como operações em expansão sem supervisão, enquanto Phoenix e Las Vegas estão em preparação.
A produção do Cybercab começou na Gigafactory Texas, com capacidade instalada informada de mais de 125 mil unidades por ano. Em julho, a empresa passou a oferecer corridas para funcionários no campus da fábrica.
Sobre o Optimus, a companhia desativou as linhas dos Model S e X na fábrica de Fremont e está instalando as primeiras linhas de produção do robô humanoide, tema que Musk vem tratando como prioridade estratégica.
O tom da administração
No comunicado que acompanha o balanço, a Tesla afirmou que o segundo trimestre foi forte para os negócios de veículos, energia e serviços, e que o foco segue em fortalecer essas operações. A empresa destacou ter superado, pela primeira vez, a marca de US$ 100 bilhões em receita acumulada em doze meses.
Sobre o momento de investimento, a companhia escreveu: "A Tesla está em seu maior e mais empolgante período de investimento." E completou, sobre o ritmo de expansão: "A escalada será não linear, e estamos focados na criação de valor no longo prazo."
As ações da Tesla caíam mais de 2% após a divulgação do resultado, nos negócios do after hours.
