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Sacre Investimentos
Economia
27/10/2026
3 min

Tesouro cancela todos os leilões da semana; Durigan vê ajuste de posições e fala em nova intervenção

O Tesouro Nacional cancelou o leilão de Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), títulos públicos atrelados à taxa Selic, previsto para esta terça-feira (27). A decisão ocorre um dia após o órgão suspender as ofertas de papéis prefixados e indexados à inflação, em meio à forte turbulência do mercado financeiro após a reeleição do presidente Luiz […]

Tesouro cancela todos os leilões da semana; Durigan vê ajuste de posições e fala em nova intervenção

O Tesouro Nacional cancelou o leilão de Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), títulos públicos atrelados à taxa Selic, previsto para esta terça-feira (27). A decisão ocorre um dia após o órgão suspender as ofertas de papéis prefixados e indexados à inflação, em meio à forte turbulência do mercado financeiro após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Apesar dos cancelamentos, o governo pode realizar uma nova operação de recompra de títulos públicos ainda nesta terça-feira, segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan.

“Hoje a gente pode, sim, ter nova recompra de títulos do Tesouro. Eu falei com o secretário do Tesouro hoje de manhã e disse para ele que eu autorizo na medida em que estejam colocadas as condições e as necessidades de fazer a intervenção”, afirmou o ministro.

Na segunda-feira (26), o Tesouro já havia realizado uma operação de recompra de títulos públicos de cerca de R$ 10 bilhões, segundo Durigan. A medida buscou oferecer liquidez e ajudar a restabelecer condições mais ordenadas de negociação em um momento de forte oscilação dos preços dos ativos.

Na prática, enquanto os leilões tradicionais servem para o governo captar recursos com a emissão de novos títulos, as recompras permitem ao Tesouro adquirir papéis que já estão nas mãos dos investidores, oferecendo uma alternativa de venda em momentos de maior turbulência.

Durigan diz que reação do mercado não foi por fundamentos

O ministro da Fazenda atribuiu a forte reação negativa dos mercados na segunda-feira à necessidade de investidores ajustarem suas posições após o resultado das eleições presidenciais.

“A reação de ontem é uma reação mais de posição, dados os últimos dias das posições que o mercado adotou. A gente estava acompanhando muito de perto e não é de fundamento a reação de ontem, de posição, tanto que o dia de hoje está muito mais calmo do que o dia de ontem”, disse.

Segundo Durigan, o Tesouro Nacional e o Banco Central acompanharam a movimentação dos mercados desde as primeiras horas do pregão, buscando assegurar condições adequadas de negociação.

O ministro ressaltou que o objetivo do governo não é determinar um preço para o dólar ou um nível para o Ibovespa, mas evitar movimentos desordenados que comprometam o funcionamento do mercado financeiro.

“É natural que uma troca de posição cause esse desarranjo no mercado. Todo nosso diálogo ontem foi técnico, inclusive a interlocução com o mercado, para estabelecer parâmetros de racionalidade. Tanto que ficou num patamar mais alto, por exemplo, o câmbio. Mas já dentro de uma racionalidade de mercado”, acrescentou.

Os cancelamentos dos leilões e a possibilidade de novas recompras ocorrem em um cenário de maior aversão ao risco, no qual investidores podem exigir juros mais elevados para financiar o governo.

Ao suspender temporariamente as emissões, o Tesouro evita realizar novas captações nas condições de mercado desses dias. Já as recompras podem contribuir para melhorar a liquidez e reduzir dificuldades de negociação dos títulos públicos.

*Com informações do Estadão Conteúdo

AutorJuliana Caveiro
FonteMoney Times
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