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Bolsa e dólarACS
30/09/2026
7 min

Tesouro Direto dispara em setembro com retorno de mais de 5% — mas outro investimento toma a dianteira e fica no topo do ranking

Expectativa de cortes nos juros e eleições acirradas abrem espaço para um rali nos títulos públicos e nas ações brasileiras

Tesouro Direto dispara em setembro com retorno de mais de 5% — mas outro investimento toma a dianteira e fica no topo do ranking

Por muito pouco os títulos públicos do Tesouro Direto não ficaram no topo do ranking de investimentos de setembro. Os preços da renda fixa da União passaram pelo maior rali do ano ao longo deste mês, com o Tesouro IPCA+ 2050 entregando uma valorização de 5,6%.

Até então, o máximo de valorização que os papéis do Tesouro Direto tinham registrado neste ano não chegava a 4% em um único mês, segundo as compilações feitas pelo Seu Dinheiro.

Um conjunto de boas notícias impulsionou os títulos públicos em setembro. A começar pela expectativa de continuidade dos cortes de juros pelo Banco Central.

Neste mês, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic em mais 0,25 ponto percentual. Com isso, os juros caíram para 13,75% ao ano. Mas não deve parar por aí.

A maior parte dos participantes de mercado acreditam que o BC continuará reduzindo os juros em pelo menos mais 0,25 p.p.. Essa já era a expectativa antes do corte deste mês e ganhou mais adeptos quando o relatório Focus do BC mostrou uma convergência do mercado ao diminuir a meta terminal deste ano de 13,75% para 13,50%.

Além disso, os agentes financeiros estão otimistas em relação a uma alternância de poder como resultado das eleições presidenciais. Ao longo do mês, uma série de pesquisas de intenção de voto mostrou que a disputa será muito acirrada. Em alguns momentos, o candidato da oposição, Flávio Bolsonaro (PL), aparece à frente do candidato à reeleição, o presidente Lula (PT).

Reflexo nas taxas do Tesouro Direto

Como a alternância de poder significa uma maior chance de o próximo governo promover um ajuste fiscal mais alinhado com as expectativas do mercado, alguma dose desse otimismo já aparece nas expectativas de juros futuros.

Os agentes financeiros começaram a precificar taxas menores nos vencimentos futuros da curva. São essas taxas que servem de referência para as negociações dos títulos públicos. Logo, os papéis do Tesouro Direto passaram a oferecer juros menores ao longo de todo o mês.

Os títulos indexados à inflação de vencimento mais longo estão próximos da taxa de 7% de juro real. Em pouco tempo, podem perder esse patamar que se sustentou por tantos meses.

Acontece que os títulos públicos têm correlação negativa entre preço e taxa. Quando as taxas caem, os preços sobem para equilibrar o retorno oferecido no papel para aquela data específica. E é essa valorização que o ranking do Seu Dinheiro capta.

Os vencimentos mais longos foram os que mais se valorizaram. O Tesouro IPCA+ 2050 avançou 5,57%, enquanto o vencimento de 2060 com juros semestrais se valorizou 3,60%. Na sequência aparece o IPCA+ 2045 com juros subindo 3,42%.

No acumulado do ano, alguns títulos se aproximam do desempenho do Tesouro Selic 2031, que acompanha a rentabilidade dos juros. O vencimento de 2060 é o que chega mais perto até setembro, com valorização de 9,65% contra 10,69% do Tesouro Selic.

  • Vale lembrar que todas essas oscilações acontecem na marcação de preço e taxa dos títulos do Tesouro Direto. Para o investidor que levar os papéis até o vencimento, a taxa contratada na compra será paga integralmente.

O topo é do Bitcoin – de novo

Depois de ficar no topo do ranking em agosto, com alta de 25%, o Bitcoin (BTC) registra sua dobradinha em setembro, mas com um avanço mais humilde: de 7%. A principal criptomoeda do mundo encerrou o mês com um preço próximo dos US$ 84 mil, cerca de R$ 433 mil.

O maior impulso para essa alta veio da retomada do fluxo institucional nos ETFs à vista de Bitcoin nos Estados Unidos, que captaram US$ 2,39 bilhões apenas na semana encerrada em 25 de setembro.

Do lado macroeconômico, a sustentação veio de indicadores de atividade econômica e inflação nos Estados Unidos, que trouxeram alívio aos mercados de risco global.

Dados de setembro mostraram um cenário de atividade resiliente combinada com uma inflação sob controle, o que diminuiu os temores de um aperto monetário mais agressivo por parte do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), gerando um fluxo de liquidez em favor da criptomoeda.

O JP Morgan estima que o Bitcoin possa alcançar entre US$ 120 mil e US$ 170 mil ao final de 2026 caso continue atraindo capital institucional na mesma proporção que o ouro, enquanto casas como a Bernstein projetam o ativo em US$ 150 mil impulsionado pelo fluxo constante dos ETFs.

Confira o ranking de investimentos de setembro  

Investimento  Rentabilidade no mês  Rentabilidade no ano 
Bitcoin  7,36%  -10,59% 
Tesouro IPCA+ 2050  5,57%  8,55% 
Ibovespa  5,03%  15,65% 
Tesouro IPCA+ c/ JS 2060  3,60%  9,65% 
Tesouro IPCA+ c/ JS 2045  3,42%  8,72% 
Tesouro IPCA+ 2040  3,28%  7,46% 
Tesouro Prefixado c/ JS 2037***  3,17%  -  
Tesouro Prefixado 2032  2,77%  8,25% 
Tesouro IPCA+ 2032***  2,76%  -  
Tesouro IPCA+ c/ JS 2037***  2,10%  -  
Tesouro Prefixado 2029  1,66%  8,52% 
Tesouro Selic 2031  1,05%  10,69% 
CDI*  1,03%  10,46% 
IDA - Geral*  0,92%  7,91% 
Poupança**  0,65%  6,15% 
Dólar PTAX  0,00%  -5,83% 
Dólar à vista  -0,10%  -5,72% 
IFIX  -0,20%  -0,53% 
Ouro (GOLD11)  -7,09%  -10,05% 
(*) Até dia 29/09.   
(**) Poupança com aniversário no dia 28.  
(***) Títulos públicos começaram a negociar em fevereiro de 2026 e não tem histórico de um ano.   
Todos os desempenhos estão cotados em real. A rentabilidade dos títulos públicos considera o preço de compra na manhã da data inicial e o preço de venda na manhã da data final, conforme cálculo do Tesouro Direto.   
Fontes: Banco Central, Anbima, Tesouro Direto, Broadcast e Coinbase Inc.. 

O Ibovespa e o dólar em setembro

O Ibovespa ensaiou ficar no segundo lugar, mas perdeu força no pregão desta quarta-feira (30) e acabou em terceiro, atrás do papel do Tesouro Direto. O principal índice de ações da B3 acumulou uma valorização de 5% em setembro, fechando aos 186,7 mil pontos.

No ano, as ações brasileiras seguem com um saldo muito positivo de 15,6% de valorização — acima de qualquer outro ativo acompanhado pelo Seu Dinheiro.

Assim como aconteceu no primeiro semestre, o impulso para o Ibovespa em setembro veio dos investidores estrangeiros, que aportaram quase R$ 9 bilhões na B3 até a reta final do mês, blindando o índice de solavancos externos. Questões como alta dos juros nos Estados Unidos, atratividade dos Treasurys e preço do petróleo fizeram pouco preço na bolsa.

Internamente, a decisão de corte dos juros pelo Copom e as expectativas em relação às eleições também ajudaram a dar fôlego às ações.

Do lado do câmbio, a alta na taxa dos juros nos EUA acabou por travar a moeda norte-americana, fazendo com que o dólar andasse de lado no mês ao invés de cair com a entrada de capital estrangeiro.

O dólar à vista fechou o mês negociado a R$ 5,17, acumulando uma ligeira queda de 0,10%. No ano, o saldo é positivo para o real, com a moeda norte-americana caindo 5,7%.

Maiores altas do Ibovespa em setembro  

Ticker    Empresa   Retorno no mês   Retorno no ano  
MGLU3  Magazine Luiza  55,09%  -15,80% 
VAMO3  Vamos  43,81%  33,54% 
ASAI3  Assaí  29,50%  51,81% 
YDUQ3  Yduqs  27,61%  -8,46% 
CEAB3  C&A   20,55%  -21,39% 
Fonte: Broadcast 

Maiores quedas do Ibovespa em setembro

Ticker    Empresa   Retorno no mês   Retorno no ano  
NATU3  Natura   -22,77%  -9,40% 
TEND3  Tenda  -18,40%  12,07% 
CMIN3  CSN Mineração  -15,37%  -4,02% 
CURY3  Cury  -14,91%  -8,39% 
VALE3  Vale   -10,20%  -0,51% 
Fonte: Broadcast 
AutorMonique Lima
FonteSeu Dinheiro
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