Tesouro Direto e CDBs ficaram para trás: ‘ETFs são a melhor forma de investir em renda fixa’, defende sócio da Galapagos
Bruno Stein, da Galapagos, diz qual é o gatilho que pode fazer a indústria de ETFs chegar ao valor de R$ 1 trilhão até 2028

É de conhecimento geral que o Brasil é o país da renda fixa. Com taxa Selic historicamente elevada e a predominância de investidores com perfil conservador, essa é a classe que domina o mercado financeiro. Para além dos ativos tradicionais, de um ano para cá, cresceu expressivamente o volume investido em uma forma alternativa de alocar na renda fixa: os ETFs (Exchange Traded Funds, na sigla em inglês).
Entre 2025 e 2026, o patrimônio líquido dos fundos de índice de renda fixa cresceu 300%, segundo dados divulgados pela B3. Atualmente, existem 71 ETFs da classe com diferentes estratégias: exposição em Tesouro Selic, Tesouro IPCA+, debêntures e outros ativos de crédito privado, por exemplo.
E esse crescimento dos valores investidos em ETFs de renda fixa não é à toa, segundo Bruno Stein, sócio e responsável pela área de fundos de índice da gestora Galapagos.
“Os ETFs de renda fixa viraram a melhor forma de alocar dinheiro na classe no Brasil”, defendeu Stein durante painel do ETF Day, realizado pela B3 no evento B3 Week 2026, nesta quarta-feira (16).
Ele se refere especificamente à renda fixa que possui cobrança de Imposto de Renda.
Devido às regras tributárias dos ETFs e dos investimentos tradicionais de renda fixa, investir na classe por meio dos fundos de índice acaba sendo mais barato.
Isso porque os ETFs não têm IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), como outras aplicações de renda fixa, nem come-cotas, cobrança de IR semestral feita nos fundos de investimento tradicionais.
Enquanto o investimento direto em renda fixa tem cobrança de IR por meio da tabela regressiva – que começa em 22,5% para aplicações com prazo de 180 dias e cai para 15% em alocações com prazo acima de 721 dias –, a maioria dos ETFs de renda fixa que são focados na pessoa física tem alíquota única de 15%, independentemente do tempo que o dinheiro fica investido.
Ou seja, do ponto de vista tributário, o ETF se tornou a forma mais atrativa de investir na renda fixa, na visão de Stein.
Fim dos isentos pode fazer ETFs de renda fixa deslancharem
Em relação aos títulos de renda fixa isentos, como as debêntures incentivadas, LCIs, LCAs, CRIs e CRAs, a competição é mais desfavorável para os ETFs.
Quem possui esses ativos em carteira dificilmente trocaria a isenção de Imposto de Renda pela alíquota de 15% – que pode ser de até 25% em alguns casos (entenda as regras nesta matéria).
Porém, com as discussões sobre o fim da isenção desses títulos no radar do mercado, o sócio da Galapagos acredita que pode haver uma deslanchada nos ETFs com um valor expressivo de dinheiro entrando nos fundos de índice.
“Para mim, já está contratado um valor de R$ 1 trilhão nos ETFs até o final de 2029. Se houver uma mudança tributária nos títulos isentos, antecipo essa previsão em pelo menos um ano”, defende Stein.
Maior liquidez
Em relação ao crédito privado, os ETFs também oferecem outra vantagem além dos custos: a liquidez.
Eduardo Arraes, sócio da BTG Pactual Asset Management, destaca que investidores que compram diretamente papéis de crédito privado costumam ficar travados na posição em momentos de piora do cenário econômico ou estresse de mercado.
Já nos ETFs, por serem negociados em bolsa, basta vender a cota.
"No momento em que o investidor fica desconfortável com o crédito, ele tem a certeza da liquidez e sabe que consegue sair da posição ", disse Arraes.
Outro trunfo, segundo o executivo, é a democratização do crédito privado por meio dos fundos de índice.
“Os ETFs tornaram o crédito privado muito mais acessível para o investidor final. Hoje, é possível ter acesso a títulos que ele dificilmente conseguiria dado o volume financeiro que pretende negociar.”
No mercado norte-americano, por exemplo, onde os ETFs já representam uma indústria de US$ 10 trilhões, se expor ao mercado de crédito por meio dos fundos de índice é cerca de 20 a 30 vezes mais barato do que montar uma carteira direta de ativos, segundo Stein.
“Isso também vai acontecer no Brasil”, estima o sócio da Galapagos.
‘A bola está na marca do pênalti’
A indústria de ETFs tem crescido de forma acelerada. Até o fim do primeiro semestre de 2026, havia 862 mil investidores pessoas físicas com dinheiro investido nesse tipo de ativo, segundo dados divulgados pela B3 nesta quarta (16).
Em relação ao mesmo período do ano passado, o crescimento foi de 34% e representa o investimento que mais cresceu em demanda dentro do universo da bolsa.
Há uma dose alta de otimismo sobre o futuro dos ETFs, principalmente no segmento de renda fixa.
Segundo Stein, “a bola está na marca do pênalti. Agora é só chutar”. O executivo diz que a estrutura atual dos ETFs de renda fixa está pronta e alinhada. O que resta, na visão dele, é um trabalho educacional em todo o mercado para que mais investidores conheçam os benefícios desses ativos.
Arraes também acredita que o crescimento “está só começando” e cada vez mais deve haver uma sofisticação na indústria com fundos de índice de renda fixa mais específicos e personalizados.
