The Best Açaí investe milhões em nova fábrica para entrar no segmento de cremes

A estratégia que transformou uma pequena loja montada com R$ 15 mil em Londrina na maior rede de açaí e sorvetes do Brasil acaba de ganhar um novo capítulo. A The Best Açaí inaugurou a Amadelli Recheios, fábrica dedicada exclusivamente à produção de cremes como pistache, avelã, leitinho e creme de amendoim. O investimento inicial foi de R$ 20 milhões, mas deve chegar a R$ 35 milhões até o fim de 2027.
A nova unidade está instalada em Ibiporã, no Paraná, cidade vizinha a Londrina. "A nova fábrica já está operando há duas semanas e fica onde está concentrada a nossa operação industrial”, diz Sérgio Kendy, fundador e CEO da The Best Açaí, em entrevista exclusiva à EXAME.
Mais do que ampliar a produção, a companhia quer controlar uma das etapas mais rentáveis da operação. A fábrica é peça central da estratégia de verticalização do grupo, que já produz o próprio açaí e sorvetes e agora passa a fabricar também os recheios utilizados em suas mais de mil franquias.
"Nós nunca fomos uma franqueadora que vive de royalties. O nosso negócio sempre foi vender produto. Quanto mais as lojas vendem, melhor para a companhia", afirma Kendy.
A expectativa é que a nova unidade alcance faturamento de R$ 80 milhões em seu primeiro ano completo de operação, atendendo inicialmente apenas a demanda interna da rede.
"A fábrica já nasce grande. Como a nossa própria rede consome muito desse produto, ela começa praticamente sem capacidade ociosa”, diz Kendy que afirma que a nova unidade fabril deve gerar cerca de 150 empregos até o final do ano.
Em 2025, a companhia faturou pouco mais de R$ 1 bilhão e projeta alcançar R$ 1,5 bilhão em 2026, alta próxima de 50%, impulsionada pela expansão da rede, pela verticalização da produção e pelo início da operação nos Estados Unidos.
A lógica por trás da fábrica
A decisão de construir uma indústria própria de recheios nasceu de um problema recorrente.
Os cremes representam uma das categorias mais vendidas da rede. Segundo Kendy, hoje o consumo médio dos clientes é composto por aproximadamente 40% de açaí, 30% de sorvete e os 30% restantes por toppings, como cremes, frutas e complementos.
Até então, esses produtos eram comprados de fornecedores externos.
"O nosso problema era que os produtos eram bons, mas não eram exclusivos. A mesma indústria podia fabricar para qualquer concorrente. Verticalizar significa gerar diferenciação, aumentar margem e ainda oferecer um preço melhor para o franqueado", afirma.
A companhia também ganha velocidade para lançar novos produtos. Segundo o executivo, quando houve a febre do "morango do amor", a empresa desenvolveu um novo sorvete em apenas dois dias e conseguiu distribuí-lo rapidamente para toda a rede.
"Uma grande indústria levaria dois ou três meses para fazer isso e perderia completamente o timing."
IA, automação e produção 24 horas
A Amadelli Recheios foi construída sob conceito de indústria 4.0.
A linha funciona praticamente de forma automatizada. Segundo Kendy, uma operação capaz de gerar R$ 80 milhões por ano funciona com apenas oito pessoas diretamente na linha de produção. O restante do time atua em engenharia, desenvolvimento e controle de processos.
A inteligência artificial entra principalmente na análise de dados.
Hoje, a empresa utiliza IA para prever demanda, definir volumes de compra de matérias-primas importadas, como avelã, precificar produtos e identificar padrões de consumo entre as franquias.
"Antes precisávamos construir inúmeros relatórios para chegar a uma conclusão. Hoje usamos inteligência artificial para tratar esses dados muito mais rápido e tomar decisões com mais precisão", afirma.
Além disso, câmeras inteligentes monitoram desperdícios durante o envase dos produtos, ajudando a controlar perdas e padronizar a produção.
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O nome que hoje ajuda na expansão global
Quando criou a empresa, há nove anos, Sérgio Kendy não imaginava que a marca chegaria aos Estados Unidos. O nome "The Best" também não foi pensado para uma estratégia internacional.
Segundo o fundador, a inspiração veio do próprio modelo de negócio. Como a rede nasceu no formato self-service, os sócios criaram primeiro o slogan: "o melhor açaí é aquele feito do seu jeito". Depois, transformaram essa ideia em marca.
"Primeiro veio o slogan. A gente acreditava que o melhor açaí era aquele que cada cliente montava do jeito que queria. Daí nasceu o 'The Best'. Não foi pensado para ser uma marca internacional, mas acabou ajudando muito quando começamos a olhar para fora", afirma Kendy.
A percepção ficou ainda mais evidente na unidade de Copacabana, uma das mais movimentadas da rede. Segundo o empresário, muitos turistas estrangeiros encontram a loja justamente por pesquisarem "The Best Açaí", o que reforçou a decisão de manter a marca na expansão internacional.
Hoje, a estratégia está concentrada nos Estados Unidos. A empresa inaugurou sua primeira loja em Miami Beach em junho e pretende exportar todos os recheios produzidos no Brasil assim que concluir as certificações exigidas pelas autoridades americanas.
Segundo Kendy, a unidade vende atualmente cerca de cinco vezes mais que uma loja média brasileira.
"Estamos vendendo o dobro do que projetávamos. A loja está performando quase cinco vezes acima da média de uma operação no Brasil", afirma.
O plano agora é consolidar a presença na Flórida antes de acelerar a expansão. A empresa espera inaugurar uma segunda unidade ainda este ano e chegar a cinco lojas até março de 2027.
"Nós queremos ser o McDonald's do açaí, mas sem sair abrindo dezenas de países ao mesmo tempo. Preferimos adensar um mercado, ganhar força e depois partir para o próximo."
Além dos Estados Unidos, a empresa já possui 25 lojas em operação no Paraguai e avalia, no futuro, uma entrada na Europa.
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Crescimento mais lento, de propósito
Apesar da expansão acelerada dos últimos anos, a The Best Açaí decidiu reduzir o ritmo de abertura de unidades em 2026.
Depois de crescer entre 200 e 250 lojas por ano, a companhia pretende inaugurar cerca de 150 novas operações, encerrando o ano com aproximadamente 950 lojas em funcionamento.
Segundo o CEO, a decisão é estratégica.
"Crescer rápido é bom, mas chega um momento em que você precisa consolidar regiões e garantir qualidade. Preferimos desacelerar um pouco para organizar a operação."
O foco agora está em aumentar a presença em mercados considerados prioritários, como Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, onde ainda há espaço para centenas de novas unidades.
De R$ 15 mil a um negócio de R$ 1,5 bilhão
A história da companhia começou há nove anos, quando três estudantes de engenharia civil da Universidade Estadual de Londrina investiram cerca de R$ 15 mil para abrir uma pequena loja de 50 metros quadrados.
Na época, compraram apenas dez caixas de açaí de um fornecedor e montaram a decoração com caixotes de madeira reaproveitados.
"Nós não tínhamos intenção de criar uma franquia. Era para ser uma renda extra", lembra Kendy.
Hoje, a empresa projeta faturamento de R$ 1,5 bilhão em 2026 e recebeu, no ano passado, um aporte de R$ 80 milhões do fundo Aster, recursos utilizados, entre outros objetivos, para concluir a fábrica de recheios.
A unidade recém-inaugurada também marca uma nova etapa para o grupo. Além de abastecer toda a rede, a Amadelli deve lançar embalagens próprias de cremes para venda ao consumidor final e novas linhas, incluindo versões sem açúcar, ampliando a atuação da empresa para além das lojas de açaí.
