TIM Brasil apoia mudança de controle da Telecom Italia: 'claramente positivo', diz CEO
Alberto Griselli diz que eventual entrada da Poste Italiane no comando do grupo fortalece financeiramente o controlador

A possível mudança de controle da Telecom Italia, controladora da TIM Brasil, é vista com otimismo pela operação brasileira. O CEO da TIM Brasil, Alberto Griselli, afirmou nesta terça-feira, 28, que a eventual entrada da Poste Italiane no comando do grupo fortalece financeiramente o controlador e pode ampliar a flexibilidade para alocação de capital, sem alterar a estratégia da subsidiária no país.
"Do nosso lado, o que podemos dizer é que pertenceremos a um grupo patrimonialmente mais forte e isso é claramente um aspecto positivo", afirmou Griselli durante coletiva à imprensa para comentar os resultados do 2° trimestre da companhia.
"O grupo resultante fortalece patrimonialmente o nosso controlador, e isso tem um benefício potencial importante em relação à alocação de capital e à flexibilidade que podemos ter aqui", acrescentou.
Segundo o executivo, a operação também reforça a percepção da importância da subsidiária brasileira dentro do grupo italiano. "Eles já foram vocais ao dizer que nós somos um elemento importante da estratégia deles. Utilizaram, inclusive, a palavra 'joia' em alguns artigos que saíram por lá. Então, a nossa estratégia permanece a mesma", disse.
A avaliação representa um tom ainda mais positivo do que o adotado pela companhia na semana passada.
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Na ocasião, Griselli havia afirmado à EXAME INSIGHT, na semana passada, quea operação brasileira seguiria sua própria agenda de crescimento, independentemente das mudanças societárias na Itália, mantendo o plano de buscar aquisições em banda larga e serviços corporativos.
A declaração ocorre enquanto a Poste Italiane, estatal de serviços postais da Itália, conduz o processo para assumir o controle da Telecom Italia. A companhia lançou em 20 de julho a oferta pública de aquisição (OPA) e troca de ações que poderá devolver à esfera estatal o comando da principal operadora italiana quase 30 anos após sua privatização.
A operação foi aprovada por unanimidade pelo conselho de administração da Telecom Italia e recebeu autorização da Consob, a comissão de valores mobiliários italiana. O período de adesão dos acionistas segue até 11 de setembro. A Poste condicionou a conclusão da operação à adesão mínima de 66,67% das ações, embora o objetivo declarado seja alcançar a totalidade dos papéis e fechar o capital da companhia na Bolsa de Milão.
Atualmente, a Poste Italiane já é a maior acionista individual da Telecom Italia, com cerca de 20% do capital ordinário. A estatal é controlada pelo Tesouro italiano e pela Cassa Depositi e Prestiti, banco de desenvolvimento do país. Embora a operação represente o retorno da operadora ao controle estatal, trata-se de uma transação de mercado, e não de uma reestatização tradicional.
Quando foi anunciada, em março, a proposta era estimada em 10,8 bilhões de euros. Com a valorização das ações da própria Poste Italiane, utilizadas como parte do pagamento, o valor da operação passou a superar 13 bilhões de euros.
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Em meio a essa disputa pelo controle na Itália, contudo, a operação brasileira reportou um lucro líquido normalizado de R$ 1,04 bilhão, alta de 6,2% em relação ao mesmo período do ano passado. No acumulado do primeiro semestre, o lucro somou R$ 1,86 bilhão, avanço de 4%.
Areceita líquida da TIM atingiu R$ 6,97 bilhões no trimestre, aumento de 5,5% em um ano. A receita de serviços cresceu 5,7%, para R$ 6,79 bilhões.
No negócio móvel, a receita de serviços avançou 4,6%, para R$ 6,37 bilhões. O desempenho foi sustentado pelo pós-pago e por novas fontes de receita, como publicidade móvel, serviços corporativos e internet das coisas.
A receita do pós-pago cresceu 5,8%, enquanto a base de clientes aumentou 6,8%, para 33,7 milhões de acessos. O segmento passou a representar cerca de 70% da receita de serviços móveis. O ARPU móvel, que mede a receita média por usuário, chegou a R$ 34,30, alta de 5%.
Em sentido contrário, a receita do pré-pago caiu 6,9%, enquanto a base recuou 8%, para 28,2 milhões de clientes. A TIM atribuiu o desempenho à maior competição e à pressão sobre a recorrência das recargas.
A base móvel total encerrou junho com 61,9 milhões de acessos, queda de 0,5% na comparação anual.
