TIM leva 120 antenas e 5G turbinado ao Rock in Rio para aguentar 130 mil pessoas por dia
Festival virou vitrine e laboratório da operadora, que testa tecnologia antes de levá-la ao celular do brasileiro comum

Um festival com 130 mil pessoas por dia é, do ponto de vista de telecomunicações, uma pequena cidade que surge do nada e desaparece semanas depois. Todo mundo quer postar o show ao mesmo tempo, mandar a localização para reencontrar os amigos, chamar o carro na saída. Se a rede não aguenta, o problema vai muito além do incômodo de ficar sem sinal.
As ativações das marcas patrocinadoras, que dependem de QR codes, aplicativos e experiências conectadas, simplesmente param de funcionar. Uma boa estrutura de conectividade deixou de ser conforto para virar condição básica de que o evento aconteça como planejado.
É nesse ponto que entra a TIM, patrocinadora oficial do Rock in Rio pela terceira edição seguida. A relação da operadora com o festival acompanha a própria história do 5G no Brasil. Em 2022, poucas semanas depois de a tecnologia ser lançada comercialmente no país, o Rock in Rio virou o primeiro grande evento brasileiro com cobertura de quinta geração. De lá para cá, cada edição serviu como uma espécie de teste de estresse.
Esse é o cálculo por trás do investimento. Para a TIM, o festival funciona como uma vitrine e um laboratório ao mesmo tempo. As soluções estreiam ali, sob a pressão de uma das maiores concentrações de público do país, e só depois se espalham para o dia a dia dos clientes.
"O Rock in Rio é uma plataforma na qual a TIM estreia e experimenta soluções que depois serão progressivamente propagadas para toda a nossa base de infraestrutura e de clientes", afirmou Marco Di Costanzo, vice-presidente de Desenvolvimento Tecnológico da empresa. Ou, o que funciona na Cidade do Rock hoje tende a chegar ao celular do brasileiro comum amanhã.
Mais antenas e uma rede que segue a multidão
Para a edição de 2026, a operadora ampliou de forma expressiva a estrutura física. São mais de 120 antenas inteligentes distribuídas pela Cidade do Rock, um crescimento de 45% no número de antenas 5G em relação à edição anterior.
O apelido "inteligentes" não é força de expressão. Diferentemente das antenas tradicionais, que espalham sinal de maneira mais ou menos uniforme por toda a área, essas conseguem direcionar a capacidade para onde o público está concentrado num dado momento, acompanhando a multidão conforme ela migra de um palco para outro ao longo da noite.
A expectativa é que essa estrutura leve o 5G a responder por mais de 60% de todo o tráfego durante o evento. Esse é um percentual que vem crescendo a cada edição do Rock in Rio. Foram cerca de 20% em 2022 e 40% em 2024. Em quatro anos, a tecnologia terá passado de novidade a maioria absoluta do que trafega na rede durante o festival.
A estreia do 5G Advanced em um evento de grande porte
A novidade técnica desta edição é a chegada do chamado 5G Advanced a um evento de grande porte. Trata-se de uma evolução do 5G que promete não apenas mais velocidade, mas uma conexão que se mantém estável mesmo quando a rede está sobrecarregada, justamente o cenário de um festival lotado.
A TIM já havia testado a tecnologia em laboratório e em um evento fechado na Fórmula 1, em Interlagos, no ano passado. O Rock in Rio é a primeira vez que ela enfrenta uma multidão "de verdade". Para aproveitá-la, o público precisa ter um aparelho compatível com a rede.
A operação também reserva capacidade para o que não pode falhar. Pense nas equipes que operam o festival e precisam se falar na hora exata em que algo dá errado, uma confusão num portão, uma orientação repassada de última hora. Se essas pessoas dependessem da mesma rede que 130 mil frequentadores usam para postar stories, a mensagem poderia travar justamente no momento mais crítico.
Para evitar isso, a TIM separa um pedaço exclusivo da rede 5G só para essa comunicação de trabalho. Esse canal fica reservado e tem prioridade sobre o tráfego comum, de modo que a coordenação da operação continua funcionando mesmo com a internet do público lotada.
Por cima de toda essa estrutura, a operadora mantém uma equipe de mais de 100 profissionais monitorando a rede em tempo real, das quatro horas antes da abertura dos portões até duas horas depois do fim do último show. Um sistema de inteligência artificial acompanha o comportamento da rede continuamente, identifica quando a qualidade começa a cair em algum ponto e corrige sozinho, antes que o público perceba qualquer diferença.
