‘Tiro pela culatra’? Copom corta Selic, mas mercado parece não ‘confiar’ na decisão; entenda cenário e onde investir agora

A partir desta terça-feira (23), o mercado aguarda pela divulgação da ata do Copom (Comitê de Política Monetária) referente à sua última reunião, realizada na quarta-feira (17), que resultou em um novo corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic – deixando-a em 14,25% ao ano.
Esse foi o terceiro corte seguido nos juros, como parte de um ciclo de afrouxamento monetário já contratado para o ano de 2026 como um todo. Mas apesar de esperada, boa parte do mercado pareceu não “confiar” na decisão.
Isso porque o corte vem em meio a um cenário de pressão inflacionária ao redor do mundo, especialmente por conta da disrupção na cadeia de suprimentos global, consequência direta do conflito no Oriente Médio e do fechamento do Estreito de Ormuz.
Alguns dos principais Bancos Centrais do mundo já adotam uma postura mais rígida em resposta à inflação: como o Banco Central Europeu, que subiu os juros pela primeira vez desde 2023, e o Federal Reserve, nos EUA, que manteve seus juros no intervalo entre 3,5 e 3,75% ao ano.
Já o Brasil optou pelo movimento inverso, em um comunicado que soou “confuso” e gera questionamentos acerca da credibilidade do Copom, segundo Laís Costa, analista da Empiricus Research.
E é provável que até alguns investidores também fiquem um pouco “confusos”: afinal, o que significa afrouxar os juros enquanto a inflação segue em tendência de alta? E o mais importante: onde investir na renda fixa agora?
A seguir, Laís Costa traz comentários sobre a decisão do Copom e apresenta uma seleção de ativos que, em sua visão, são as melhores oportunidades para os investidores no momento.
Comunicado ‘confuso’ pode mexer com credibilidade do Copom e perspectivas para a Selic, segundo analista
O comunicado do Copom após a decisão de juros da quarta-feira (17) trouxe sentimentos mistos para o mercado. Não pela confirmação de um corte em si, mas por ter deixado “portas abertas” para mais cortes ao longo do ano:
“No comunicado, embora tenha reconhecido a desancoragem adicional das expectativas de inflação, o Banco Central optou por alongar ainda mais o horizonte relevante de política monetária para justificar o corte entregue e manter a porta aberta para a continuação do ciclo de afrouxamento monetário”.
Segundo a analista, o comunicado levou em consideração as projeções de inflação para o 1º trimestre de 2028, a qual afirmam estar abaixo da meta de 3%. Porém, o “horizonte relevante atual” deveria priorizar as projeções de menor prazo, ou seja, para 2027.
“O comunicado foi confuso, e inovou ao ampliar o horizonte relevante em meio a um cenário de desancoragem das expectativas de inflação em todos os vértices da curva, o que tende a gerar questionamentos adicionais sobre a credibilidade da autarquia”.
Cortes na Selic devem parar? Boletim Focus traz expectativas deterioradas de mercado
O mercado reagiu ao “recado” do Copom. Diante da pressão inflacionária a nível global, boa parte do mercado já coloca a continuidade do ciclo de cortes em xeque, apesar de as próximas decisões estarem em aberto.
No início do ano, antes do início do conflito no Oriente Médio, boa parte do mercado precificava uma Selic terminal de cerca de 12% a.a. em 2026, com espaço “livre” para os 3 pontos percentuais de corte.
Agora, o último boletim Focus, publicado nesta segunda-feira (22), revisou essa projeção para 14%. Além disso, o mercado também revisa suas estimativas para a inflação (IPCA), que deve encerrar o ano em pouco mais de 5,3% (acima do teto da meta, que é de 4,5%).
Ou seja, ainda há espaço para mais um corte de 0,25 p.p. na Selic, mas a continuidade do ciclo pode não ser sustentável.
Para Lais Costa, esse corte adicional deve, de fato, vir na próxima reunião do Copom, marcada para os dias 4 e 5 de agosto. Mas, ao mesmo tempo, as perspectivas para o IPCA devem seguir deterioradas até 2028.
Em meio às incertezas, conheça títulos de renda fixa para investir a partir de agora
Estamos diante de um cenário em que, mesmo com cortes, a Selic deve permanecer empatamar consideradoalto por tempo indeterminado, dada a conjuntura econômica incerta.
Isso pode continuar influenciando na precificação de títulos de renda fixa. Tratando-se de títulos vinculados à inflação (IPCA), há muitos que, atualmente, podem oferecer retornos “acima da média” – com taxa real que pode até chegar aos dois dígitos.
Mas vale lembrar que tudo isso reflete a incerteza em relação ao futuro, considerando as perspectivas de juros e inflação para o duration dos títulos. Quanto maior o retorno esperado, maiores os riscos envolvidos.
Portanto, para além das taxas atrativas, o momento pede por atenção redobrada ao selecionar onde investir: tanto para “surfar” a possibilidade de bons retornos quanto, também, para mitigar riscos na medida do possível.
Pensando nisso, Lais Costa preparou um relatório especial com quatro títulos de crédito privado que, em sua visão, são as apostas mais promissoras para os investidores a partir de agora.
São títulos avaliados com qualidade, de empresas ligadas a setores promissores da economia, com retornos líquidos esperados de até IPCA + 10,24%. E o mais importante: isentos de Imposto de Renda.
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