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24/07/2026
4 min

Todos querem FIDCs: fundos são aposta dos gestores para superar o CDI e ‘roubar’ os clientes dos bancos

Todos querem FIDCs: fundos são aposta dos gestores para superar o CDI e ‘roubar’ os clientes dos bancos

Desde a recuperação judicial das Lojas Americanas, em 2023, o mercado de crédito já passou por outros 40 calotes de empresas, segundo Jean-Pierre Cote Gil, gestor da Vinland Capital. Para ele, gerir dívida de empresas neste momento é muito mais sobre evitar problemas do que acertar em todas as escolhas.

Neste cenário de juros em 14,25% ao ano, Cote Gil afirma que não tem como fugir de uma gestão seletiva, em que é necessário filtrar com rigor os nomes que vão entrar na carteira.

Na grande indústria de crédito, os nomes predominantes são de grandes empresas, geradoras de caixa, basicamente restritas ao setor de infraestrutura. Em sua maioria são companhias de serviços básicos de saneamento, energia e transporte.

Entretanto, a cereja do bolo dos portfólios dos gestores tem sido outro crédito, o estruturado. Os Fundos de Direitos Creditórios (FIDCs) tem sido a grande aposta da indústria.

O setor ainda tem alguns gargalos de negociação que fazem com que esses fundos paguem prêmios maiores para atrair os investidores.

Em painel sobre crédito na Expert XP 2026, Cote Gil, Alexandre Muller, CIO da Leto Capital, e Marcelo Urbano, gestor da XP Asset, foram unânimes em afirmar que o futuro do crédito passa pelo desenvolvimento da indústria de FIDCs.

O que os FIDCs têm

O grande apelo dos FIDCs, segundo os gestores, é a possibilidade de securitizar e transformar em "ativo investível" uma série de recebíveis. Os ativos mais comuns são crédito consignado, cartão de crédito, financiamento de veículos e recebíveis do varejo.

Entretanto, Urbano afirmou que hoje em dia é possível ser criativo em relação a essas operações e "ideias muito boas" estão surgindo no meio.

Para Muller, mais do que o recebível que está dentro da carteira, o importante é o originador que criou essa operação.

"O coração do FIDC é a originação dos recebíveis. O mais importante é entender se tem histórico de operações e pagamentos, se passou por processos para avaliação do crédito. É uma questão de governança", diz o CIO da Leto Capital, antiga JGP Crédito.

Muller afirma que o universo de FIDCs passa por descrença, mas que os eventos de calote na indústria tradicional de crédito foram muito maiores do que nos FIDCs, quando se fala em volume financeiro em relação ao tamanho da indústria.

Os gargalos dos FIDCs, segundo os gestores, são questões operacionais. Como o fato de os fundos de recebíveis não terem marcação a mercado, baixa liquidez e pouca transparência.

Porém, neste momento, são esses gargalos que fazem bons FIDCs pagarem cerca de 1% a 2% acima do CDI — um prêmio difícil para o crédito tradicional que está com as taxas espremidas.

Concorrência com bancos

Outra vantagem dos FIDCs é a oportunidade de angariar um cliente que até então eram dos bancos.

Urbano, da XP Asset, afirma que quando os juros estão restritivos como agora, os bancos interrompem a liberação de crédito de forma generalizada. Cortam setores inteiros, empresas com rating ou não, e bons negócios ficam pelo caminho.

É nessa "falta de visão" que os gestores de crédito podem navegar e conseguir atrair clientes interessantes.

"Mesmo em setores que não são bons tem empresas com bons gestores. Vemos oportunidades de operações parrudas que os bancos não querem. Nessa hora que a gente entra", diz o gestor.

Segundo Muller, há alguns anos para cada um real que os bancos tinham de operação de crédito, o mercado financeiro tinha 25 centavos.

No ano passado, pela primeira vez na história, essa relação alcançou a paridade, de um real para um real.

"É uma conquista, mas precisamos ir mais longe. Nos EUA, essa relação é de 4 dólares para o mercado de capitais e um dólar para os bancos. Precisamos ser mais distributivos", disse o gestor.

AutorMonique Lima
FonteSeu Dinheiro
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