Token Maxxing é o novo pesadelo dos executivos na era da IA

Por Renato Ferreira*
No mundo corporativo, a regra de ouro é a previsibilidade. Operamos com orçamentos rigorosos e nenhuma diretoria aprova um grande projeto sem desenhar detalhadamente as linhas de custo e o retorno esperado (ROI). No entanto, quando o assunto é inteligência artificial (IA), muitos líderes estão cometendo um erro primário: assinar cheques em branco para o uso da tecnologia por seus funcionários. O Vale do Silício já observou a tendência e deu um nome a esse novo pesadelo corporativo: o "token maxxing", que se traduz no consumo descontrolado e imprevisível de créditos de IA.
Vivemos um paradoxo nesses tempos de rápida transformação tecnológica. Toda organização deveria viabilizar a criação de agentes autônomos de IA por seus times, disponibilizando plataformas que permitam a cada colaborador criar seus próprios agentes para otimizar processos analíticos e operacionais. Mas os gestores têm um receio justificado de liberar o acesso de forma ampla e ver os custos explodirem no final do mês.
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O erro começa quando a estratégia de inovação se resume a contratar assinaturas corporativas de uma única solução (seja ela qual for) e distribuí-las pela companhia. A empresa fica refém daquele provedor, perdendo flexibilidade para testar opções, sem visibilidade clara dos gastos de cada departamento.
A resposta para escalar a adoção da IA não está em frear a inovação, mas sim em construir governança. E para isso, há, fundamentalmente, três práticas objetivas, simples e eficazes para evitar tropeços nesse processo.
Gerenciamento de tokens
A primeira delas é definir limites de orçamento. Da mesma forma que gerenciamos centros de custo tradicionais, precisamos administrar o consumo de créditos. É vital estabelecer limites claros por agente, por colaborador e por equipe. Qualquer demanda adicional que ultrapasse esse teto dever ser justificada e aprovada pelo gestor direto, replicando a disciplina financeira do modelo tradicional de budget.
Outro ponto importante é manter uma rígida gestão de permissões. Uma falha comum é dar a chave do cofre para todos, sendo que nem todo mundo precisa ter autorização para utilizar todos os modelos e conectores. Uma plataforma com governança real permite restringir permissões de forma cirúrgica. O time jurídico, por exemplo, não precisa acessar o CRM da empresa para obter melhores resultados. Da mesma forma, o time de vendas muito dificilmente precisará de liberação para usar soluções caras de geração de vídeo. Cada usuário deve acessar apenas os recursos necessários para a sua função.
Por último, e não menos importante, é a orquestração e diversidade de modelos. Usar plataformas de IA mais sofisticadas (e mais caras) para resolver tarefas simples do dia a dia é um desperdício financeiro formidável. O mercado oferece dezenas de alternativas excelentes para grande parte das rotinas corporativas, e a maioria a custos bem baixos. A verdadeira maturidade tecnológica está em garantir o acesso a múltiplos modelos, orquestrando-os para utilizar sempre a opção de melhor custo-benefício para a complexidade da tarefa a ser executada.
Nesse momento em que a inteligência artificial tem escalado exponencialmente no mercado, líderes empresariais precisam ter como premissa que a adoção de IA dentro das organizações só ocorrerá quando houver conforto financeiro e operacional da diretoria. Essa é a base de uma implementação responsável e que fará toda a diferença na governança da companhia.
Transparência, rastreabilidade e controle de gastos não são burocracias que atrasam a inovação, mas sim os pilares da segurança e da sanidade empresarial. Sem governança, a tecnologia é apenas um custo imprevisível. Com ela, a IA deixa de ser um ponto de interrogação e se consolida como a maior alavanca de produtividade dos negócios modernos.
*Renato Ferreira é sócio e COO da TESS AI
