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08/09/2026
5 min

TotalPass e Wellhub valem a pena? Para a SkyFit, sim. Rede de academias diz como deve faturar R$ 800 milhões

Em relatório do BTG Pactual, analistas dizem qual é a ameaça atual para o setor de academias

TotalPass e Wellhub valem a pena? Para a SkyFit, sim. Rede de academias diz como deve faturar R$ 800 milhões

“Os agregadores vieram para ficar. A oportunidade está em usá-los melhor”. É isso que defendem os analistas do BTG Pactual após conhecerem a operação da academia SkyFit, controlada por Caio Peres, ex-executivo da XP. Com 370 franquias espalhadas por 22 estados brasileiros, a empresa é a segunda maior rede dentro do aplicativo Totalpass, atrás somente da Smart Fit.

A SkyFit também está no Wellhub e é considerada a maior rede do país a aceitar ambos os agregadores.

Há uma discussão no setor fitness desde o surgimento dessas plataformas: vale a pena para as academias estarem nesses aplicativos ou eles podem canibalizar a clientela direta das redes?

Para a Skyfit, em relatório do BTG, os agregadores são uma tendência irreversível e funcionam como o iFood para restaurantes e o Uber para o mercado de taxistas. O CEO da rede diz que a estratégia é se juntar a eles e tentar utilizar da melhor forma para os resultados da companhia.

Na visão da rede e dos analistas, há outros vilões que estão no radar da SkyFit e devem ser monitorados em todo o setor de academias — e não são o TotalPass e o Wellhub.

Fundada em Americana e com crescimento acelerado

A SkyFit foi fundada em Americana, no interior de São Paulo, em 2020. Inicialmente, a operação da empresa era apenas cinco academias próprias, mas foi o modelo de franquias que possibilitou o crescimento acelerado da rede.

Atualmente, SkyFit conta com 1 milhão de alunos, 370 unidades em 22 estados, além de outras 120 em desenvolvimento e cerca de 160 locais aprovados à espera de franqueados. O ritmo de inauguração é de 10 a 15 unidades mensais e a expectativa é de que, em 2026, a receita seja de R$ 800 milhões.

Em março deste ano, um ex-sócio da XP e um grupo de investidores compraram a SkyFit dos fundadores e Peres assumiu a operação como CEO.

Embora o valor de compra não tenha sido divulgado publicamente, o relatório do BTG cita uma cifra de R$ 400 milhões.

Como a SkyFit surfa os agregadores?

Enquanto parte do setor fitness enxerga os agregadores como uma ameaça, a SkyFit prefere olhar por outra perspectiva.

“Apesar de certa canibalização de membros do segmento B2C, a administração considera o impacto líquido positivo, uma vez que os agregadores também atraem usuários que, de outra forma, poderiam não ingressar no ecossistema da academia”, afirmam os analistas do BTG.

A SkyFit tem o tíquete médio de R$ 149 e está entre as redes consideradas low cost. Porém, a empresa não quer necessariamente ser a opção mais barata entre as academias.

Com o TotalPass e o Wellhub, alunos podem acessar a rede com planos mais em conta.

No TotalPass, algumas unidades podem ser acessadas a partir do TP1, por R$ 59,90. No Wellhub, a partir do plano Basic, de R$ 69,99, também já é possível visitar algumas franquias da SkyFit, a depender da localização.

De acordo com o BTG, a SkyFit tem aproveitado o fluxo de alunos de aplicativos para tentar convertê-los para a rede.

Por meio de dados dos agregadores, empresa diferencia usuários que frequentam várias academias diferentes daqueles visitam repetidamente a mesma unidade da SkyFit. A estratégia é tentar tornar esse segundo grupo membros diretos da rede por meio de benefícios adicionais e ofertas personalizadas.  

Outro argumento da SkyFit a favor dos aplicativos é que os usuários de agregadores costumam frequentar as academias com menos regularidade do que alunos que contratam planos diretamente.

Na prática, isso faz com que a receita gerada por treino fique mais próxima da observada nos clientes tradicionais, o que, na visão da rede e do banco, reduz o impacto negativo dos repasses para o TotalPass e Wellhub.

Academia vê outras ameaças

Segundo a academia, o principal adversário no setor atualmente é o brasileiro que não pratica exercícios. Somente 7% da população brasileira está matriculada ou frequenta uma academia regularmente.

Esse percentual também ajuda a entender por que, mesmo com a concorrência crescente no setor fitness, a SkyFit não percebe o mercado de academias como saturado.

No relatório do BTG, a rede diz que a maior competição é entre redes já consolidadas e academias de bairro independente. De acordo com a SkyFit, a estratégia de crescimento por franquias é especialmente importante nessa equação porque permite que a rede entre em cidades menores.

Além disso, Peres enxerga uma ameaça relevante para o setor de academias: a reforma tributária.

Segundo o CEO, o impacto das novas regras sobre o modelo de franquias ainda é subestimado pelo mercado.

A preocupação é que uma carga tributária potencialmente maior e mudanças operacionais, como o split payment, pressionem o capital de giro dos franqueados.

Na visão de Peres, academias menores e operações menos profissionalizadas podem encontrar dificuldades para se adaptar ao novo cenário.

Ainda assim, a SkyFit afirma que já estuda alternativas para reduzir os impactos das mudanças, incluindo novos modelos de financiamento de equipamentos e estruturas voltadas ao suporte financeiro dos franqueados.

Qual é a avaliação dos analistas?

Para os analistas do BTG Pactual, a SkyFit está entrando em uma fase mais madura com um CEO que traz a experiência do mercado financeiro na bagagem.

Na visão do banco, a rede de academias já possui uma escala significativa já consolidada, mas ainda tem um amplo espaço para crescimento.

“À medida que a rede se expande, a administração se concentra cada vez mais na qualidade dos dados, bem como na qualidade e no suporte aos franqueados, mantendo uma visão construtiva sobre o potencial de crescimento do setor e o papel dos agregadores no ecossistema.”

AutorGiovanna Figueredo
FonteSeu Dinheiro
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