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08/10/2026
3 min

Trabalhar nos EUA vai ficar mais difícil: Trump restringe Microsoft e outras big techs de contratarem estrangeiros

Governo norte-americano quer priorizar trabalhadores locais nas empresas do país; veja a lista de companhias impactadas

Trabalhar nos EUA vai ficar mais difícil: Trump restringe Microsoft e outras big techs de contratarem estrangeiros

Trabalhar formalmente nos Estados Unidos pode ser mais difícil daqui para frente. O governo Trump vem endurecendo as regras de imigração e, agora, decidiu frear os vistos de profissionais estrangeiros, incluindo brasileiros. Empresas de tecnologia como a Microsoft receberam uma restrição sobre contratar funcionários de outros países em um programa que permite a obtenção do green card.

A medida foi anunciada nesta quinta (8) e faz parte de uma ofensiva da Casa Branca contra a contratação de mão de obra estrangeira.

Além da Microsoft, entraram na lista outras companhias como Adobe, Cognizant, Infosys, Tata Consultancy Services (TCS), Wipro, HCL e Capgemini.

O processo para conseguir um emprego formal nos EUA sendo de outro país normalmente envolve duas etapas:

  • Um visto temporário de trabalho, geralmente patrocinado pelo empregador, chamado de H-1B; e
  • Se a empresa quiser manter o funcionário de forma permanente no país, pode entrar com um processo para a obtenção do green card, que é a autorização de residência definitiva.

Segundo o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, o objetivo com a suspensão é forçar essas empresas a priorizarem trabalhadores norte-americanos para as vagas. Ele chegou a afirmar que as companhias têm realizado fraudes nos programas de visto.

"Nossa mensagem é bastante simples: vocês são uma grande empresa norte-americana, mas precisam contratar grandes trabalhadores norte-americanos", defendeu JD Vance.

Cabe lembrar que, no início do governo Trump, as iniciativas eram focadas somente em estrangeiros que estavam ilegalmente no país. Agora, há uma intensificação também no mercado de trabalho formal.  

Qual foi a mudança feita pelo governo Trump?

O governo norte-americano suspendeu a participação dessas empresas no programa chamado PERM (Certificação Permanente de Trabalho, na sigla em inglês), que é uma das principais portas de entrada para o green card patrocinado pelas companhias.

Ele exige que a empresa mostre ao Departamento do Trabalho dos EUA (DOL) que tentou contratar trabalhadores locais para uma vaga, mas que não encontrou profissionais qualificados, disponíveis e interessados.

Só depois dessa comprovação que o empregador pode avançar para conseguir um green card para o funcionário.

Para quem já possui o green card de trabalho nessas empresas, nada muda. Porém, segundo Keith Sonderling, secretário do Trabalho dos Estados Unidos, novos pedidos não serão aceitos e processos que ainda estavam em análise deixarão de ser processados.

Governo mira programa usado por profissionais qualificados

O anúncio da medida contra as big techs ocorre em meio a críticas cada vez mais frequentes do governo Trump em relação ao visto H-1B, que é usado para a contratação temporária de profissionais estrangeiros qualificados.

As big techs dependem historicamente da contratação de engenheiros, programadores e cientistas de dados estrangeiros para as operações nos Estados Unidos.  

Porém, a imigração para trabalhar tem sido olhado com maior cautela pelo governo. Segundo Vance, algumas empresas estão usando o programa de forma abusiva para substituir trabalhadores norte-americanos.

Em publicação no X, antigo Twitter, chegou a falar especificamente da Microsoft.

“Queremos que vocês continuem crescendo e empregando muitas pessoas, mas queremos que empreguem trabalhadores norte-americanos”, defendeu.

Fonte: X.

Universidades também entram na mira

Estudantes estrangeiros também podem ter problemas daqui para frente. Segundo o governo norte-americano, nove universidades serão investigadas por suspeitas de uso inadequado de programas de visto voltados a alunos e pesquisadores estrangeiros.

Entre as instituições citadas estão Harvard, Yale e Stanford.

Além disso, o DHS (Departamento de Segurança Interna, na sigla em inglês) dos Estados Unidos propõe que estudantes estrangeiros paguem uma taxa de US$ 70 mil — cerca de R$ 350 mil no câmbio atual — caso queiram trabalhar no país.

*Com informações de Reuters e CNN

AutorGiovanna Figueredo
FonteSeu Dinheiro
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