Treasuries acima de 5%: B3 amplia opções para operar títulos da dívida americana
A B3, operadora da bolsa brasileira, iniciou a negociação de quatro novos contratos futuros de Treasuries, os títulos do Tesouro dos Estados Unidos, nesta terça-feira (13). Os novos contratos são: futuros de US Treasury Note de 2 anos (T02), US Treasury Note de 5 anos (T05), US Treasury Note de 10 anos Ultra (T1U) e […]

A B3, operadora da bolsa brasileira, iniciou a negociação de quatro novos contratos futuros de Treasuries, os títulos do Tesouro dos Estados Unidos, nesta terça-feira (13).
Os novos contratos são: futuros de US Treasury Note de 2 anos (T02), US Treasury Note de 5 anos (T05), US Treasury Note de 10 anos Ultra (T1U) e US Treasury Bond (TBN), voltado a prazos mais longos, acima de 20 anos.
Segundo a B3, os produtos são complementos do contrato futuro de Treasury de 10 anos (T10), que já está disponível na Bolsa, e “ampliam as possibilidades de estratégias ligadas aos juros norte-americanos por meio do mercado regulado brasileiro”.
“Os novos contratos futuros atrelados aos títulos da dívida dos EUA representam mais um passo de conexão dos investidores brasileiros ao mercado global, permitindo a exposição estratégica em diferentes prazos, seja para buscar proteção para carteiras ou se posicionar sobre os movimentos dos juros americanos dentro da infraestrutura da B3, sem a necessidade de enviar recursos ao exterior”, afirma Marcos Skistymas, diretor de Produtos Listados da B3.
A chegada dos papéis à B3 acontece em um cenário de alta nos juros dos Estados Unidos e rendimentos dos Treasuries nas máximas históricas de mais de duas décadas, acima da marca psicológica de 5%.
Como funciona?
De acordo com a operadora da Bolsa brasileira, os futuros de US Treasury de 2 anos têm valor de face de US$ 200 mil e os demais de US$ 100 mil.
Apesar de cotados em dólares, os ganhos e perdas apurados nos ajustes diários são convertidos em reais pela taxa de câmbio PTAX, considerada a variação oficial do câmbio entre dólar e real, divulgada diariamente pelo Banco Central.
Além disso, os produtos contam com liquidação financeira, ou seja, não há entrega física da Treasury como ocorre no mercado norte-americano, mas apenas a compensação monetária da operação – calculada por meio da família de índices B3 Dívida Externa Americana para cada segmento de Treasuries.
O que são os Treasuries?
Os Treasuries são títulos de dívida emitidos pelo governo dos Estados Unidos para financiar suas atividades e estão entre os principais indicadores acompanhados pelos mercados globais.
Assim como os títulos públicos brasileiros, seus preços oscilam de acordo com as expectativas para os juros, a inflação e o desempenho da economia.
A estratégia com contratos futuros de títulos dos EUA depende das expectativas para os juros norte-americanos. Como os preços dos títulos se movem na direção oposta à das taxas, a queda dos juros tende a valorizar os papéis, enquanto a alta provoca desvalorização.
Na prática, um investidor que aposta em cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) pode comprar futuros de Treasuries para tentar lucrar com a valorização dos títulos.
Já quem mantém esses papéis em carteira pode vender contratos como proteção contra um cenário de alta das taxas. No dois casos, o resultado depende do comportamento do mercado e dos riscos envolvidos na operação.
Outra possibilidade é combinar contratos com vencimentos diferentes, como os de dois e dez anos, para explorar mudanças na diferença entre as taxas desses prazos.
A estratégia permite se posicionar diante de alterações na inclinação da curva de juros dos Estados Unidos, mesmo quando as taxas de curto e longo prazo seguem direções distintas.
