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InvestMercados
30/09/2026
5 min

Troca de caneta por comprimido do Wegovy mantém perda de peso e Novo ganha munição

Estudo com 194 pacientes indica perda adicional de 4,1% do peso três meses após a troca

Troca de caneta por comprimido do Wegovy mantém perda de peso e Novo ganha munição

A Novo Nordisk ganhou novos dados para sustentar uma de suas principais apostas no mercado de obesidade, a de levar parte dos pacientes das canetas emagrecedoras para os comprimidos.

Uma análise apresentada nesta quarta-feira, 30, no congresso da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD), em Milão, mostrou que pacientes que passaram de tratamentos injetáveis, como o Wegovy e o Zepbound, da rival Eli Lilly, para a versão oral da semaglutida continuaram emagrecendo nos três meses seguintes à mudança.

O estudo avaliou 194 pacientes atendidos pela plataforma americana de telessaúde Ro. Antes da troca, eles utilizavam medicamentos injetáveis à base de semaglutida ou tirzepatida. Após os três meses com o comprimido oral, a redução média foi de 4,1% do peso corporal ou aproximadamente 4 quilos.

O "Octane" é a primeira análise de uma colaboração entre a Novo e a Ro para investigar resultados observados no uso cotidiano de medicamentos para perda de peso. A dinarmaquesa pontua que o trabalho está entre as primeiras evidências do mundo real a acompanhar pacientes que migraram das canetas para os comprimidos.

O peso médio dos participantes no início da análise era de 100,5 quilos. O Índice de Massa Corporal (IMC) médio era de 34,5 kg/m². Outro dado acompanhado pelos pesquisadores foi a proporção de pacientes com índice de massa corporal dentro da faixa de obesidade. Esse grupo representava 87,1% da amostra no início e passou a 65,5% ao fim do período analisado.

Pouco mais de 40% dos pacientes perderam pelo menos 5% do peso corporal durante os três meses. Entre aqueles que responderam às perguntas sobre a experiência com o tratamento, 82,4% relataram pelo menos uma melhora. Cerca de 69% disseram perceber melhor caimento das roupas e, aproximadamente, 51% afirmaram estar se alimentando de forma mais saudável.

Por que o resultado importa para a Novo

Mais do que acrescentar dados clínicos ao portfólio da companhia, o estudo toca em uma questão central para a estratégia da Novo. A ideia é saber se pacientes acostumados a tratamentos injetáveis aceitam migrar para um comprimido de uso diário sem interromper a trajetória de perda de peso.

A resposta interessa diretamente à disputa da farmacêutica dinamarquesa com a Eli Lilly, dona do Mounjaro, que vem ganhando espaço no mercado global de medicamentos contra obesidade.

Em entrevista à Reuters, o diretor-científico da Novo Nordisk, Martin Holst Lange, afirmou que ainda existia ceticismo sobre a adesão a um medicamento tomado todos os dias e a preferência dos pacientes por uma pílula em relação às aplicações semanais.

"Inovamos para ir ao encontro das pessoas com obesidade onde quer que estejam", detalhou.

No comunicado sobre o estudo, Lange afirmou, ainda, que a decisão de deixar as injeções pode estar relacionada a fatores como ansiedade em relação a agulhas, estilo de vida ou simplesmente preferência do paciente. Ele indica que os dados oferecem uma primeira visão sobre o que ocorre, na prática, após essa mudança de tratamento.

Pílulas entram no centro da disputa

Além disso, a próxima fase da corrida pelos tratamentos contra obesidade não deve se limitar à eficácia dos medicamentos. Conveniência, capacidade de produção, distribuição e facilidade de uso também passaram a ocupar espaço crescente na estratégia das farmacêuticas.

Diferentemente das canetas, os comprimidos podem atingir pacientes que evitam injeções e, ao mesmo tempo, oferecem às empresas uma alternativa para ampliar a oferta sem depender exclusivamente da mesma estrutura industrial das versões injetáveis.

A Novo já colocou a versão oral do Wegovy no centro de sua estratégia comercial e aposta que os comprimidos podem representar uma parcela relevante do mercado de obesidade nos próximos anos. Isso pode, inclusive, alterar novamente o equilíbrio competitivo entre as duas companhias.

A empresa já lançou o Wegovy em comprimidos nos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e Emirados Árabes Unidos e afirma que pretende levar o produto a outros mercados selecionados nos próximos trimestres.

Resultado não prova superioridade

A Novo ressalta que este é um estudo observacional de vida real, e não um ensaio clínico randomizado desenhado para comparar diretamente a pílula com os tratamentos injetáveis. Isso significa que o resultado não permite afirmar que a semaglutida oral seja mais eficaz do que as canetas emagrecedoras.

Para entrar na análise, os pacientes precisavam permanecer em uso da semaglutida oral durante os três meses de acompanhamento, sem interrupções superiores a 30 dias. O estudo também não exigia que eles tivessem perdido peso com o tratamento injetável antes da troca.

A amostra incluía adultos com obesidade ou sobrepeso associado a pelo menos uma condição relacionada à obesidade, como hipertensão, dislipidemia, apneia obstrutiva do sono ou doença cardiovascular. Pessoas com histórico de diabetes ou cirurgia bariátrica não fizeram parte da coorte analisada.

A própria Novo ressalta que estudos desse tipo identificam associações, mas não permitem estabelecer uma relação de causa e efeito. A companhia cita, entre as limitações, diferenças na quantidade de dados disponíveis para cada paciente, informações autorrelatadas e o fato de os resultados não poderem ser generalizados para toda a população.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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