Trump cancela ataque ao Irã e diz que termos de acordo já estão definidos
Entendimento preveria reabertura do Estreito de Ormuz e fim do programa nuclear iraniano. Forças americanas seguem em alerta, e Teerã ainda não confirmou os termos publicamente

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o cancelamento de um ataque militar planejado contra o Irã. A decisão foi comunicada em publicação na rede social Truth Social.
Segundo Trump, o governo iraniano e outros países do Oriente Médio pediram a suspensão da ofensiva porque os termos de um acordo já estariam definidos. O entendimento preveria a abertura imediata, completa e total do Estreito de Ormuz e o fim da ameaça nuclear iraniana.
Na mesma publicação, o presidente afirmou que as Forças Armadas americanas estavam prontas para atacar a República Islâmica do Irã com níveis de força e poder militar não vistos desde a Segunda Guerra Mundial.
Trump disse ainda queIsrael também suspenderá ataques contra o país e seus aliados. As forças americanas permanecem em alerta máximo para a retomada da ofensiva.
O que Washington diz e o que Teerã não confirmou
O secretário de Estado, Marco Rubio, declarou que Teerã está ansioso por um acordo depois que ataques americanos degradaram suas defesas.
Até o momento, o governo iraniano não confirmou publicamente os termos descritos por Trump. Em pronunciamento anterior, Hasan Ghashghavi, representante do Comitê de Segurança Nacional iraniano, afirmou que a única opção aceitável para resolver o conflito em torno de Ormuz continuava sendo uma proposta apresentada pelo próprio Irã.
Por que a China cancelou suas exportações de petróleo em meio à crise de Hormuz?Segundo fonte da Casa Branca ouvida pela imprensa americana, a Arábia Saudita manifestou preocupação com a possibilidade de retaliação iraniana contra a infraestrutura energética do reino e de outros países do Golfo, caso os Estados Unidos atacassem instalações de energia no Irã.
O Departamento de Estado americano mantém alertas para cidadãos em Bahrein, Israel, Iraque, Jordânia, Kuwait, Líbano, Omã, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, com recomendação de se prepararem para cancelamentos de voos e fechamentos temporários de espaço aéreo.
Um ciclo que se repete desde março
O anúncio segue um padrão que se repetiu ao longo do ano: ultimato, prorrogação de prazo, ameaça de ataque e recuo diplomático.
Em 26 de março, Trump estendeu por dez dias o prazo dado ao Irã para responder a uma proposta sobre a reabertura do estreito. Em 6 de abril, afirmou que o país poderia ser aniquilado em uma noite e fixou novo prazo para o dia seguinte.
Em 7 de abril, anunciou um cessar-fogo de duas semanas após conversas com o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, e com o chefe do Exército paquistanês, Asim Munir. À época, disse ter recebido uma proposta de dez pontos de Teerã, considerada base viável para negociação.
Um acordo provisório foi firmado em junho. Ele passou a ser questionado depois que Trump anunciou, em 13 de julho, a cobrança de 20% sobre todas as cargas que trafegassem pelo estreito — medida que contrariou posição do próprio Rubio, que em 23 de junho afirmara que tal cobrança seria vedada pelo direito internacional.
O anúncio da taxa fez o Brent subir 4,22%, para US$ 79,22, e o WTI avançar 4,26%, para US$ 74,45.
Por que o estreito importa
O Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e concentra parte decisiva do comércio mundial de energia.
O fechamento da rota, no início do ano, retirou mais de 10 milhões de barris por dia do mercado — cerca de 13% da oferta normal, segundo o Banco de Compensações Internacionais (BIS). Nas crises do petróleo dos anos 1970, a perda foi de aproximadamente 8%.
O Brent subiu 67% em menos de duas semanas, até um pico intradiário de US$ 120. A liberação de 400 milhões de barris de reservas estratégicas pela Agência Internacional de Energia, a maior da história, cobriu apenas 20 dias do fluxo perdido.
Mais de 40 ativos de energia em nove países foram severamente danificados até o fim de março. No Catar, a capacidade de gás natural liquefeito caiu 17%, com recuperação plena estimada em até cinco anos.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) trabalha, em suas projeções de julho, com a premissa de reabertura do estreito a partir de meados do mês e normalização até março de 2027. O cenário prevê petróleo a US$ 89,27 o barril em 2026 e US$ 78,70 em 2027, com preços de energia cerca de 25% acima do nível anterior ao conflito.
Na América Latina, a gasolina no varejo já subiu 15% em razão do choque.
