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Sacre Investimentos
Mundo
22/09/2026
3 min

Trump chega à ONU sem câmeras e ouve de repórter: 'estou aqui convidada pela ONU'

Boicote da imprensa e restrições da Casa Branca marcam a entrada do presidente, que chegou às 9h43, em imagens obtidas com exclusividade pela EXAME

Trump chega à ONU sem câmeras e ouve de repórter: 'estou aqui convidada pela ONU'

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou ao edifício das Nações Unidas por volta das 9h43, no horário local, já com o discurso do secretário-geral António Guterres em andamento.

Ao entrar com a Assembleia Geral em curso, o americano perdeu boa parte da fala de despedida do português, que deixa o comando da organização em dezembro.

Diferentemente dos anos anteriores, não houve imagens de grandes emissoras do presidente cruzando a porta e subindo a escada rolante rumo ao plenário.

Na chegada deste ano, somente um pequeno grupo de jornalistas o abordou. "Estou aqui convidada pela ONU", disse uma das repórteres presentes, em imagens obtidas com exclusividade pela EXAME.

A fala remete às restrições impostas pela Casa Branca à imprensa nos últimos dias. Na semana passada, Trump determinou o veto de CNN, MS NOW e Politico, cujos jornalistas tiveram as credenciais recolhidas ao tentar entrar na Casa Branca.

Em reação, as grandes redes de televisão suspenderam a cobertura conjunta que costumam dividir entre si, e os três veículos barrados foram à Justiça.

Diante das barreiras, repórteres passaram a buscar credenciamento por outras vias, entre elas a própria ONU e o gabinete da primeira-dama, Melania Trump, que liberou o acesso de uma jornalista da CNN a um evento paralelo à Assembleia.

Não é a primeira vez que a passagem de Trump pela ONU rende atrito. Em 2025, a escada rolante parou no momento exato em que ele e a mulher, Melania, subiam ao plenário, e o teleprompter falhou nos primeiros minutos da fala, obrigando-o a recorrer a anotações em papel.

Na época, do púlpito, o americano ironizou que a escada defeituosa e o equipamento com problema eram tudo o que havia recebido da organização. Dias depois, elevou o tom e classificou o episódio como uma "tripla sabotagem", exigindo uma investigação.

A ONU respondeu que a parada da escada pode ter sido provocada por um integrante da comitiva americana e que o teleprompter pertencia à própria equipe do presidente.

Neste ano, a organização afirmou ter tomado medidas para garantir o funcionamento das escadas e evitar novo constrangimento.

Discurso defende

O presidente deve defender sua ofensiva militar no Hemisfério Ocidental, que inclui ataques dos Estados Unidos a embarcações acusadas de traficar drogas, afirmando que o país não tolerará ameaças em nenhum ponto da região e que recorrerá ao próprio poderio militar, se preciso.

A ofensiva, porém, é contestada. Na véspera, um especialista em direito da ONU divulgou um estudo apontando que esses ataques já mataram mais de 220 pessoas, violaram o direito internacional e podem configurar crimes contra a humanidade.

Os trechos indicam ainda que Trump voltará a defender a guerra travada por Estados Unidos e Israel contra o Irã, apresentada por ele como necessária para eliminar a capacidade nuclear iraniana.

O conflito é impopular entre os americanos, e o presidente vem demonstrando irritação com líderes europeus, alguns presentes na Assembleia, que se recusaram a entrar na guerra.

Cuba também deve ser alvo: pelo texto preparado, ele acusará o regime cubano de articular, por décadas, com grupos radicais de esquerda e redes comunistas dentro dos próprios Estados Unidos.

AutorLia Rizzo
FonteExame
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