Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
Mundo
27/05/2026
4 min

Trump condiciona acordo de paz com o Irã à adesão de aliados aos Acordos de Abraão

Trump condiciona acordo de paz com o Irã à adesão de aliados aos Acordos de Abraão

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira, 27, que um eventual acordo de paz com o Irã poderá depender da adesão de aliados de Washington no Oriente Médio aos Acordos de Abraão, iniciativa diplomática voltada à normalização das relações com Israel.

Durante reunião realizada na Casa Branca, Trump disse que países como Arábia Saudita e Catar deveriam integrar o acordo. “Não tenho certeza se devemos fechar o acordo se eles não assinarem para se juntar aos Acordos de Abraão”, declarou o presidente norte-americano.

Segundo Trump, o tema também foi discutido no último sábado em uma conversa telefônica com representantes e líderes de Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Egito, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Paquistão e Turquia, dentro das negociações relacionadas ao conflito com o Irã.

“Gostaríamos que eles se somassem aos Acordos de Abraão. Seria algo histórico se o fizessem e, sinceramente, penso que nos devem isso. Acredito que seria realmente um sinal tremendo, e penso que esses países devem isso”, afirmou o presidente dos EUA.

A possível normalização das relações entre Arábia Saudita e Israel representaria uma mudança no cenário geopolítico do Oriente Médio. O governo saudita, no entanto, mantém a posição de que só avançará nesse processo diante da criação de um caminho considerado viável para o estabelecimento de um Estado palestino.

Durante o governo de Joe Biden, os Estados Unidos também buscaram ampliar os Acordos de Abraão com a entrada da Arábia Saudita. As negociações perderam força após os ataques do Hamas contra Israel, em 7 de outubro de 2023, e o início da ofensiva israelense na Faixa de Gaza.

Os Acordos de Abraão foram lançados durante o primeiro mandato de Trump e resultaram na formalização das relações diplomáticas entre Israel e Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Sudão e Marrocos.

Insatisfação com as negociações

Donald Trump declarou que ainda não está satisfeito com o andamento das negociações com o Irã e voltou a mencionar a possibilidade de uma nova ofensiva militar contra o país. A manifestação ocorreu durante reunião com integrantes de seu gabinete na Casa Branca, segundo a Reuters.

Segundo Trump, Teerã demonstra interesse em fechar um acordo, mas as conversas ainda não avançaram ao ponto esperado por Washington.

“O Irã tem muita vontade de chegar a um acordo. Até agora não chegamos lá. Não estamos satisfeitos com isso, mas estaremos ou teremos simplesmente que terminar o trabalho”, afirmou.

O presidente americano também disse que não tem pressa para chegar a um entendimento antes das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para novembro. O pleito definirá o controle do Congresso dos Estados Unidos.

Trump também minimizou os impactos eleitorais das negociações ao citar o resultado das primárias republicanas realizadas no Texas nesta terça-feira. O presidente mencionou a vitória de um candidato apoiado por ele como sinal de força política do Partido Republicano.

EUA e Irã tentam avançar em acordo sobre Ormuz e programa nuclear

Vista de satélite do Estreito de Ormuz com linhas gráficas brancas representando rotas marítimas globais e tráfego marítimo entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã. Conceito estratégico de transporte de petróleo

Estreito de Ormuz: abertura da rota de escoamento do petróleo segue incerta. (GettyImages)

Os Estados Unidos e Irã intensificaram contatos diplomáticos na última semana por meio de mediadores do Paquistão. As conversas buscam encerrar o conflito iniciado em 28 de fevereiro e retomar a circulação marítima no estreito de Ormuz.

A televisão estatal iraniana divulgou nesta quarta-feira um suposto rascunho de pré-acordo entre os dois países. O documento previa a reabertura do estreito de Ormuz e deixava as negociações sobre o programa nuclear iraniano para uma etapa posterior.

Por outro lado, a Casa Branca classificou o memorando divulgado pela emissora iraniana como falso.

Segundo o conteúdo apresentado pela televisão estatal, o Irã se comprometeria a restabelecer o fluxo comercial marítimo no estreito de Ormuz dentro do prazo de um mês, em coordenação com Omã. Em contrapartida, os Estados Unidos suspenderiam restrições impostas a portos e navios iranianos e retirariam forças militares posicionadas nas proximidades do território iraniano.

O rascunho divulgado pela mídia iraniana previa um período de 60 dias para negociações sobre temas ligados ao programa nuclear do Irã. A etapa ocorreria após a retomada do tráfego marítimo no estreito de Ormuz.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta terça-feira que ainda existem divergências entre os dois lados no texto preliminar das negociações. Segundo ele, os impasses devem exigir “alguns dias” adicionais de conversas diplomáticas.

AutorMateus Omena
FonteExame
Distribuído por