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Mundo
03/11/2026
7 min

Trump confirma ataque dos EUA ao Irã e diz que ofensiva foi de menor escala

Presidente americano afirmou que forças dos EUA atingiram uma instalação antiaérea iraniana; operação ocorre em meio às negociações com Teerã e à alta do petróleo

Trump confirma ataque dos EUA ao Irã e diz que ofensiva foi de menor escala
RESUMO +

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou nesta terça-feira, 3, que forças americanas realizaram um ataque contra uma instalação antiaérea no Irã. A declaração ocorreu após o The Wall Street Journal revelar bombardeios contra a ilha iraniana de Qeshm, no Estreito de Ormuz, na segunda-feira, 2. Trump classificou a operação como um ataque de menor escala. A ofensiva ocorre apesar dos sinais de negociação entre Washington e Teerã e provocou uma reação no mercado de petróleo, com os contratos futuros do Brent e do WTI em alta nesta terça-feira.


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou nesta terça-feira, 3, que o Exército americano realizou um ataque contra uma instalação antiaérea no Irã.

A declaração ocorreu após relatos da imprensa sobre bombardeios contra a ilha iraniana de Qeshm, no Estreito de Ormuz, na segunda-feira, 2.

"Eles construíram uma instalação antiaérea (...) Assim que ficou pronta, nós a atacamos ontem à noite muito bem", afirmou Trump em entrevista telefônica ao programa Fox & Friends, da Fox News.

O republicano classificou a operação como um "ataque menor", sem apresentar detalhes adicionais sobre os danos provocados.

A confirmação ocorreu depois de o jornal The Wall Street Journal revelar que os Estados Unidos realizaram ataques limitados contra Qeshm, localizada na entrada do Estreito de Ormuz.

A ofensiva ocorreu enquanto o presidente Donald Trump sinalizava a possibilidade de um acordo diplomático com o Irã, às vésperas das eleições de meio de mandato americanas.

De acordo com autoridades americanas ouvidas pelo jornal, os bombardeios fazem parte de uma série de operações militares de menor escala conduzidas discretamente por Washington nas últimas semanas. Diferentemente dos ataques realizados no início da guerra, essas ações não foram anunciadas publicamente.

A ilha de Qeshm registrou cinco explosões em rápida sucessão, segundo a agência estatal iraniana IRNA.

Os ataques já repercutem no mercado de petróleo. Os contratos futuros da commodity voltaram a subir nesta terça-feira, 3, após uma queda de quase 8% na sessão anterior, diante dos temores de novas interrupções no abastecimento pelo Estreito de Ormuz. Na atualização do mercado, o Brent avançava 1,29%, a US$ 106,12 por barril, enquanto o WTI subia 1,68%, a US$ 98,08.

Autoridades dos Estados Unidos descreveram os ataques como defensivos, destinados a impedir que forças iranianas ameaçassem embarcações comerciais que transitam pela região.

O governo americano teria optado por manter as operações fora dos comunicados oficiais para evitar a impressão de que pretende retomar uma ofensiva militar de grande escala, segundo uma das fontes ouvidas pelo Wall Street Journal.

O que aconteceu na ilha iraniana de Qeshm?

Segundo o Wall Street Journal, houve pelo menos dois incidentes envolvendo forças americanas e iranianas na segunda-feira.

Em um deles, a Guarda Revolucionária do Irã lançou um míssil terra-ar contra um caça americano, que respondeu ao ataque em legítima defesa, de acordo com autoridades dos Estados Unidos.

Em outro episódio, militares americanos interceptaram um míssil disparado de Qeshm que teria como alvo embarcações comerciais no Estreito de Ormuz.

A ilha abriga uma base naval, instalações subterrâneas de mísseis e uma importante unidade de dessalinização de água. A região já havia sido alvo de ataques americanos em etapas anteriores do conflito.

Em entrevista à Fox News nesta terça-feira, Trump afirmou que as forças americanas atingiram uma instalação antiaérea recém-construída no Irã. O presidente, no entanto, não detalhou a localização exata do alvo nem informou a extensão dos danos.

O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), responsável pelas operações militares americanas no Oriente Médio, não havia respondido aos pedidos de comentários sobre os novos ataques.

Trump fala em acordo com Irã apesar dos ataques

As operações ocorreram em um momento de sinais contraditórios de Washington sobre o futuro da guerra, iniciada no fim de fevereiro com ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.

Na segunda-feira, Trump minimizou a possibilidade de uma retomada dos combates em grande escala.

"Tivemos uma guerra com o Irã. Nós vencemos", afirmou o presidente a jornalistas. "Nem sei se podemos chamar de guerra, porque não temos combatido há meses."

Na mesma data, o republicano afirmou em sua rede social, Truth Social, que um acordo com Teerã poderia acontecer e que o governo iraniano desejava chegar a um entendimento rapidamente.

A declaração contrasta com a confirmação feita nesta terça-feira de que forças americanas atacaram uma instalação antiaérea iraniana. Trump, porém, tratou a operação como uma ação militar limitada.

O vice-presidente JD Vance também demonstrou otimismo em relação às negociações.

"Sem dúvida, conseguimos alguns avanços. Vamos ver se podemos avançar ainda mais", declarou.

Apesar do discurso diplomático, integrantes do governo americano discutem alternativas para ampliar a pressão sobre o Irã. Entre as opções apresentadas a Trump estão novos ataques aéreos, o endurecimento das sanções econômicas e o reforço do bloqueio ao comércio iraniano, segundo o Wall Street Journal.

O comandante do Centcom, almirante Brad Cooper, esteve na Casa Branca na semana passada para apresentar ao presidente informações sobre o conflito. As forças americanas também reforçaram sistemas de defesa antimísseis e o envio de munições para a região.

Como os ataques ao Irã afetam o petróleo?

Os contratos futuros do petróleo voltaram a subir nesta terça-feira, 3, após despencarem quase 8% na sessão anterior. A recuperação ocorre depois dos ataques americanos à ilha de Qeshm, que aumentaram os temores de novas interrupções no fornecimento da commodity pelo Estreito de Ormuz.

Na atualização do mercado, o WTI para dezembro avançava 1,68%, a US$ 98,08 por barril, enquanto o Brent para janeiro subia 1,29%, a US$ 106,12. Em outubro, o Brent acumulou valorização de quase 14%.

Na segunda-feira, os preços haviam recuado diante dos sinais de uma possível solução diplomática para o conflito. Trump e o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, enviaram sinais construtivos sobre a possibilidade de negociações.

A reação nos preços internacionais do petróleo reflete a preocupação dos investidores com a segurança da rota marítima e os riscos de uma nova escalada militar entre Washington e Teerã.

O Estreito de Ormuz é uma rota estratégica para as exportações de petróleo e gás dos países do Golfo. As restrições ao tráfego marítimo na região estão entre os principais fatores de preocupação para o abastecimento internacional de energia.

Segundo nota do banco japonês MUFG, as eleições americanas de meio de mandato desta terça-feira colocam em foco "as perspectivas para a segurança regional nos próximos dias".

Enquanto Estados Unidos e Irã discutem um entendimento, a China também participa de iniciativas diplomáticas. Na segunda-feira, Pequim recebeu representantes iranianos e sauditas para reuniões sobre a situação regional.

O ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, afirmou que seu país apoia o Irã na defesa de sua soberania e segurança.

As negociações ocorrem no dia das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, enquanto o governo Trump avalia os próximos passos militares e diplomáticos no Oriente Médio.

Irã condiciona reabertura do Estreito de Ormuz a acordo

O governo iraniano afirmou estar disposto a reabrir o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo, em até dois dias, desde que os Estados Unidos aceitem suas exigências.

A declaração foi feita pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei.

Em setembro, Teerã havia apresentado um plano para reabrir a passagem marítima. As condições incluíam o fim da guerra em todas as frentes, o descongelamento de ativos iranianos, a suspensão das sanções petrolíferas e o encerramento do bloqueio americano aos portos do país.

Trump não aceitou as condições apresentadas.

"A possibilidade de implementar este plano em dois dias é mais uma demonstração da postura de boa-fé do Irã", afirmou Baghaei.

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou nesta terça-feira, 3, que o país está preparado para uma eventual retomada da guerra, mas defendeu uma saída negociada.

"A bola agora está no campo dos Estados Unidos para evitar a guerra", disse.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, também confirmou a existência de consultas indiretas sobre o conflito, que classificou como intensas diante da gravidade da situação.

*Com AFP

AutorEstela Marconi
FonteExame
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