Trump defende que presidente da Fifa se torne líder da ONU, diz jornal

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deseja que o presidente da Fifa, Gianni Infantino, seja o próximo secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), segundo o jornal americano New York Post.
De acordo com o jornal, Trump acredita que o dirigente suíço reúne as qualidades necessárias para comandar o organismo internacional após o fim do mandato do português António Guterres, previsto para dezembro — fontes próximas ao presidente afirmam que Trump considera Infantino uma figura "respeitada em todo o mundo" e capaz de unir diferentes países.
Ao longo do torneio, Infantino se aproximou de Trump, participando de diversos eventos ao lado do presidente e, inclusive, concedendo-lhe o primeiro Prêmio da Paz da entidade, entregue em dezembro.
Apesar do interesse da Casa Branca, ainda não há confirmação de que Infantino pretenda concorrer ao cargo. Também não está claro se o tema foi discutido diretamente entre os dois líderes. Ainda assim, aliados de Trump afirmam que o presidente vê espaço para lançar um nome alternativo diante do novo grupo de candidatos.
Sucessão
Perspectiva da Assembleia Geral da ONU (AFP)
O próximo secretário-geral substituirá o português António Guterres no fim de dezembro, e a competição deste ano é marcada por mulheres. Entre os nomes mais conhecidos cotados para a sucessão de Guterres estão a ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet; Rebeca Grynspan, ex-vice-presidente da Costa Rica; e a equatoriana María Fernanda Espinosa, ex-presidente da Assembleia Geral da ONU.
Além disso, também compete o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o argentino Rafael Grossi. Segundo o Post, todos esses candidatos poderiam enfrentar resistências diplomáticas de Washington e de outros membros permanentes do Conselho de Segurança.
A eventual candidatura de Infantino também romperia a expectativa de que o próximo secretário-geral seja escolhido entre representantes da América Latina ou do Caribe, região que não ocupa o cargo desde o peruano Javier Pérez de Cuéllar, entre 1982 e 1991. Ainda assim, fontes ouvidas pelo Post afirmam que o critério informal de rodízio geográfico não impediria a indicação do dirigente da Fifa.
Para assumir o comando da ONU, qualquer candidato precisa ser recomendado pelos 15 integrantes do Conselho de Segurança — onde Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido e França possuem poder de veto — antes de ser aprovado pela Assembleia Geral da organização.
Endosso e amizade
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, entrega ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a bola oficial do novo Mundial de Clubes da Fifa durante encontro no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, D.C. ((Foto: Jim Watson / AFP))
O empresário e diplomata ítalo-americano Paolo Zampolli, enviado especial de Trump para parcerias globais, também afirmou que Infantino teria condições de desempenhar bem o papel à frente da ONU. Segundo ele, a experiência do dirigente na administração de uma entidade com mais de 200 associações nacionais filiadas demonstra capacidade de lidar com negociações multilaterais semelhantes às conduzidas pela organização internacional.
Além das frequentes aparições públicas com Infantino, o presidente americano recebeu o dirigente diversas vezes na Casa Branca, onde foram exibidos troféus da competição e realizadas cerimônias oficiais.
A possível indicação também ocorre em meio à relação conturbada entre Trump e a ONU. Desde que retornou à presidência, o republicano reduziu as contribuições financeiras dos Estados Unidos ao organismo e retirou o país de diversas agências vinculadas às Nações Unidas, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Unesco e o Conselho de Direitos Humanos.Caso aceitasse o cargo, Infantino teria de abrir mão de uma remuneração significativamente maior. Atualmente, o presidente da Fifa recebe cerca de US$ 6 milhões por ano, enquanto o salário anual do secretário-geral da ONU gira em torno de US$ 418 mil. Além disso, o suíço já confirmou que disputará a reeleição à presidência da Fifa, cujo processo eleitoral ocorrerá em março do próximo ano.
Embora conte com amplo apoio das federações nacionais para permanecer à frente da entidade máxima do futebol, Infantino enfrenta críticas por sua proximidade com Trump.
Durante a Copa do Mundo, o presidente americano interveio publicamente em favor da reintegração do atacante Folarin Balogun à seleção dos Estados Unidos após uma suspensão, o que provocou reações negativas entre dirigentes europeus e reacendeu questionamentos sobre a atuação política do presidente da Fifa.
