Trump devolve proposta ao Irã e amplia impasse sobre acordo nuclear e Ormuz

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu devolver ao Irã a proposta de acordo que vinha sendo negociada entre os dois países, exigindo mudanças em pontos considerados essenciais pela Casa Branca, segundo informações da CNN. A decisão foi tomada após uma reunião com assessores na sexta-feira e deve estender as negociações por pelo menos mais uma semana.
De acordo com autoridades americanas, as principais exigências envolvem compromissos ligados ao programa nuclear iraniano e garantias sobre a reabertura do Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde passa uma parcela significativa do petróleo comercializado globalmente.
Os detalhes das alterações não foram divulgados. Fontes da administração americana afirmam, no entanto, que Trump também demonstrou preocupação com eventuais concessões econômicas a Teerã. O presidente busca evitar comparações com o acordo nuclear firmado em 2015 durante o governo Barack Obama, frequentemente criticado por ele por considerar que oferecia benefícios excessivos ao regime iraniano.
A nova rodada de negociações ocorre apenas uma semana depois de Trump afirmar que o acordo estava próximo de ser fechado e sugerir que as tensões entre os dois países caminhavam para uma solução.
Desde então, autoridades americanas relataram avanços nas conversas para encerrar as hostilidades, restabelecer a navegação no Estreito de Ormuz e abrir uma etapa mais aprofundada de negociação sobre o programa nuclear do Irã.
Apesar do discurso otimista da Casa Branca, uma reunião de aproximadamente duas horas realizada na sexta-feira terminou sem decisão final. Trump chegou a afirmar nas redes sociais que faria uma “determinação definitiva” sobre o acordo, mas acabou optando por encaminhar novas exigências aos negociadores iranianos.
Programa nuclear e compensações econômicas seguem em disputa
As conversas continuam marcadas por diferenças importantes entre os dois lados.
Trump afirmou recentemente que os Estados Unidos assumiriam o controle do estoque iraniano de urânio altamente enriquecido e destruiriam o material como parte do acordo. O governo iraniano, porém, sustenta que as negociações atuais não incluem discussões detalhadas sobre o futuro de seu programa nuclear.
Também há divergências sobre os aspectos econômicos do entendimento. Enquanto Trump afirma que não foram discutidas transferências de recursos ou mecanismos de alívio financeiro para Teerã, autoridades iranianas defendem que qualquer acordo precisará contemplar medidas concretas nessa direção.
Neste domingo, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, reforçou essa posição ao afirmar que o país não aceitará um entendimento sem garantias concretas para seus interesses.
Segundo ele, o governo iraniano não pretende se basear apenas em promessas diplomáticas e exigirá contrapartidas tangíveis antes de assumir novos compromissos.
Estreito de Ormuz permanece no centro das negociações
O controle do Estreito de Ormuz continua sendo uma das principais preocupações de Washington.
O senador democrata Chris Coons afirmou que as condições defendidas por Trump podem parecer razoáveis em teoria, mas questionou a capacidade de implementá-las na prática. Segundo ele, os confrontos recentes mostraram que o Irã mantém capacidade de interromper o tráfego marítimo na região por meio de minas navais e ataques com drones.
Na avaliação do parlamentar, mesmo diante da superioridade militar americana, ainda seria difícil eliminar completamente a capacidade iraniana de bloquear a passagem ou atacar aliados dos Estados Unidos na região.
Em resposta a esse risco, Trump determinou que a Marinha americana mantivesse o bloqueio aos portos iranianos e atuasse na remoção de minas instaladas nas proximidades do estreito.
O governo iraniano, por sua vez, considera que a supervisão da navegação em Ormuz faz parte de seus direitos soberanos, o que adiciona mais um ponto de atrito às negociações.
Operação militar continua durante as conversas
As negociações diplomáticas avançam paralelamente às operações militares americanas na região.
Segundo o Comando Central dos Estados Unidos, forças americanas interceptaram na sexta-feira um navio de bandeira gambiana que seguia em direção ao Irã após ignorar mais de 20 advertências. Um míssil foi disparado contra a casa de máquinas da embarcação para interromper sua navegação.
De acordo com os militares, este foi o quinto navio comercial interceptado desde o início do bloqueio marítimo. Além disso, mais de cem embarcações tiveram suas rotas alteradas para evitar a área de restrição imposta pelos Estados Unidos.
O episódio evidencia que, apesar das negociações em andamento, o ambiente permanece altamente volátil e que um acordo definitivo entre Washington e Teerã ainda está longe de ser garantido.
(Com informações de O Globo e AFP)
