Trump diz que Google recusou pedido para mudar nome do oceano Atlântico
Presidente relata conversa com Sundar Pichai e cogita chamar o Pacífico de Oceano Americano; empresa não confirmou o telefonema

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Donald Trump afirmou que discutiu com Sundar Pichai uma mudança no nome do oceano Atlântico. Segundo o presidente americano, o chefe do Google rejeitou a ideia. A declaração não equivale a uma alteração anunciada pela empresa. O episódio retoma a discussão sobre nomes geográficos depois da adoção de Golfo da América no Maps para usuários dos Estados Unidos.
Donald Trump afirmou nesta quarta-feira, 21, que telefonou ao CEO do Google, Sundar Pichai, para discutir a mudança do nome do oceano Atlântico. A declaração ocorreu em um comício em Pendleton, na Carolina do Sul, e foi noticiada pelo Washington Post nesta quinta-feira, 22.
Segundo o relato do presidente americano, Pichai recusou o pedido porque oceanos envolvem muitos países. Trump indicou que provavelmente deixaria a ideia de lado para o Atlântico, mas cogitou chamar o Pacífico de "Oceano Americano".
Segundo o Washington Post, o Google não respondeu ao pedido de comentário. A declaração não foi acompanhada de anúncio de mudança no Google Maps.
O que Trump já havia dito sobre os oceanos
A ideia apareceu antes do comício desta semana. Em um discurso em Dalton, na Geórgia, em 16 de outubro, Trump mencionou o nome "Trump Ocean" como possibilidade para o Atlântico ou o Pacífico, segundo a transcrição disponível no Trump Archive.
Na mesma fala, o presidente contou que havia procurado o Google e recebido uma negativa. Também afirmou que estava brincando. O registro ajuda a distinguir as sugestões feitas em discursos de uma decisão formal sobre nomes geográficos.
O Washington Post não especifica o novo nome proposto para o Atlântico no telefonema relatado nesta semana. A menção a "Oceano Americano" na reportagem se refere ao Pacífico.
O relato de um telefonema não é um anúncio de alteração no mapa.Não foi localizada, nas fontes consultadas para esta reportagem, uma ordem oficial para renomear o Atlântico. Tampouco foi encontrado comunicado do Google confirmando a conversa com Pichai ou anunciando essa atualização.
Por que o caso lembra o Golfo do México
O precedente é a mudança do nome do Golfo do México no Google Maps. Em 10 de fevereiro de 2025, a empresa informou que começou a adotar Golfo da América após a atualização do sistema americano de nomes geográficos, conhecido pela sigla GNIS.
A implementação não foi igual em todos os lugares: usuários nos Estados Unidos passaram a ver Golfo da América; no México, Golfo do México; e nos demais países, os dois nomes. Essa última regra inclui o Brasil.
No Maps, um mesmo lugar pode aparecer com nomes diferentes conforme o país do usuário.A disputa também teve efeitos dentro da empresa. Em janeiro de 2025, a EXAME noticiou a classificação dos EUA como país sensível pela divisão de mapas, citando informações da CNBC. A categoria abrange mercados com disputas territoriais e outras sensibilidades políticas.
Em maio daquele ano, Claudia Sheinbaum anunciou que o México havia acionado o Google na Justiça pela alteração. Para quem acompanha o episódio no Brasil, a diferença é importante: o precedente do golfo teve uma implementação documentada pela plataforma; a proposta para o Atlântico permanece um relato do presidente.
