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Sacre Investimentos
Mundo
23/06/2026
3 min

Trump diz que Irã aceitou inspeções nucleares, mas Teerã nega acordo

Trump diz que Irã aceitou inspeções nucleares, mas Teerã nega acordo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira, 23, que o Irã aceitou "plena e completamente" permitir o retorno dos inspetores nucleares da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) ao país e que a Marinha dos Estados Unidos deixará de bloquear o Estreito de Ormuz. Anteriormente, o governo iraniano negou que tenha feito esse compromisso e afirmou que não há planos para o retorno da agência às instalações nucleares atingidas por bombardeios.

A divergência surgiu após a primeira rodada de negociações de alto nível entreWashington e Teerã, realizada na Suíça. Segundo a Associated Press, o vice-presidente americano, JD Vance, afirmou na segunda-feira, 22, que as conversas haviam criado uma base positiva para um acordo final e que o Irã teria aceitado permitir a inspeção de instalações nucleares bombardeadas pelos Estados Unidos no ano passado.

Trump reforçou a declaração nesta terça-feira, 23, em uma publicação na rede Truth Social. "O Irã aceitou plena e completamente inspeções nucleares do mais alto nível por um longo período de tempo (!!!Infinito!!!). Isso garantirá a 'Honestidade Nuclear'", publicou o republicano.

"Com base nisso e em outras concessões importantes que o Irã está fazendo, concordei em permitir que o Estreito de Ormuz permaneça ABERTO, sem qualquer outro bloqueio naval", acrescentou.

Irã nega acordo sobre inspeções

Pouco antes da declaração de Trump, autoridades iranianas rejeitaram a informação de que Teerã teria autorizado o retorno dos inspetores da AIEA às principais instalações nucleares do país.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou que nenhuma visita da agência internacional havia sido marcada para os locais atingidos por ataques americanos. Segundo a AFP, o governo iraniano argumenta que questões de segurança impedem o acesso às instalações.

AAIEA mantém presença no Irã desde a guerra de 12 dias ocorrida em 2025, mas ainda não recebeu autorização para inspecionar os centros de enriquecimento nuclear atingidos pelos Estados Unidos.

Estreito de Ormuz permanece no centro das negociações

Além das inspeções nucleares, oEstreito de Ormuz se tornou um dos principais pontos das negociações entre os dois países. A passagem marítima, por onde circula uma parcela importante das exportações globais de petróleo e gás, foi afetada pela escalada militar no Oriente Médio.

Trump afirmou que a Marinha americana deixaria de bloquear o estreito após as concessões atribuídas ao Irã. Ele disse, porém, que navios da frota dos Estados Unidos permaneceriam na região caso fosse necessário retomar o bloqueio.

O trânsito pela rota começou a apresentar sinais de recuperação. Segundo dados da empresa de monitoramento marítimo Kpler citados pela CBS, 35 navios comerciais atravessaram o Estreito de Ormuz na segunda-feira, o maior volume desde o início da guerra. O número, no entanto, ainda representa cerca de um terço do fluxo registrado antes do conflito.

O principal negociador iraniano afirmou que o estreito “nunca mais retornará às condições anteriores à guerra” e que o Irã manterá controle sobre a via marítima.

AutorPaloma Lazzaro
FonteExame
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