Trump diz que Israel e Hezbollah concordaram em não se atacar mutuamente

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que Israel e o Hezbollah aceitaram interromper os ataques no Líbano, em uma tentativa de reduzir a tensão regional após o Irã anunciar a suspensão das negociações de cessar-fogo com Washington.
Segundo Trump, houve contatos telefônicos tanto com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, quanto com representantes do Hezbollah, organização classificada pelos EUA como terrorista.
“Não haverá tropas indo para Beirute, e quaisquer tropas que estivessem a caminho já foram impedidas de entrar”, afirmou Trump nesta segunda-feira em publicação nas redes sociais. “Tive uma ótima conversa com o Hezbollah, e eles concordaram que todos os disparos cessarão — que Israel não os atacará e eles não atacarão Israel.”
Até o momento, Israel e Hezbollah não confirmaram publicamente as conversas mencionadas pelo presidente americano.
Os confrontos registrados no Líbano nos últimos dias aumentaram o risco de comprometer as negociações indiretas entre Estados Unidos e Irã sobre a ampliação do acordo de cessar-fogo. Ainda nesta segunda-feira, Teerã anunciou a suspensão das tratativas em resposta à ofensiva israelense em território libanês.
Efeitos no mercado do petróleo
A decisão provocou reação imediata no mercado internacional de energia. O petróleo Brent, referência global, avançou 7%, ultrapassando os US$ 97 por barril.
De acordo com a agência semioficial Tasnim, os negociadores iranianos vão interromper “as conversas e a troca de documentos por meio de mediadores”. A informação foi atribuída a uma declaração cuja origem não foi identificada. A reportagem também afirmou que o Irã ameaçou bloquear totalmente o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo e gás natural liquefeito.
Estreito de Ormuz: abertura da rota de escoamento do petróleo segue incerta. (GettyImages)
Antes da suspensão, Washington e Teerã vinham trocando mensagens por canais indiretos sobre um possível acordo que estenderia o cessar-fogo por aproximadamente dois meses. Em troca, o Irã reabriria o Estreito de Ormuz e os Estados Unidos retirariam restrições aos portos iranianos.
Trump afirmou anteriormente que ainda não havia recebido uma resposta oficial do Irã sobre os relatos envolvendo a interrupção das negociações. A declaração foi divulgada por um repórter da NBC em publicações nas redes sociais.
“Vamos simplesmente ficar em silêncio. Manteremos o bloqueio”, disse Trump em entrevista, segundo o repórter. “Isso não significa que vamos começar a bombardear tudo por lá.”
A agência iraniana semioficial Mehr informou, citando uma fonte de segurança em Teerã, que após a tentativa frustrada de reabrir o Estreito de Ormuz, “os EUA buscaram aumentar a pressão sobre a liderança de Teerã e capitalizar o período de cessar-fogo expandindo as operações militares no Líbano e em Gaza”.
Ainda segundo a Mehr, Estados Unidos e Israel tentaram estabelecer uma estratégia de “Líbano em troca de rendição”. A avaliação da agência é de que Washington acreditava que a ampliação das operações militares no Líbano e em Gaza levaria o Irã a “revisar seus cálculos”.
Desafios do governo Trump
O governo Trump enfrenta pressão crescente para encerrar o conflito, que contribuiu para a alta dos preços da energia e enfrenta resistência entre parte significativa da população americana. Ao mesmo tempo, a Casa Branca precisa lidar com possíveis críticas caso aceite liberar bilhões de dólares em recursos iranianos congelados, uma das exigências de Teerã.
“Apenas relaxem, tudo vai dar certo no final”, afirmou Trump no fim do domingo, pelo horário dos EUA, em publicação nas redes sociais.
Enquanto isso, o Estreito de Ormuz voltou a registrar episódios de confronto. No fim de semana, forças americanas atingiram radares e centros iranianos de comando e controle. Os militares dos EUA classificaram a operação como uma resposta "compensada" às "ações agressivas do Irã", incluindo a derrubada de um drone em águas internacionais.
Nesta segunda-feira, o Comando Central dos EUA informou que dois mísseis balísticos iranianos lançados contra forças americanas estacionadas no Kuwait foram interceptados. Segundo uma fonte familiarizada com a situação, três mísseis atingiram a base aérea de Ali Al-Salem. O terceiro projétil foi interceptado pelas autoridades kuwaitianas.
O Irã mantém a posição de que qualquer entendimento com Washington deve abranger todos os conflitos na região, incluindo o Líbano. No país, o Hezbollah, apoiado por Teerã, mantém confrontos paralelos com Israel. Apesar de não participar diretamente das negociações entre Estados Unidos e Irã, Israel ampliou sua ofensiva terrestre no Líbano durante o fim de semana, enquanto o Hezbollah intensificou ataques ao norte do território israelense.
A agência semioficial Iranian Students’ News Agency informou que Teerã poderá ampliar suas ações contra o norte de Israel caso os ataques israelenses ao Líbano continuem. A informação foi atribuída ao Comando Militar Central iraniano.
Segundo a Tasnim, o Irã e o chamado “Eixo da Resistência” — denominação utilizada para grupos apoiados por Teerã na região — passaram a incluir tanto o Estreito de Ormuz quanto o Estreito de Bab el-Mandeb em sua agenda estratégica.
