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Mundo
08/11/2026
4 min

Trump diz que novos ataques contra Irã são 'altamente improváveis'

Presidente americano cita inflação recorde no país persa e condiciona trégua a um acordo 'muito forte' sobre programa nuclear e tráfego marítimo

Trump diz que novos ataques contra Irã são 'altamente improváveis'

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo, 8, que é "altamente improvável" que precise ordenar que o país volte à guerra contra o Irã, desde que haja progresso nas negociações sobre o programa nuclear de Teerã e a reabertura do Estreito de Ormuz.

Durante uma entrevista de 20 minutos à emissora CNN, o republicano repetiu a afirmação cinco vezes.

"Depende de eles assinarem ou não um acordo muito forte", declarou Trump, referindo-se ao governo iraniano. "A resposta é que é altamente improvável que seja necessário. Eles são uma nação em colapso. Acabou de sair, vocês viram neste ano, uma inflação de 301%. Altamente improvável que seja necessário. Eu faria se fosse preciso, mas nós os atingimos com muita força. Vocês não sabem o quão forte nós batemos."

"Eles estão definhando financeiramente. Nós os atingimos militarmente. Poderíamos acabar com eles", acrescentou o mandatário.

Estagnação militar e pressão no Estreito de Ormuz

Oito meses após o início da guerra, os dois lados enfrentam um impasse. O cenário recente é marcado por poucas ações militares diretas e lentidão diplomática, enquanto navios petroleiros que cruzam o Estreito de Ormuz continuam sendo alvo de ataques iranianos.

Autoridades dos dois países e do Catar, que atua como mediador das conversas, têm mantido silêncio sobre o andamento das negociações.

No entanto, a ala linha-dura do regime iraniano tem interpretado o resultado das eleições de meio de mandato americanas — impulsionado em parte pela impopularidade do conflito entre os eleitores dos EUA — como um sinal de enfraquecimento do governo Trump.

Para Teerã, a nova correlação de forças forçaria Washington a ceder às demandas persas: a manutenção do controle do estreito e a continuidade de seu programa nuclear, que o Irã alega ter fins puramente energéticos.

Paralelamente, o país persa luta para vender petróleo bruto nos mercados globais sob o peso das sanções americanas, enquanto bilhões de dólares em ativos mantidos em bancos estrangeiros continuam congelados.

"Estamos prontos para isso"

Apesar de já ter emitido sinais mistos sobre sua disposição de encerrar o conflito, Trump deixou claro na entrevista que as Forças Armadas americanas estão posicionadas na região caso ele dê a ordem de ataque. "Estamos prontos para isso. Tenho três porta-aviões lá. O último acabou de chegar. Eles estão totalmente carregados e preparados", alertou.

O presidente revelou ainda que os EUA já identificaram os alvos de infraestrutura no interior do Irã em caso de retomada militar, incluindo usinas de energia e pontes. "Temos 38 pontes em nossa mira que podemos derrubar em literalmente uma hora. Todas cairiam."

Trump ponderou, contudo, que preferiria não destruir a infraestrutura civil iraniana. "Eu não quero fazer isso porque, essencialmente, levará 10 anos para reconstruí-las", disse. "Não gosto de derrubar pontes. A coisa mais difícil de se construir é uma ponte. Leva anos, e eu sou um bom construtor."

Arsenal iraniano esgotado e movimentação diplomática

A atividade diplomática em todo o Oriente Médio se intensificou desde a última terça-feira, 3, após o fechamento das urnas legislativas nos EUA.

Na sexta-feira, 6, o Catar informou que Trump telefonou para o emir Tamim bin Hamad Al Thani para discutir a desescalada das tensões.

Um dia antes, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, conversou com seus homólogos de Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Omã, Paquistão, Kuwait, Jordânia, Turquia, Chipre e do próprio Catar.

Sobre a capacidade de defesa de Teerã contra novos ataques dos Estados Unidos, o republicano afirmou que o sistema antiaéreo rival foi aniquilado. "Eles não podem nos parar porque não têm equipamento antiaéreo. Toda a defesa antiaérea deles acabou."

O presidente também forneceu novos detalhes sobre a situação dos estoques militares do país inimigo, estimando que o regime mantenha apenas 10% de sua capacidade de mísseis e 15% de sua frota de drones. "A única coisa que eles podem fazer é operar nesse nível de 10% — fabricar alguns mísseis e drones. Drones em cerca de 15%, porque a maior parte de suas fábricas desapareceu."

"Muito provavelmente não será necessário [atacar]", repetiu Trump sobre a perspectiva de uma nova ação militar. "Eles querem muito fechar um acordo."

AutorDiego Pavão
FonteExame
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