Trump diz que os EUA vão atacar o Irã com força nesta semana: 'não há nada que possam fazer'

Os ataques realizados nesta segunda-feira, 13, representam a terceira noite seguida de ataques militares dos Estados Unidos contra o Irã, em meio a uma sequência mais ampla de ações e respostas entre os dois países que provocou alta nos preços internacionais do petróleo.
"Esses ataques continuarão impondo um custo elevado às forças iranianas e reduzindo sua capacidade de atacar civis inocentes e navios comerciais no Estreito de Ormuz", afirmou o Comando Central dos EUA, responsável por supervisionar as operações militares americanas no Oriente Médio.
A nova ofensiva ocorreu depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar, durante uma entrevista de rádio, que Washington iria "atingi-los com força total hoje à noite e vamos atingi-los com força amanhã. E não há absolutamente nada que eles possam fazer a respeito".
Na semana anterior, Trump declarou que o acordo de cessar-fogo, que tinha como objetivo permitir a reabertura do Estreito de Ormuz para o transporte de cargas estratégicas de petróleo, havia "acabado".
Com a continuidade das ações militares, cresce a possibilidade de uma nova escalada do conflito na região.
Também na segunda-feira, as Forças Armadas dos EUA informaram que restabeleceriam, por determinação do presidente, o bloqueio naval contra embarcações com destino ou origem em portos e áreas costeiras do Irã. A medida entraria em vigor às 16h de terça-feira, no horário de Washington.
Impactos no mercado de petróleo
No mercado internacional, o petróleo Brent encerrou o pregão de segunda-feira com valorização próxima de 10%, negociado a US$ 83,30 por barril. O valor representa o maior patamar desde 12 de junho e reflete o aumento das tensões entre Washington e Teerã.
Durante a entrevista concedida à rádio, Trump descreveu os líderes iranianos como "loucos" e "um tanto desequilibrados". Segundo ele, o governo iraniano deixou de cumprir os compromissos previstos no "memorando de entendimento" firmado entre Estados Unidos e Irã no mês passado.
"Basicamente, eles quebram os acordos. Sabe, eles fazem acordos e, para eles, acordos servem para serem quebrados", disse Trump. "São pessoas extremamente pouco confiáveis e, francamente, se algum dia tivessem uma arma nuclear, a usariam em questão de um dia."
Desde a última terça-feira, os Estados Unidos realizaram cinco rodadas de ataques contra centenas de alvos em território iraniano. As ofensivas foram apresentadas como resposta às ações da Guarda Revolucionária Islâmica contra embarcações comerciais que tentavam cruzar o Estreito de Ormuz.
Controle do Estreito de Ormuz
Horas antes, Trump afirmou à Fox News que os Estados Unidos iriam "assumir o controle do estreito" e atuar como seus "guardiões".
Do lado iraniano, autoridades indicaram que a resposta às ações americanas continuará, incluindo ataques contra navios comerciais que utilizam a rota marítima. Em comunicado divulgado na segunda-feira, o Quartel-General Central Khatam al-Anbiya afirmou que Teerã não permitirá que os Estados Unidos "interferissem na gestão" do estreito, considerado um dos principais instrumentos de influência estratégica do país.
Paralelamente ao bloqueio naval, Trump anunciou a cobrança de uma taxa de 20% sobre as cargas transportadas pelo Estreito de Ormuz.
Com os preços atuais do petróleo, a tarifa representaria um acréscimo de aproximadamente US$ 16 por barril de petróleo bruto transportado pela rota, ou cerca de US$ 32 milhões para cada superpetroleiro que cruzasse o estreito. O presidente americano, contudo, não detalhou como a medida seria colocada em prática em uma área cuja autoridade é reivindicada tanto por Washington quanto por Teerã.
Em relatório divulgado na segunda-feira, analistas do Citigroup avaliaram que "os riscos de uma escalada militar" aumentariam "significativamente" caso os Estados Unidos levassem adiante a cobrança da taxa de 20%.
"Também aumentou a possibilidade de o regime iraniano abandonar o [acordo provisório] até depois das eleições de meio de mandato nos EUA; tal cenário muito provavelmente resultaria em preços do petróleo mais elevados por um período prolongado", afirmou o banco em nota aos clientes.
