Trump diz que unificação da Irlanda seria 'fantástica' e que vai acontecer eventualmente
Em Dublin, presidente americano defendeu reunificação da ilha, tema sensível que depende de referendos e do aval britânico; Visita ao país foi marcada por protestos neste sábado, 12

Mais de um século após a divisão da ilha da Irlanda, a possibilidade de uma reunificação voltou ao centro do debate político neste sábado, 12.
Durante uma visita a Dublin, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que “adoraria ver” a Irlanda do Norte deixar o Reino Unido e se unir à República da Irlanda, afirmando que o processo “vai acontecer eventualmente”.
Ao lado do primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin, após uma reunião na capital do país, Trump classificou uma eventual unificação como “uma coisa fantástica”.
O presidente americano reconheceu, porém, que o Reino Unido terá papel decisivo na questão.
“Do meu ponto de vista, isso acabará acontecendo. Pode muito bem acontecer agora”, disse Trump a jornalistas.
A ilha da Irlanda é dividida entre a República da Irlanda, país independente ao sul, e a Irlanda do Norte, que integra o Reino Unido desde 1921. A separação está no centro de uma disputa histórica entre nacionalistas irlandeses, que defendem a reunificação, e unionistas, que querem manter o território ligado ao Reino Unido.
O tema ganhou novos contornos após o Acordo da Sexta-Feira Santa, firmado em 1998, que encerrou três décadas de conflito conhecido como The Troubles, período de violência sectária que deixou cerca de 3 mil mortos.
++ Leia mais: Trump diz que houthis pediram que EUA não intervenham no conflito no Iêmen
Pelo acordo, um referendo sobre a saída da Irlanda do Norte do Reino Unido só pode ser convocado pelo governo britânico caso haja evidências de que a maioria da população do território apoiaria a reunificação.
A população da República da Irlanda também precisaria aprovar a mudança em uma votação separada.
Protestos em Dublin
A visita de Trump à Irlanda também foi marcada por manifestações na capital. Centenas de pessoas foram às ruas de Dublin neste sábado, 12, para protestar contra a presença do presidente americano no país.
Os manifestantes carregavam cartazes com críticas à política externa dos Estados Unidos e à atuação de Trump. Entre as mensagens exibidas estavam frases como “as pessoas da Irlanda não querem Trump aqui”, “não aos planos dos EUA, sem guerra” e acusações de que o presidente seria “fascista” e “genocida”.
Outros cartazes diziam que Trump teria causado “demasiado sofrimento” no mundo.
(Photo by Arthur Carron / AFP) (AFP)
O presidente americano chegou à Irlanda para uma visita de dois dias. Após passar algumas horas em Dublin, onde se reuniu com autoridades locais para compromissos diplomáticos, o presidente seguiu para o oeste do país, onde fica o Trump International Golf Links, seu campo de golfe, para acompanhar o Irish Open.
Reação do Reino Unido
A declaração de Trump ocorre semanas após o novo primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, afirmar que um referendo sobre a saída da Irlanda do Norte do Reino Unido estava “fora de questão”.
Após a fala do presidente americano, fontes do gabinete de Burnham disseram à Reuters que a posição do governo britânico permanece inalterada.
Pelo Acordo da Sexta-Feira Santa, a decisão sobre convocar uma consulta popular cabe ao governo britânico, que deve avaliar se existe uma maioria provável favorável à reunificação entre os eleitores da Irlanda do Norte.
(Photo by Arthur Carron / AFP)
