Trump endurece regras para empresas de defesa dos EUA comprarem minerais críticos da China

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta segunda-feira, 20, um decreto que amplia as exigências para empresas de defesa obterem isenções para comprar minerais críticos e outros materiais da China e de fornecedores estrangeiros sujeitos a restrições.
A medida estabelece novos critérios para exceções às regras de aquisição e busca reduzir a dependência de cadeias internacionais na produção de armamentos.
Pelas novas determinações, o custo ou a facilidade de acesso a um fornecedor chinês não serão suficientes para justificar uma isenção. As companhias terão de demonstrar que buscaram outras fontes antes de recorrer a fornecedores proibidos.
Para receber uma exceção, as empresas precisarão comprovar a procura por alternativas, informar a origem dos materiais adquiridos e apresentar um plano para diminuir a dependência de fornecedores sujeitos às restrições. O descumprimento dos novos requisitos poderá afetar a participação das companhias em licitações, com possibilidade de perda de oportunidades de contratos.
“Chega de: ‘tentamos de tudo e não temos mais opções’”, afirmou Peter Navarro, conselheiro sênior da Casa Branca para comércio e manufatura, durante uma coletiva com jornalistas antes da divulgação da ordem executiva.
A reação ao anúncio também chegou ao mercado acionário. Os papéis da MP Materials, empresa na qual o Pentágono mantém uma participação de aproximadamente 15%, passaram para o campo positivo após a notícia. As ações encerraram esta segunda-feira com alta de 1%, cotadas a US$ 45,70.
Pentágono quer mapear origem de materiais usados em armamentos
O Pentágono tem pressionado empresas do setor de defesa, como Lockheed Martin e Boeing, a ampliar a produção de armamentos. Ao mesmo tempo, o departamento busca identificar pontos de dependência na cadeia de suprimentos militar.
Parte dos minerais críticos e materiais processados utilizados em mísseis, aeronaves e outros sistemas militares ainda tem origem em fornecedores chineses. Essa dependência coloca as empresas diante de duas demandas: reduzir compras ligadas à China e manter o fornecimento necessário à produção destinada às forças americanas e aos aliados dos Estados Unidos.
A China, por sua vez, tem adotado restrições ao acesso a minerais críticos. Esses insumos fazem parte de cadeias industriais que atendem setores como defesa, tecnologia e produção de componentes.
O decreto também determina que o Pentágono amplie o mapeamento da cadeia de defesa para identificar a origem de minerais críticos, componentes e outros materiais antes que eles cheguem às empresas responsáveis pela fabricação dos sistemas militares.Uma cadeia de fornecimento pode envolver diferentes níveis de fornecedores até alcançar a contratada responsável pelo produto final. A determinação busca identificar essas etapas e verificar a presença de empresas sob controle estrangeiro entre os fornecedores envolvidos na produção.
O mapeamento também deverá permitir que autoridades identifiquem se fornecedores controlados por estrangeiros podem comprometer a disponibilidade de materiais e componentes durante um conflito.
“Isso não é burocracia. É preparação para o campo de batalha”, afirmou Navarro. Segundo o conselheiro, o Pentágono precisa identificar antecipadamente se sistemas de mísseis ou outras plataformas militares dependem de fornecedores controlados por estrangeiros.
As empresas contratadas também terão de avaliar seus fornecedores com base em critérios como propriedade estrangeira, vulnerabilidade financeira e riscos relacionados à fabricação. O decreto prevê ainda a substituição de fornecedores classificados como não confiáveis dentro desses critérios.
