Trump nega pagamento de US$ 300 bilhões para reconstrução do Irã: 'É falso'

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira, 18, que o governo norte-americano não desembolsará US$ 300 bilhões (cerca de R$ 1,5 trilhão) para a reconstrução do Irã, apesar de o valor constar no acordo de paz assinado na quarta-feira, 17, entre Trump e o presidente iraniano, Masou Pezeshkian.
O documento prevê a elaboração de um plano de reconstrução e desenvolvimento econômico para o Irã com "valor mínimo de US$ 300 bilhões". O texto também estabelece que os Estados Unidos serão responsáveis por desenvolver a iniciativa em conjunto com parceiros da região do Golfo Pérsico.
O acordo, porém, não detalha a origem dos recursos que financiarão o programa.
Ao comentar o tema nesta quinta-feira, Trump negou que os Estados Unidos sejam os responsáveis pelo aporte financeiro previsto no documento.
"Não há nenhum pagamento de US$ 300 bilhões dos EUA ao Irã. Isso é notícia falsa! Tudo o que importa para os EUA é o sucesso, a queda dos preços do petróleo e a vitória. Observem o mercado de ações", disse Trump em uma postagem em sua rede social Truth Social.
Também por meio da Truth Social, o presidente norte-americano cobrou o cumprimento do cessar-fogo previsto no acordo firmado entre Israel e Irã.
Trump disse esperar "um cessar-fogo completo em todas as frentes, incluindo Líbano, Hezbollah e Israel", em uma postagem em sua rede social Truth Social.
Na mesma mensagem, o presidente reforçou a necessidade de manutenção dos compromissos assumidos pelas partes envolvidas nas negociações.
"Encorajamos todos na região do Oriente Médio a manterem seu compromisso de permitir que nossas negociações se desenvolvam da melhor forma possível", escreveu Trump.
Os principais pontos do acordo de paz
Iranianos na praia de Suru, em Bandar Abbas, no Estreito de Ormuz: agência iraniana Tasnim diz que o Irã suspendeu as negociações com os EUA (AMIRHOSSEIN KHORGOOEI/ISNA/AFP/Getty Images)
Pelos termos estabelecidos, Estados Unidos e Irã concordam em interromper as hostilidades, reabrir o estreito de Ormuz e iniciar um período de negociações de dois meses para alcançar um entendimento definitivo sobre o programa nuclear iraniano e a retirada das sanções impostas ao país.
O memorando determina “o fim imediato e permanente das operações militares em todas as frentes”, abrangendo também a ofensiva israelense em território libanês.
Veja a seguir os 14 pontos previstos no entendimento entre os dois países:
- Encerramento das hostilidades: Estados Unidos e Irã declaram o fim imediato e permanente da guerra em todas as frentes, incluindo operações no Líbano. As partes também assumem o compromisso de não iniciar novos confrontos e de respeitar a soberania e a integridade territorial libanesas.
- Respeito à soberania: Os dois países concordam em não interferir nos assuntos internos um do outro e em preservar suas respectivas integridades territoriais.
- Negociação de acordo definitivo: Washington e Teerã terão até 60 dias para negociar um acordo final, prazo que poderá ser estendido caso haja concordância entre as partes.
- Retirada militar e fim do bloqueio naval: Os Estados Unidos se comprometem a suspender o bloqueio marítimo contra o Irã e retirar suas forças da região próxima ao país em até 30 dias após a assinatura do memorando.
- Reabertura do Estreito de Ormuz: O Irã deverá restabelecer a navegação no estreito em até 30 dias, garantindo a passagem segura e gratuita de embarcações comerciais durante 60 dias. O governo iraniano também discutirá com Omã e outros países do Golfo Pérsico a futura gestão da rota marítima.
- Plano de reconstrução econômica: Os Estados Unidos e seus parceiros regionais desenvolverão um programa de reconstrução e desenvolvimento para o Irã, com recursos mínimos previstos de US$ 300 bilhões.
- Suspensão das sanções: Washington promete encerrar todas as sanções contra o Irã, incluindo medidas aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU, pelo Conselho de Governadores da AIEA e restrições unilaterais impostas pelos Estados Unidos.
- Compromissos nucleares: O Irã reafirma que não produzirá nem obterá armas nucleares. Os dois governos também negociarão um mecanismo para tratar do urânio enriquecido sob supervisão da AIEA e manterão discussões futuras sobre enriquecimento e outros temas nucleares.
- Manutenção do cenário atual: Até a conclusão do acordo definitivo, o Irã continuará com sua política nuclear atual, enquanto os Estados Unidos não adotarão novas sanções nem ampliarão sua presença militar no Oriente Médio.
- Comércio de petróleo: Os Estados Unidos permitirão que o Irã volte a comercializar petróleo e produtos petroquímicos nos mercados internacionais.
- Liberação de ativos iranianos: Washington se compromete a desbloquear integralmente recursos financeiros e ativos iranianos que estavam congelados ou sujeitos a restrições.
- Mecanismo de supervisão: As partes criarão uma estrutura de monitoramento para acompanhar o cumprimento do memorando e a implementação do futuro acordo definitivo.
- Foco das negociações futuras: Após a entrada em vigor das cláusulas 1, 4, 5, 10 e 11, as discussões passarão a tratar exclusivamente dos demais pontos pendentes do acordo.
- Ratificação internacional: O acordo final deverá ser formalizado por meio de uma resolução vinculante do Conselho de Segurança da ONU no prazo de até 60 dias.
Por outro lado, o texto do memorando não estabelece qual será o nível máximo de enriquecimento de urânio permitido ao Irã. De acordo com a emissora norte-americana CNN, a definição sobre o destino do material nuclear iraniano e dos estoques de urânio enriquecido foi deixada para a etapa final das negociações, que deverá ser concluída em até 60 dias.
