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Mundo
23/06/2026
4 min

Trump publica artigo que classifica as eleições do Brasil como ‘próximo teste’ para sua influência

Trump publica artigo que classifica as eleições do Brasil como ‘próximo teste’ para sua influência

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump divulgou nesta terça-feira, 23, em sua conta na rede social Truth Social, um artigo de opinião que aborda a influência do republicano em processos eleitorais na América Latina.

O texto destaca a eleição presidencial brasileira, prevista para outubro, como o seu “próximo grande teste” político na região. A publicação ocorre em meio ao aumento das divergências entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O artigo, intitulado “Trump conquista oito vitórias em sete anos na América Latina”, foi veiculado pela plataforma de notícias “Newsmax”. A análise toma como ponto de partida a vitória de Abelardo de la Espriella na disputa presidencial da Colômbia, realizada no último domingo.

Ao tratar do Brasil, o colunista afirma que a próxima corrida presidencial poderá representar "a disputa mais consequente do hemisfério" sob influência política de Trump. O texto também cita os embates políticos envolvendo a família Bolsonaro e o presidente Lula.

Na avaliação apresentada pelo artigo, o processo eleitoral brasileiro tem gerado um "intenso debate sobre a integridade do sistema eleitoral brasileiro e sobre se a disputa será conduzida de uma forma considerada livre e justa por todos os lados".

“Caso o Brasil venha a se juntar à crescente lista de países que se movem para a direita, o mapa político da América Latina será drasticamente diferente do que era há apenas uma década”, escreveu o colunista John Gizzi no artigo compartilhado por Trump.

A publicação descreve o resultado eleitoral colombiano como "mais do que uma reviravolta política em uma das nações mais problemáticas da América Latina". Segundo o texto, a Colômbia tornou-se o oitavo país latino-americano, em sete anos, a trocar um governo de esquerda por uma administração de centro-direita alinhada ao ex-presidente americano.

O artigo também afirma que parte dos apoiadores de Trump passou a vê-lo "como uma força política comparável a Simón Bolívar — líder latino-americano cujas ideias remodelaram a direção política de diversas nações das Américas".

Na conclusão, o texto adapta o slogan utilizado pelo republicano e afirma: "Trump is truly making the Americas great again" ("Trump está realmente tornando as Américas grandes novamente", em tradução livre).

A relação entre Trump e Lula

A divulgação do artigo acontece em um momento de troca de críticas entre Trump e Lula, contrastando com a avaliação de uma "química excelente" mencionada pelo americano em setembro do ano passado.

Durante a reunião do G7, na quarta-feira passada, Trump classificou o Brasil como um “país politicamente difícil”. Já dois dias depois, afirmou que Lula seria uma pessoa “muito volátil” e declarou que “não poderia se importar menos” com o presidente brasileiro.

Em entrevista ao site americano Axios, ao responder sobre características de um “grande líder”, Trump mencionou Lula:

"Eu observei o Brasil, o líder de lá, que conheço um pouco. Tivemos alguns contatos. Ele é uma pessoa muito volátil”"

Na sequência, o republicano afirmou que não costuma pensar no presidente brasileiro:

"Para ser sincero, não penso nele. Realmente não penso nele. Não poderia me importar menos. Mas agora ele é um tipo diferente de pessoa. Muito volátil. Eu o vi fazendo um discurso. Foi um discurso muito volátil, e tudo bem".

Ao final da resposta, Trump ressaltou que considera os chefes de Estado pessoas preparadas para exercer suas funções:

"Você não chega a esse nível sem ser inteligente. Sabe quem é muito inteligente? O presidente Xi (Xi Jinping), da China. Ele é um homem muito inteligente. Você não alcança esses níveis, governando um país, mesmo que seja um país pequeno, sem ter algo especial. Em alguns casos, as coisas não dão certo, mas é preciso ter algo especial. Não é uma tarefa fácil".

Lula respondeu às declarações feitas pelo americano durante o encontro do G7 e afirmou esperar que Trump respeite a soberania brasileira durante o processo eleitoral.

" Ele (Trump) tem direito de ter as preferências eleitorais dele. Eu só espero que ele não fira o código de ética entre as nações que querem ser respeitadas na sua soberania, só espero isso. Para mim ele pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto, não tem nenhum problema. Agora, não se meta nas eleições do Brasil porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil. A única coisa que quero é o respeito pelo Brasil".

O presidente brasileiro também defendeu o sistema de urnas eletrônicas e declarou que pretende apresentar uma urna eletrônica a Trump em um próximo encontro entre os dois.

AutorMateus Omena
FonteExame
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