Trump quer que americanos recebam parte dos lucros com IA; veja três propostas

A inteligência artificial promete remodelar a economia global e uma pergunta que cada vez mais parece atingir Washington é justamente quem vai ficar com o dinheiro desta onda de valorização. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse explorar formas de garantir que o público estadunidense tenha participação nos lucros do setor.
A ideia ainda não tem forma definida, mas três caminhos já estão no radar, de acordo com informações da Reuters.
Um dos modelos em discussão replica o acordo firmado com a Intel, no qual o governo federal adquiriu participação de 10% na empresa em troca de bilhões de dólares para expandir a capacidade de produção nacional de chips.
O problema é que isso pode criar conflito de interesse, conforme o republicano que lidera a política de IA no Abundance Institute, Neil Chilson.
"Isso coloca o governo numa posição em que ele não está mais focado em garantir que os EUA tenham a capacidade necessária para proteger o interesse público e está mais focado em garantir que seu investimento dê retorno", pontuou.
A Alphabet, controladora do Google, anunciou este mês que ampliará suas ofertas de ações para US$ 84,7 bilhões, enquanto a OpenAI e a Anthropic também registraram, confidencialmente, pedidos de abertura de capital nos EUA.
A OpenAI mira valuation de até US$ 1 trilhão.
Imposto pago em ações
Outra proposta vem do senador Bernie Sanders, independente de Vermont. Ele defende usar o sistema tributário, com grandes empresas de IA cedendo ao governo uma participação de 50% e representação nos seus conselhos administrativos.
"O povo americano deveria poder impedir o que é ruim e se beneficiar dos ganhos financeiros da IA", segundo Sanders, em fala repercutida pela agência.
A ideia dialoga com uma proposta acadêmica de dois professores de direito que sugere um imposto pago em ações em vez de dinheiro, transferindo capital para o governo sem exigir investimento público direto.
Dividendos para os cidadãos
O terceiro caminho é distribuir os lucros da IA à população. A OpenAI propôs em abril a criação de um "fundo de riqueza pública" para investir em empresas do setor e repassar os rendimentos aos cidadãos.
A Anthropic vai na mesma direção e afirma estar explorando um "dividendo digital", com pagamentos aos estadunidenses financiados por impostos sobre o setor de IA.
O modelo tem precedente no Fundo Permanente do Alasca, criado com receitas do petróleo, o qual distribui dividendos anuais aos residentes do estado e ajuda a financiar o orçamento local.
Defensores da ideia argumentam que a IA, por depender de dados gerados publicamente, justifica lógica semelhante. "A infraestrutura pública nos EUA é um domínio dos cidadãos", na visão do professor da Universidade Rutgers, Joseph Blasi.
"Não é algo que um bilionário ou um trilionário aqui ou ali possa simplesmente tomar para si", acrescentou à Reuters.
Já o professor da Universidade George Washington, Jeremy Bearer-Friend, ressaltou, todavia, que o modelo não daria ao governo uma participação majoritária nas empresas.
