TSMC tem lucro recorde com IA — e ainda não consegue atender à demanda
Fabricante de chips para Nvidia e Apple lucrou US$ 23,6 bilhões no trimestre e prevê crescimento de aproximadamente 44% na receita anual

RESUMO +
A TSMC registrou seu sexto recorde trimestral consecutivo de lucro e elevou a expectativa de crescimento para 2026. A demanda por chips de IA sustenta as encomendas, enquanto componentes mais caros pressionam mercados de consumo.
A corrida para construir a infraestrutura da inteligência artificial continua enchendo as fábricas da TSMC. A companhia taiwanesa anunciou nesta quinta-feira, 15, um lucro líquido recorde de 763,06 bilhões de dólares taiwaneses, aproximadamente US$ 23,6 bilhões, no terceiro trimestre. O resultado cresceu 68,7% em relação ao mesmo período de 2025.
Maior fabricante de chips sob encomenda do mundo, a empresa produz semicondutores para clientes como Nvidia e Apple. Seu negócio transforma os projetos dessas companhias em componentes físicos, uma etapa que exige fábricas caras, equipamentos especializados e capacidade de produção que leva anos para ser ampliada.
A receita trimestral atingiu US$ 46,72 bilhões, com alta anual de 41,2% em dólares americanos. A margem bruta chegou a 66,4%. Foi o sexto trimestre consecutivo em que a empresa superou seu próprio recorde de lucro.
TSMC eleva previsão de crescimento para 2026
Na teleconferência de resultados, a companhia aumentou a projeção de crescimento da receita anual para aproximadamente 44%. Antes, esperava uma expansão superior a 40%. Para o quarto trimestre, estima-se faturar entre US$ 52,3 bilhões e US$ 54,3 bilhões.
A revisão acompanha uma procura por chips de inteligência artificial que, segundo a administração, continua muito acima da capacidade de fornecimento. A disputa por capacidade também abre espaço para concorrentes que tentam conquistar encomendas de empresas de tecnologia.
A TSMC manteve seu orçamento de investimentos para 2026 entre US$ 60 bilhões e US$ 64 bilhões.
Chips de 2 nanômetros ganham espaço
O balanço também mostra a entrada de uma nova geração de fabricação nas receitas. Os processos de 2 nanômetros responderam por 8% do faturamento com wafers, as bolachas de silício sobre as quais os circuitos são produzidos. A participação dos processos de 3 nanômetros foi de 33%.
Somadas, as tecnologias de 7 nanômetros ou mais avançadas representaram 79% dessa receita. O percentual se refere ao faturamento com wafers, e não à receita total da companhia.
Demanda por IA convive com cautela no consumo
Para C.C. Wei, CEO da TSMC, a força da IA convive com dificuldades nos segmentos mais sensíveis a preço. Na teleconferência, o executivo apontou o encarecimento de componentes e as incertezas macroeconômicas como pressões sobre os mercados de consumo, segundo a Reuters.
“Estamos sendo prudentes no planejamento dos nossos negócios para 2027”, afirmou.
A diferença ajuda a explicar por que a expansão da IA pode coexistir com dificuldades em produtos como smartphones. Para a TSMC, as encomendas já se traduzem em receita e lucro.
Para quem compra os processadores, o desafio seguinte é transformar essa capacidade de computação em serviços pelos quais os clientes estejam dispostos a pagar.
