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CarreiraBDR
02/09/2026
5 min

Uber demitirá 10% dos funcionários, cortará níveis de chefia e reduzirá trabalho remoto

Mesmo com receita quase três vezes maior em cinco anos, corte pode atingir 3,4 mil trabalhadores globalmente. Outra mudança da empresa é que apenas 1% da equipe poderá trabalhar remoto

Uber demitirá 10% dos funcionários, cortará níveis de chefia e reduzirá trabalho remoto

A Uber anunciou uma ampla reestruturação de sua força de trabalho que resultará na demissão de cerca de 10% dos funcionários da companhia. Globalmente, a companhia possui 34.000 funcionários e operações em mais de 70 países, e tem o Brasil como o principal mercado.

O corte faz parte de uma reorganização que também prevê a redução de níveis hierárquicos, a união de equipes e uma mudança significativa na política de trabalho remoto.

Em comunicado enviado aos funcionários, Dara Khosrowshahi, CEO da Uber, afirma que a decisão acontece justamente em um momento de expansão dos negócios. Segundo o executivo, a receita da companhia quase triplicou nos últimos cinco anos, período em que a empresa lançou produtos, entrou em novos mercados e ampliou sua base de consumidores.

O crescimento, no entanto, também teria deixado a estrutura mais complexa.

“Esse crescimento também trouxe complexidade: mais níveis hierárquicos, mais coordenação, propriedade mais fragmentada e, em alguns casos, estruturas que faziam sentido quando as empresas eram menores, mas que não nos servem mais bem em nossa escala atual”, afirmou Khosrowshahi no comunicado.

Todos os profissionais atingidos pelo corte já foram comunicados, segundo a companhia, com exceção dos países onde a legislação exige procedimentos locais específicos.

Veja também: CEO da Uber Brasil: ‘De vez em quando eu faço Uber’

Menos chefes e equipes maiores

Uma das principais mudanças está na estrutura de liderança.

A Uber afirma ter identificado, por meio de pesquisas internas e conversas com funcionários, que parte significativa do trabalho estava sendo consumida pela necessidade de coordenar diferentes equipes e alinhar decisões.

Na avaliação da empresa, havia casos em que os profissionais passavam tempo demais “alinhando” projetos em vez de construir produtos, realizar lançamentos ou atender clientes.

A resposta foi reduzir funções voltadas principalmente à coordenação e eliminar camadas da estrutura.

A companhia afirma ter diminuído em 20% o número de funcionários que estão a sete ou mais níveis hierárquicos de distância do CEO.

Outro alvo foram as chamadas “microequipes”, grupos comandados por gestores responsáveis por apenas um ou dois subordinados.

O número dessas estruturas foi reduzido em quase 50%.

A lógica é aumentar o número de profissionais sob responsabilidade de cada gestor e diminuir as camadas entre quem executa o trabalho e quem toma as decisões.

“Uma organização mais enxuta significará responsabilidades mais claras, decisões mais rápidas e mais tempo dedicado à construção em vez da coordenação”, afirma Khosrowshahi.

Veja também: ‘Uber Moto não dá lucro’: presidente da Uber explica por que esse serviço é estratégico no Brasil

Uber vai unir equipes

A reorganização também passa pela fusão de áreas que funcionavam separadamente.

As três equipes de Operações de Entrega — responsáveis por restaurantes, varejo e vendas diretas — serão reunidas em uma única estrutura nos níveis global, regional e nacional.

Segundo a companhia, administrar os negócios separadamente fazia sentido quando as operações eram menores, mas passou a gerar sobreposição de tarefas à medida que ganharam escala.

Na área de tecnologia, as equipes de Engenharia de Serviços Essenciais e Ciência também serão combinadas.

A expectativa é que a nova organização reduza a duplicidade de funções e acelere a tomada de decisões.

Trabalho remoto será exceção

A reestruturação também traz uma mudança relevante para quem trabalha longe dos escritórios da Uber.

A companhia pretende concentrar suas equipes em um número menor de polos e afirma que apenas cerca de 1% dos funcionários trabalhará remotamente daqui para frente.

A “grande maioria” dos atuais profissionais remotos será solicitada a se mudar para trabalhar a partir de um escritório.

As equipes globais serão concentradas principalmente em Nova York e São Francisco, enquanto áreas regionais e locais ficarão reunidas em polos definidos pela companhia.

A Uber também manterá sua política híbrida, que determina presença no escritório três dias por semana.

Um dos argumentos da empresa é aproximar gestores de seus times, especialmente funcionários que estão no começo da carreira.

“Os benefícios de trabalhar juntos, colaborar presencialmente e resolver problemas em equipe são mais evidentes do que nunca no mundo pós-Covid”, diz o comunicado.

Por que demitir se o negócio está crescendo?

O ponto mais incomum da reestruturação é que a Uber não apresenta os cortes como resposta a uma deterioração dos negócios.

Ao contrário. Khosrowshahi afirma que a companhia tem “um impulso tremendo”, capacidade financeira e grandes oportunidades de crescimento.

A justificativa está na tentativa de direcionar mais recursos para áreas consideradas estratégicas e evitar que o crescimento da empresa resulte em uma estrutura cada vez mais burocrática.

Parte das economias geradas pelos cortes, segundo o CEO, deverá ser reinvestida em crescimento, inovação e competências consideradas importantes para os próximos anos.

Entre as prioridades mencionadas estão investimentos em motoristas, entregadores e comerciantes, expansão da base de usuários, inovação nos negócios atuais e desenvolvimento de tecnologias relacionadas à mobilidade autônoma.

“Precisamos fazer escolhas conscientes sobre onde alocamos nossos recursos humanos, nosso tempo e nosso capital”, afirma Khosrowshahi.

Para o CEO, a meta é chegar a uma Uber menor em algumas áreas, mas com capacidade de tomar decisões mais rapidamente.

“Decidimos que era melhor fazer uma grande alteração em vez de várias pequenas”, afirma.

O movimento coloca a companhia entre as grandes empresas de tecnologia que passaram a questionar estruturas criadas durante anos de rápida expansão, e mostra que, mesmo em períodos de crescimento, tamanho da equipe e quantidade de gestores não são mais necessariamente tratados como sinais de força.

Na nova Uber desenhada pela liderança, a aposta é justamente no contrário: menos camadas, equipes maiores e mais funcionários trabalhando próximos uns dos outros.

AutorLayane Serrano
FonteExame
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