Uber paga US$ 14,8 bilhões para criar gigante global de delivery

A Uber vai comprar a alemã Delivery Heroem uma das maiores aquisições do setor de tecnologia do ano. A empresa americana firmou um acordo para adquirir a dona de marcas de entrega de comida como o foodpanda por 41,50 euros por ação, o equivalente a um valor de mercado de US$ 14,8 bilhões pela totalidade da companhia — ou US$ 13,7 bilhões, descontada a fatia que a Uber já detinha.
O anúncio foi feito nesta quinta-feira, 16, e cria uma das maiores plataformas de mobilidade e entrega do mundo. Juntas, as duas empresas passam a operar em 99 países, com um volume combinado de pedidos (gross bookings) de US$ 236 bilhões em 2025, segundo comunicado da Uber.
Por que a Uber quer a Delivery Hero
A lógica do negócio vem de um concorrente forte em outros países, a DoorDash.
A principal rival da Uber vinha se expandindo de forma agressiva fora dos Estados Unidos, e a rede da Delivery Hero — presente em mais de 70 países da Europa, Ásia, América Latina e Oriente Médio — funciona como um contrapeso imediato.
A compra fortalece a Uber Eats justamente nas regiões onde a americana era mais fraca. A operação estende o alcance da empresa a mercados onde ela tinha pouca presença, em vez de disputá-los um a um com a concorrente.
Uma investida que já durava anos
A aquisição é o desfecho de um namoro longo. A Uber começou a investir na Delivery Hero em 2024, com a compra de US$ 300 milhões em novas ações, e foi ampliando a posição aos poucos, até se tornar a maior acionista da alemã, com cerca de 37% do capital.
A proposta atual, porém, subiu em relação às primeiras. Em maio, a Uber havia feito uma oferta indicativa de cerca de 33 euros por ação; o valor final, de 41,50 euros, ficou bem acima.
Os conselhos de administração e de supervisão da Delivery Hero recomendaram unanimemente que os acionistas aceitem a oferta. A Prosus, outra grande acionista e controladora do iFood, já se comprometeu a vender sua fatia, o que elevaria o interesse econômico total da Uber para cerca de 53%.
Os obstáculos pela frente
O principal risco do negócio é regulatório. A sobreposição das duas empresas em partes da Europa e do Oriente Médio deve atrair o escrutínio de autoridades antitruste, e a Uber já explora a venda de ativos em algumas regiões para facilitar a aprovação.
A Delivery Hero, inclusive, já concordou em vender parte de seus negócios, cobrindo 14 mercados, para a firma de investimentos SSW Partners.
O acordo ainda depende do aval dos acionistas e dos reguladores. Se concluído, consolidará a Uber como uma potência global do delivery, em um setor que segue em disputa acirrada por escala.
