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15/10/2026
3 min

UBS eleva recomendação para ações brasileiras e vê potencial de valorização de 25% para Ibov — com uma condição

O UBS Global Wealth Management (GWM) elevou sua recomendação para as ações brasileiras de neutra para atrativa após o primeiro turno das eleições presidenciais. Para o banco, o resultado das urnas aumentou a possibilidade de uma mudança na política econômica, com potencial para reduzir o risco fiscal, abrir espaço para juros menores e impulsionar a […]

UBS eleva recomendação para ações brasileiras e vê potencial de valorização de 25% para Ibov — com uma condição

O UBS Global Wealth Management (GWM) elevou sua recomendação para as ações brasileiras de neutra para atrativa após o primeiro turno das eleições presidenciais. Para o banco, o resultado das urnas aumentou a possibilidade de uma mudança na política econômica, com potencial para reduzir o risco fiscal, abrir espaço para juros menores e impulsionar a Bolsa.

Segundo o UBS, o mercado ainda pode avançar nos próximos trimestres caso o cenário político se traduza em um ajuste fiscal crível e em uma agenda econômica voltada às reformas.

“Não acreditamos que a reprecificação positiva necessariamente termine com o movimento inicial após a eleição”, afirma o banco, em relatório.

A instituição estima que o Ibovespa (IBOV) pode ter um potencial adicional de valorização de aproximadamente 25% em relação aos níveis de mercado considerados na análise, caso os investidores passem a exigir um prêmio de risco menor para investir no país.

Ajuste fiscal e juros no radar

Na avaliação do UBS, o principal fator para sustentar uma alta mais duradoura da Bolsa será a capacidade do próximo governo de apresentar um plano fiscal consistente. Entre as medidas em discussão estão mudanças nas despesas obrigatórias, nos mecanismos de indexação e nos subsídios, além de reformas estruturais.

“Uma consolidação fiscal crível poderia reduzir o prêmio de risco estrutural do Brasil, permitir que o atual ciclo de flexibilização monetária se prolongasse e criar condições mais favoráveis para um crescimento econômico sustentável”, destaca o banco.

Juros menores também poderiam favorecer empresas mais sensíveis às condições financeiras, especialmente dos setores financeiro, de construção civil e de serviços públicos, além das companhias de menor capitalização de mercado.

O UBS espera que uma eventual expansão dos múltiplos das ações seja acompanhada por revisões positivas das estimativas de lucro das empresas, à medida que a redução dos juros e a melhora da confiança impulsionem a atividade econômica.

Riscos continuam no radar

Apesar da visão mais otimista, o banco ressalta que a eleição não elimina os riscos associados à economia brasileira. Entre os principais pontos de atenção estão a possibilidade de um ajuste fiscal insuficiente, dificuldades para aprovar reformas, frustração com a equipe econômica e aumento da volatilidade política.

O cenário internacional também pode limitar a valorização dos ativos, especialmente se os juros reais nos Estados Unidos permanecerem elevados ou se a inflação provocada pelos preços da energia persistir.

“O que mudou foi a assimetria”, resume o UBS ao avaliar o cenário brasileiro. Para a instituição, a probabilidade de um regime fiscal mais crível aumentou, criando espaço para um ciclo de redução do prêmio de risco, queda dos juros, fortalecimento da confiança e crescimento mais sustentável.

Com a mudança na alocação tática, o banco também rebaixou sua recomendação para títulos pós-fixados, de neutra para pouco atrativa, por considerar que o retorno desses investimentos tende a perder força com a queda da Selic. Já os títulos indexados à inflação e os ativos globais continuam classificados como atrativos.

Logo, a avaliação do UBS é que a Bolsa brasileira pode continuar se valorizando, mas a sustentação desse movimento dependerá menos do resultado eleitoral isoladamente e mais da capacidade do próximo governo de transformar as expectativas em medidas concretas de política econômica.

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AutorAnna Scabello
FonteMoney Times
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