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05/10/2026
5 min

UBS prevê disparada do Ibovespa, caso Flávio ganhe e implemente ajuste fiscal robusto — valorização pode chegar a 30%

O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais reforçou a visão de parte do mercado de que o Brasil pode caminhar para um cenário de maior disciplina fiscal nos próximos anos. Na avaliação do UBS Global Wealth Management (GWM), a liderança do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa presidencial e a composição mais à direita […]

UBS prevê disparada do Ibovespa, caso Flávio ganhe e implemente ajuste fiscal robusto — valorização pode chegar a 30%

O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais reforçou a visão de parte do mercado de que o Brasil pode caminhar para um cenário de maior disciplina fiscal nos próximos anos.

Na avaliação do UBS Global Wealth Management (GWM), a liderança do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa presidencial e a composição mais à direita do novo Congresso aumentam as chances de implementação de uma agenda de ajuste fiscal mais robusta, o que tende a favorecer especialmente os ativos ligados à economia doméstica.

Com 100% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com aproximadamente 47,1% dos votos válidos, à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que recebeu cerca de 45%. Como nenhum dos candidatos alcançou a maioria absoluta, a decisão ficará para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.

Para o UBS, o resultado eleitoral elevou a probabilidade de um cenário que já vinha sendo considerado pelo banco antes da votação: a adoção de uma âncora fiscal mais crível, apoiada por uma combinação de regra de gastos mais rígida, reformas voltadas à contenção das despesas obrigatórias e uma trajetória sustentável para o superávit primário.

Na visão dos estrategistas do banco, a perspectiva de uma política fiscal mais previsível teria potencial para impulsionar principalmente as ações brasileiras voltadas ao mercado interno, seguidas pelos juros locais e pelo real.

Por que as ações domésticas podem ser as maiores beneficiadas?

Segundo o UBS, as empresas mais dependentes da atividade econômica doméstica chegaram ao período eleitoral negociando com desconto relevante em relação ao seu histórico.

Embora o Ibovespa (IBOV) acumulasse valorização próxima de 14% no ano até a última sexta-feira antes da votação, o desempenho das ações brasileiras era consideravelmente mais modesto quando excluídas as petroleiras. Isso sugere que parte relevante do mercado ainda manteve posições defensivas diante das incertezas políticas e fiscais.

Além disso, o banco destaca que a Bolsa brasileira negocia atualmente a cerca de 8,7 vezes os lucros projetados para os próximos 24 meses, abaixo da média histórica de 9,7 vezes observada na última década.

Caso o cenário fiscal considerado pelo UBS se concretize, o banco acredita que o mercado pode passar por um processo gradual de reprecificação. Nesse contexto, o múltiplo de preço/lucro (P/L) poderia avançar para níveis próximos de 11,8 vezes os lucros futuros, patamar equivalente a um desvio-padrão acima da média histórica.

Somado à perspectiva de juros reais mais baixos e à melhora nas expectativas para os resultados das empresas, esse movimento poderia abrir espaço para uma valorização superior a 30% do Ibovespa ao longo dos próximos meses, segundo a instituição.

Setores mais expostos ao cenário

O UBS aponta que os segmentos mais sensíveis a uma eventual melhora das expectativas fiscais são justamente aqueles mais ligados ao ciclo econômico doméstico.

Entre os favoritos estão:

  • Bancos;
  • Varejo;
  • Construção civil;
  • Utilities;
  • Educação;
  • Saúde;
  • Small caps.

Outro fator que reforça a tese é o posicionamento ainda considerado baixo dos investidores locais. O banco observa que houve uma saída significativa de recursos domésticos da renda variável no início do ano, o que pode abrir espaço para uma recomposição gradual das posições caso a percepção de risco fiscal melhore.

O UBS também considera que, se os ciclos eleitorais anteriores servirem de parâmetro, a valorização da Bolsa não precisaria se limitar ao período imediatamente após as eleições.

O movimento poderia se estender ao longo do primeiro ano do próximo governo, à medida que eventuais propostas de reforma avançassem no Congresso e os investidores ganhassem confiança na capacidade de execução da agenda econômica.

Rotação pode tirar protagonismo das petroleiras

Em contrapartida, o banco acredita que as ações ligadas ao petróleo tendem a perder espaço relativo em um ambiente de melhora das perspectivas domésticas.

Na avaliação dos estrategistas, esses papéis já incorporam em grande medida um cenário de preços elevados do petróleo por um período prolongado e também vinham funcionando como proteção contra os riscos políticos e fiscais brasileiros.

Com a redução dessa percepção de risco, a preferência dos investidores poderia migrar das petroleiras para empresas mais expostas à economia local, especialmente aquelas que costumam se beneficiar de juros mais baixos e da retomada da atividade.

Por isso, a principal tese recomendada pelo UBS continua sendo uma rotação das ações de petróleo para companhias domésticas cíclicas.

Quais são os riscos para essa visão?

Apesar do otimismo, o banco destaca que a tese está longe de ser livre de riscos.

O primeiro deles é uma possível mudança relevante nas preferências do eleitorado até o segundo turno, alterando as probabilidades atualmente atribuídas pelo mercado aos diferentes cenários políticos.

Depois das eleições, os investidores também deverão acompanhar de perto a formação da equipe econômica do próximo governo e o grau de ambição do plano de consolidação fiscal. Para o UBS, a credibilidade da agenda dependerá tanto dos nomes escolhidos quanto das medidas efetivamente apresentadas.

Outro ponto de atenção é a capacidade de implementação das reformas no Congresso. Mesmo com um ambiente político aparentemente mais favorável, alterações em despesas obrigatórias e mecanismos de indexação costumam enfrentar resistência e não têm aprovação garantida.

Por fim, o UBS alerta que uma deterioração mais forte das condições financeiras globais poderia limitar ou até anular os ganhos dos ativos brasileiros, independentemente da trajetória política doméstica. Em outras palavras, mesmo que o cenário fiscal evolua na direção esperada, uma piora relevante do ambiente externo continua sendo uma ameaça para Bolsa, juros e câmbio.

AutorAnna Scabello
FonteMoney Times
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