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InvestMercadosACS
17/07/2026
6 min

Ultrapar passa Copasa e assume iderança das altas do Ibovespa em 2026

Ultrapar passa Copasa e assume iderança das altas do Ibovespa em 2026

A ação do Grupo Ultra (UGPA3), a Ultrapar, passou a Copasa (CSMG3) como maior alta da carteira do Ibovespa no ano. Agora, o papel acumula ganhos de 52,73% no período, ampliando a diferença com a companhia de saneamento, que avança 46,2% em 2026 até agora. UGPA3 fechou a sessão desta quinta-feira, 16, com alta de 2,77%, a R$ 31,96.

Em dois pregões, as ações acumulam ganhos de quase 6%. A empresa vai divulgar resultados do segundo trimestre no próximo dia 12 de agosto e os analistas que a acompanham se mostram mais otimistas com os resultados. O papel teve preço-alvo elevado, como avaliação positiva sobre o caixa da empresa e a possibilidade de dividendos robustos.

BTG Pactual eleva projeções para o 2T26

O BTG Pactual projeta EBITDA ajustado de R$ 3,354 bilhões para a Ultrapar no segundo trimestre de 2026, alta de 62% na comparação com o mesmo período do ano anterior. A margem EBITDA consolidada deve chegar a 8%, ante 6% um ano antes.

Segundo o banco, o resultado é puxado pela Ipiranga, que deve apresentar margem EBITDA de R$ 400 por metro cúbico no trimestre, salto de 238% ante os R$ 118 registrados no 2T25. Os analistas atribuem o desempenho à capacidade competitiva de suprimento de combustíveis da distribuidora, com forte exposição à Petrobras, e a um crescimento de volumes de cerca de 7% na comparação anual, para 6,1 milhões de metros cúbicos.

O BTG também espera uma redução de capital de giro de aproximadamente R$ 1,2 bilhão no trimestre, resultado de prazos de pagamento mais favoráveis nas importações de combustível. Isso deve elevar o fluxo de caixa livre para o acionista (FCFE) a cerca de R$ 2,8 bilhões, patamar que, segundo o banco, pode reduzir a relação dívida líquida/EBITDA para próximo de 1,2 vez.

Diante desse cenário, os analistas do BTG citam a possibilidade de a Ultrapar anunciar um dividendo relevante junto com os resultados do segundo trimestre, seguindo a prática histórica de dividendos da companhia, somando-se à recompra de 18 milhões de ações anunciada no mês anterior.

Ultragaz e Ultracargo com desempenhos distintos

No segmento de gás, o BTG projeta EBITDA ajustado de R$ 460 milhões para a Ultragaz, com volumes 1% menores na comparação anual, reflexo da concorrência mais acirrada no segmento engarrafado e de um ambiente mais desafiador no granel. O banco vê a margem EBITDA em R$ 1.075 por tonelada no trimestre, alta de 5% na comparação anual, favorecida pelo repasse de preços no período.

Já a Ultracargo, braço de armazenagem, deve registrar EBITDA de R$ 162 milhões, com crescimento de volume na comparação anual puxado pela nova capacidade operacional, mesmo com tarifas médias mais baixas.

Citi eleva preço-alvo e destaca ambiente competitivo mais saudável

O Citi também revisou para cima suas estimativas para a Ultrapar, elevando o preço-alvo de R$ 33,00 para R$ 35,00 por ação. O banco espera EBITDA recorrente maior na comparação anual, também puxado pela Ipiranga, em um cenário de margens mais altas, menores importações de diesel e menor concorrência de players irregulares no país.

Segundo o Citi, a combinação entre EBITDA mais forte e liberação de caixa em capital de giro, favorecida pela normalização no fornecimento de combustíveis após o arrefecimento do conflito no Oriente Médio, deve resultar em geração de fluxo de caixa livre de cerca de R$ 3 bilhões no trimestre.

O banco pondera, porém, que parte relevante da alta no setor de combustíveis já está precificada. Entre os riscos apontados está uma possível compressão de margens à frente, à medida que diminui o diferencial entre os preços doméstico e internacional dos combustíveis.

Para a Ultragaz, o Citi projeta queda de 4% nos volumes na comparação anual, reflexo da menor demanda no mercado total de GLP e da perda de participação de mercado no segmento engarrafado. Já a Ultracargo deve registrar EBITDA maior na base anual, beneficiada pelo aumento de volumes vendidos e pela maturação de unidades recentes no interior do país.

O Citi reforça a recomendação de compra para a ação, citando a baixa alavancagem da companhia e a alta probabilidade de devolução relevante do fluxo de caixa aos acionistas via dividendos e recompras. O banco também destaca que a desistência da Ultrapar em relação à aquisição da Rumo, segundo noticiado pelo jornal O Globo em 28 de junho, reduz o risco de aumento de alavancagem e de maior complexidade do negócio.

JPMorgan vê aceleração no retorno de capital e reitera compra

Em relatório recente, o JPMorgan também sinaliza otimismo com a tese de investimento em Ultrapar, mantendo recomendação de compra para os papéis. Para o banco, o mercado ainda não precifica corretamente a solidez do modelo de negócio das distribuidoras de combustíveis no Brasil, que tem se mostrado mais resistente a choques do que o esperado.

O banco projeta que o ciclo de desalavancagem em curso deve permitir à companhia distribuir R$ 2,8 bilhões em proventos ainda em 2026. "Apoiados por um piso de rentabilidade estruturalmente mais forte, um balanço robusto e a contínua formalização do setor, continuamos a ver um perfil de risco-retorno atraente para a Ultrapar", escrevem os analistas.

Margens do diesel seguem elevadas

Um dos pilares da tese do JPMorgan é o comportamento recente das margens integradas de diesel, que reúnem os ganhos de distribuidoras e postos revendedores. O indicador, historicamente próximo de R$ 0,95 por litro, chegou a R$ 1,75 por litro entre abril e maio deste ano, e desde então tem oscilado perto de R$ 1,50 — patamar considerado elevado pelo banco frente à média de longo prazo.

Segundo o JPMorgan, essa dinâmica reflete a queda nos custos de importação, o que tem permitido às distribuidoras reconstituir caixa de forma consistente, sem pressão adicional sobre suas operações. "O repasse gradual dos custos de importação mais baixos, combinado com um ambiente competitivo mais racional e a contínua formalização do setor, deve manter a rentabilidade do setor estruturalmente mais alta, mesmo com a normalização das margens em relação aos níveis atuais", diz o relatório.

Caixa robusto abre espaço para dividendos extraordinários

O banco estima uma geração de fluxo de caixa livre para o acionista (FCFE) na casa de R$ 3,8 bilhões em 2026 — o equivalente a um retorno de 11,2% sobre o valor de mercado da companhia. Nesse ritmo, mesmo sem novos anúncios de dividendos, a alavancagem medida pela relação dívida líquida/EBITDA cairia para 0,8 vez até o fim do ano, segundo os cálculos do JPMorgan.

O banco também simulou um cenário mais conservador, em que as margens de distribuição de combustíveis voltam a um nível considerado normal — R$ 195 por metro cúbico — já em 2027. Mesmo assim, a alavancagem recuaria ainda mais, para 0,7 vez, sustentada pelo volume de caixa acumulado no período.

Sem grandes aquisições previstas no curto prazo e com o balanço já ajustado, o excedente de caixa tende a ser direcionado aos acionistas, segundo a leitura do banco. O JPMorgan trabalha com a hipótese de R$ 2,8 bilhões em dividendos ao longo de 2026 — o que representaria um retorno de 8,2% aos investidores sem comprometer a liquidez da companhia. Mesmo nesse cenário de distribuição mais agressiva, a alavancagem chegaria a apenas 1,1 vez a relação dívida líquida sobre geração operacional.

AutorMitchel Diniz
FonteExame
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