Um apartamento, até 52 donos: multipropriedade da Hard Rock em Gramado já vendeu R$ 1 bi

Quem passa pelo centro de Gramado, na Serra Gaúcha, corre o risco de ser abordado de forma inusitada por um time de vendas. Um personagem do filme Transformers foi colocado estrategicamente para chamar a atenção dos visitantes, que não resistem em pedir foto e acabam sendo convidados a comprar um imóvel — ou ao menos parte de um.
A Mundo Planalto investiu alto: transformou um edifício de quatro andares em um grande escritório de vendas com ares de parque temático, daquele jeito bem Gramado de ser. A empresa de José Roberto Nunes é a responsável pelo Hard Rock Hotel Gramado, um empreendimento de alto padrão desenvolvido no modelo de multipropriedade, em que é possível ser dono de um imóvel... por apenas uma semana ao ano.
"Aqui no Brasil tem muito essa cultura de ter um imóvel com escritura", afirma Nunes. A multipropriedade proporciona isso. Com a cota, o proprietário pode alugar o imóvel dentro do período adquirido, emprestar e até deixar de herança. Mas o que a Mundo Planalto ser propõe a vender é outra coisa. "O que o cliente compra é uma experiência, de ter um lugar para passar férias garantido pelo resto da vida".
Um único apartamento no Hard Rock Hotel pode ter até 52 donos — um para cada semana do ano. Para ter um "pedaço" do empreendimento, o comprador paga, em média, R$ 89 mil por uma cota. As vendas financiam a construção do complexo junto com recursos dos próprios sócios. A Mundo Planalto também deve emitir dívida em etapas mais avançadas do projeto, são três no total. O terreno tem 14 hectares e 86 mil metros quadrados de área construída.
As obras começaram oficialmente no final de maio, quase três anos após o lançamento comercial, e e a entrega está prevista para o final de 2028. "A demanda está muito boa e o produto foi muito bem aceito. O Brasil é o segundo país do mundo em reconhecimento da marca Hard Rock", afirma Nunes. Recentemente a marca se retirou de dois empreendimentos no Ceará: o Hard Rock Fortaleza e o Hard Rock Jericoacoara. Atrasos na execução da obra geraram uma onda de reclamações que deu origem a uma ação do Ministério Público.
O Hard Rock Hotel Gramado já acumula cerca de R$ 1 bilhão em Valor Geral de Vendas (VGV) comercializado. O projeto será um dos maiores empreendimentos turísticos da região. Estão previstos 858 quartos, restaurantes, cafeterias, bares, spa, áreas de lazer, centro de convenções, três salões de eventos e um mall com 16 operações comerciais. A parte de hotelaria vai ser administrada pela Hard Rock.
"É um serviço diferente para a Hard Rock, porque ela não tem multipropriedade em nenhum outro lugar no mundo", afirma.
A escolha da cidade não aconteceu por acaso. Antes de fechar o destino, a Mundo Planalto avaliou diferentes mercados brasileiros para entender onde uma marca internacional como a Hard Rock conseguiria sustentar seu posicionamento de preço.
"Foi muito baseado na pujança turística que Gramado já apresentava. Fizemos um estudo nacional para entender onde caberia um hotel dessa magnitude. Gramado já era um dos principais destinos turísticos do Brasil e continua ficando mais relevante a cada ano", afirma o executivo.
A cidade recebe milhões de visitantes anualmente e construiu, nas últimas décadas, uma economia baseada em turismo, gastronomia e entretenimento. Eventos como o Natal Luz ajudam a manter o fluxo de turistas ao longo do ano, reduzindo a sazonalidade comum em destinos de lazer.
O cenário chamou a atenção da Hard Rock International, que opera mais de 300 empreendimentos entre hotéis, cafés, lojas e espaços de entretenimento em cerca de 80 países.
O que se compra por R$ 89 mil
Um apartamento inteiro dentro do Hard Rock Hotel Gramado poderia custar algo próximo de R$ 4 milhões. A multipropriedade reduz drasticamente o desembolso inicial ao dividir o ativo entre dezenas de proprietários.
Nunes avalia que o modelo de multpropriedade está amadurecendo no Brasil e o passo seguinte é o timeshare, em que o ativo permanece com o empreendedor, que comercializa apenas o direito de uso.
"O mercado começou a entender que os melhores ativos não deveriam ser vendidos integralmente. É muito melhor manter o imóvel no portfólio e monetizar a operação ao longo do tempo", afirma. A Mundo Planalto é dona de cotas de Hard Rock Hotel e no futuro, quando o empreendimento estiver 100% ocupado e operante, a Mundo Planalto não descarta recomprar algumas.
"São dois negócios diferentes: incorporação imobiliária e hospitalidade. Para nós, a operação do hotel pode ser até mais lucrativa do que a incorporação", diz.
A expectativa é que o empreendimento gere empregos permanentes e fortaleça ainda mais o turismo da Serra Gaúcha.
Enquanto isso, o escritório de vendas no centro de Gramado continua atraindo visitantes curiosos — muitos deles parando para fotografar um Transformer sem imaginar que, poucos minutos depois, estarão ouvindo uma proposta para se tornarem proprietários de uma semana de férias em um hotel da Hard Rock.
