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LifestyleBDR
11/08/2026
5 min

Um novo Concorde? Conheça o avião comercial que quer desafiar Boeing e Airbus

Com formato que lembra uma raia-manta, o Z4, da startup americana JetZero, promete consumir até 50% menos combustível e levar cerca de 250 passageiros

Um novo Concorde? Conheça o avião comercial que quer desafiar Boeing e Airbus

O Concorde transformou em realidade uma ideia que parecia impossível: cruzar o Atlântico em cerca de três horas e meia, a 2.179 km/h, mais de duas vezes a velocidade do som. O avião franco-britânico voou comercialmente de 1976 a 2003, quando custos altos e o baixo número de passageiros ajudaram a encerrar sua operação.

Agora, uma nova aposta quer reinventar o avião comercial, não pela velocidade, mas pelo formato. A americana JetZero está desenvolvendo o Z4, uma aeronave que parece uma raia-manta e promete consumir até 50% menos combustível que jatos convencionais.

Fundada em 2020, a startup aposta em um desenho bem diferente do tradicional “tubo com asas” usado por gigantes como Boeing e Airbus. O Z4 foi projetado para transportar cerca de 250 passageiros e ter autonomia de até 5 mil milhas náuticas, o equivalente a aproximadamente 9.260 quilômetros. A expectativa da empresa é colocar a aeronave em operação comercial no início da próxima década.

A United Airlines investiu na empresa e fechou um acordo que prevê um caminho para a compra de até 200 aeronaves
A United Airlines investiu na empresa e fechou um acordo que prevê um caminho para a compra de até 200 aeronaves - Imagem: Divulgação/ @jetzero_official

Um avião que parece uma raia-manta

Olhe para um Boeing 787 ou um Airbus A350 e a lógica é bastante conhecida. Com uma fuselagem cilíndrica, ele concentra passageiros e carga, enquanto as asas ficam acopladas às laterais. O Z4, porém, quer fazer o contrário.

Chamado de blended wing body (BWB), ou corpo de asa mista, o conceito integra fuselagem e asas em uma única estrutura. Em vez de apenas as asas produzirem sustentação, praticamente toda a superfície do avião participa do trabalho. A consequência é um desenho muito mais largo e achatado, por isso a comparação inevitável com uma raia-manta.

Segundo a JetZero, essa arquitetura reduz o arrasto aerodinâmico e distribui melhor a sustentação, permitindo uma aeronave mais eficiente. A empresa estima uma economia de combustível de até 50% em relação a aviões comerciais convencionais de tamanho semelhante.

A promessa não interessa apenas ao meio ambiente. Para as companhias aéreas, combustível está entre os principais custos de operação de uma aeronave. Um avião que consiga transportar uma quantidade semelhante de passageiros gastando menos combustível poderia, em tese, reduzir o custo por assento e tornar algumas rotas mais rentáveis.

A JetZero assinou um novo contrato de 30 anos e vai investir US$ 50 milhões na expansão de seu Design Center, transformando o campus da empresa em Long Beach, na Califórnia.
A JetZero assinou um contrato de 30 anos e vai investir US$ 50 milhões na expansão de seu Design Center, transformando o campus da empresa em Long Beach, na Califórnia - Imagem: Divulgação/ @jetzero_official

E a cabine também muda

A parte mais curiosa do projeto talvez esteja dentro do avião. Como o Z4 é muito mais largo que um jato convencional, a JetZero diz ter espaço para redesenhar completamente a experiência de embarque e de voo.

O projeto prevê cerca de 250 passageiros, distribuídos em seis áreas de cabine. Cada uma teria seu próprio corredor, reduzindo a necessidade de os passageiros atravessarem outras áreas do avião para chegar aos assentos. A empresa também prevê compartimentos superiores individuais e portas de embarque mais largas.

A companhia chegou a apresentar configurações com assentos sem lugar do meio e diferentes formatos para famílias. Outro detalhe curioso é que as janelas não precisam seguir exatamente a disposição tradicional de um avião. O projeto prevê telas e câmeras externas para ampliar a visão dos passageiros, além de janelas concentradas em determinadas áreas da cabine.

Primeiro voo está previsto para 2027

Por enquanto, porém, o Z4 ainda está longe de ser uma aeronave que um passageiro possa comprar uma passagem. O próximo grande teste será o JetZero Jet1, um demonstrador em escala real que deve realizar seu primeiro voo em 2027. A aeronave servirá principalmente para testar a tecnologia e a configuração de corpo de asa mista antes que o projeto avance para a certificação comercial.

O desenvolvimento ganhou um impulso importante com a Força Aérea dos Estados Unidos, que concedeu à JetZero um contrato de US$ 235 milhões para acelerar a construção do demonstrador.

O interesse militar não é por acaso. A mesma arquitetura poderia ser adaptada para aviões de transporte, reabastecimento e outras aeronaves de grande porte. A JetZero também trabalha com a NASA e a Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA) no desenvolvimento da tecnologia.

Já tem companhia aérea interessada

Embora ainda não exista um avião comercial certificado, a JetZero conseguiu algo importante para uma startup de aviação: colocar grandes companhias aéreas na mesa.

A United Airlines investiu na empresa e fechou um acordo que prevê um caminho para a compra de até 200 aeronaves, sendo 100 aviões inicialmente e uma opção para outros 100. O acordo, porém, é condicionado ao cumprimento de marcos de desenvolvimento, incluindo o voo do demonstrador em escala real e o atendimento aos requisitos de segurança e operação da companhia.

A Delta Air Lines também trabalha com a JetZero desde 2021 em questões relacionadas à comercialização e à experiência dos passageiros. E a lista cresceu em 2026. A Japan Airlines (JAL) anunciou apoio e interesse no programa, enquanto a Gulf Air, do Bahrein, assinou uma carta de intenção para um número não divulgado de aeronaves, com posições de entrega previstas para o início dos anos 2030.

US$ 3 bilhões para colocar a ideia de pé

Outro passo importante aconteceu em 2026. A JetZero assinou uma carta de interesse com o U.S. Export-Import Bank (EXIM Bank) para explorar até US$ 3 bilhões em financiamento para seu projeto de manufatura nos Estados Unidos.

O dinheiro ainda não está garantido. A carta é uma etapa preliminar e qualquer financiamento dependerá de análises, aprovações e das condições do projeto. Em junho de 2026, a empresa iniciou a construção de sua primeira fábrica, em Greensboro, na Carolina do Norte. O complexo terá cerca de 740 mil metros quadrados e, segundo a companhia, deverá gerar 14.500 empregos ao longo da próxima década.

AutorSara Magalhães
FonteSeu Dinheiro
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