‘Uma bolsa deve ser à prova de bala’, avalia VP da A5X, futura concorrente da B3
A A5X, a nova bolsa de futuros e derivativos que deve ser uma das concorrentes da B3 a partir do ano que vem, busca trazer uma plataforma mais escalável, rápida e robusta aos investidores, que seja “à prova de bala”, segundo o vice-presidente e um dos cofundadores da empresa, Karel Luketic, em entrevista ao Money […]

A A5X, a nova bolsa de futuros e derivativos que deve ser uma das concorrentes da B3 a partir do ano que vem, busca trazer uma plataforma mais escalável, rápida e robusta aos investidores, que seja “à prova de bala”, segundo o vice-presidente e um dos cofundadores da empresa, Karel Luketic, em entrevista ao Money Times.
Na última semana, a A5X anunciou a captação de R$ 360 milhões em uma rodada Série D, a um valuation de R$ 2,7 bilhões, liderada por grandes nomes do mercado, como Morgan Stanley, Goldman Sachs e Kaszek.
Um dos pontos que Luketic destaca é a adoção da infraestrutura da Bolsa de Londres, com o objetivo de oferecer uma nova experiência para o investidor, tanto em termos de tecnologia quanto de confiabilidade.
“Usamos como fundação a Bolsa de Londres, que roda mais de 30 mercados mundo afora, sendo alguns dos maiores mercados — como Singapura, Austrália e África do Sul. Londres é o maior mercado europeu, e algumas bolsas dos Estados Unidos também usam essa tecnologia”, afirma. “Então, é uma operação aprovada, testada, resiliente, que nunca apresentou um problema.”
A partir da infraestrutura de Londres, o vice-presidente da A5X afirma que a empresa testa a tecnologia como se o mercado inteiro fosse operar logo no primeiro dia na nova bolsa. “Estamos criando uma nova experiência de bolsa na tecnologia, nos produtos, na eficiência, nos preços e no relacionamento com o cliente”, diz.
Vale lembrar que, em 31 de julho deste ano, uma intercorrência operacional em um componente tecnológico do ambiente de pós-negociação levou a B3 a postergar a abertura regular dos negócios. Enquanto alguns contratos começaram a ser negociados pela manhã, a negociação contínua dos demais ativos foi adiada e só teve início perto do meio-dia.
Benefícios da concorrência
Na avaliação de Luketic, o Brasil tem há cerca de 20 anos uma empresa com monopólio do mercado brasileiro (no caso, a atual B3) e que enfrenta dificuldade em tomar decisões de evolução.
Há uma visão no mercado de que a falta de uma concorrente direta para a B3 reduz a pressão competitiva sobre tarifas, inovação e qualidade dos serviços prestados ao mercado. Sem uma segunda bolsa disputando corretoras, investidores e empresas, há menos incentivos para a redução de custos e para o desenvolvimento de novas tecnologias e produtos.
A concentração também aumentaria a dependência do mercado em relação a uma única infraestrutura para negociação, registro, liquidação e custódia, elevando a relevância de eventuais falhas operacionais ou tecnológicas.
Na última década, avalia Luketic, a operadora da Bolsa brasileira parece ter tomado decisões priorizando o lucro, em vez das melhorias necessárias no mercado doméstico, o que acabou gerando um custo operacional, reputacional e transacional para os investidores.
“Achamos que isso poderia ser diferente e que o Brasil merece que seja diferente. É nesse cenário que entra a A5X. Os frutos da concorrência serão colhidos pela A5X e pela própria B3 se movimentando”, afirma Luketic.
Problemas com liquidez?
Por outro lado, o mercado também se questiona se uma eventual concorrência seria realmente factível por conta da liquidez. A concentração da liquidez em uma única plataforma traz ganhos de eficiência e facilita a formação de preços, enquanto a existência de duas bolsas poderia fragmentar o volume negociado e reduzir a liquidez.
Ao ser questionado se a baixa liquidez observada nos pregões da B3 deve ser um desafio para a A5X, a avaliação do executivo é de que a nova bolsa não deve enfrentar esse empecilho, visto que o mercado de derivativos é o “mais líquido no país”.
De acordo com ele, a maior parte da receita e do lucro da B3 não vem de ações, mas, sim, de juros, moedas e índices. “Se você olha para o Brasil, o que é mais operado não é a ação A, B ou C, é o dólar e o Depósito Interfinanceiro [DI]”, diz. “Além dos índices, o mini índice é um dos mais negociados do mundo.”
Nesse segmento, complementa Luketic, a avaliação é de que há espaço para atuação de mais de uma bolsa.
“Não é à toa que escolhemos os sócios que escolhemos, como Goldman Sachs e Morgan Stanley, os maiores formadores de mercado. Além de Jump Trading, Optiver e XTX Markets, que são os maiores players no mundo de derivativos no Brasil, com participação de 30% a 40% no volume de derivativos domésticos“, detalha.
Segundo Luketic, a seleção dos parceiros — que ainda conta com nomes como Itaú, Ideal e XP Investimentos — visa maximizar a probabilidade de sucesso na entrada de operação da A5X.
Robustez no operacional
O vice-presidente da A5X afirma que a companhia investiu em mais de 50 sistemas para complementar a adaptação da tecnologia da Bolsa de Londres para o Brasil, devido à complexidade local e porque nem tudo vem pronto.
“Pelo contrário, diria que uma metade veio pronta e a outra metade nós que fizemos, então é um trabalho a quatro mãos. Temos múltiplas agendas com eles [Bolsa de Londres] de codesenvolvimento, coajuste, tudo desenhado por nós e feito por eles. Ficamos nessa interação o tempo inteiro”, detalha.
De acordo com Luketic, a equipe de Londres gosta de dizer que uma bolsa deve ser “à prova de bala”, avaliação que é compartilhada pelo executivo.
Agora, o próximo passo esperado é o aval de operação pelo Banco Central (BC), que, segundo o vice-presidente da A5X, vem realizando uma avaliação com diligência, tecnicidade e muito cuidado para ter certeza do funcionamento da infraestrutura para emitir a licença.
A expectativa da empresa é de que a nova bolsa comece a operação a partir do segundo trimestre de 2027, com preços, produtos e serviços atrativos para o investidor brasileiro.
Receba gratuitamente as newsletters do Money Times
